Areias Sagradas de Damasco

Padre Geovane Saraiva*

Como é maravilhoso recordar o apóstolo Paulo, no dia em que a Igreja celebra sua conversão, em 25 de janeiro. Missionário insuperável, não conviveu pessoalmente com seu Mestre e Senhor. No início, de perseguidor ferrenho da Igreja e dos cristãos, abraçou a fé na viagem para Damasco, que se deu no ápice da luminosidade do Sol, transformando-o por completo, na viagem, encontrando-se nas areias daquele caminho, já perto de Damasco. “Foi pelo meio-dia que, de repente, uma grande luz vinda do céu brilhou ao redor de mim”[1].


Paulo quer nos ensinar que as circunstâncias são as mais diversas para sermos chamados a abraçar a proposta do reino, afastando-nos das trevas do erro, as quais persistem em perseguir a humanidade. Temos como expressão maior o Evangelho vivo, no exemplo claro, terno e generoso que vem do jovem Saulo de Tarso, ao tornar-se seguidor e discípulo fiel de Jesus, o Nazareno, a partir do sinal luminoso, no episódio da queda nas areias, no caminho de Damasco, voltando-se após o incisivo chamado de seu Mestre e Senhor, pelo anúncio e propagação da fé.

Guardemos as palavras do Mestre e Doutor das Nações, que intrepidamente soube anunciar a Boa-Nova do Senhor Jesus, consciente de que era para ele uma exigência, por isso mesmo sua disposição para tudo, até a própria vida por causa do Evangelho: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei minha corrida e guardei a fé”[2].

Pelo fato de o chamado ter acontecido ao meio-dia, recordo-me de Dom Helder Câmara, ao externar sua enorme alma e ternura de místico, a partir do Sol da Justiça, que é dom e graça de Deus: “Há pessoas que, independente de idade, pelo que são, pelo que dizem e pelo que fazem, são sempre meio-dia”[3]. Nesse sentido, recordando o Apóstolo dos Gentios, seja no anúncio do Evangelho e nos carismas, seja na missão e nas viagens, não podemos esquecer o Artesão da Paz, na sua enorme disposição e sabedoria interior, se esforçou para imitá-lo.

Que a festa da conversão de São Paulo faça crescer em nós a alegria e felicidade verdadeira de filhos de Deus, a partir daquilo que nos diz o Livro Sagrado: “Nunca mais o Sol a iluminará de dia, nem a Lua, de noite, pois eu, o Senhor, serei para sempre a sua luz, e a minha glória brilhará sobre você”[4], na acolhida do mesmo sinal que envolveu o Mestre e Doutor das nações. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com


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[1]  (Atos 22, 6-21).
[2]  (2 Tm 4, 6).
[3] “Rezar com Dom Helder”,  série pensamentos,  Padre Geovane Saraiva.
[4]  (Is 60, 19).

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