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Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor conta com dez novos livros raros à disposição do público geral e de pesquisadores

Com 8 mil títulos, a Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor segue expandido a sua coleção de obras raras
Os amantes de obras literárias raras têm um bom motivo para comemorar este mês. É que desde os primeiros dias de fevereiro a Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor ganhou dez novos títulos, que já se encontram à disposição do público geral e de pesquisadores em particular para apreciação em visitas agendadas. Expressões de Di Cavalcanti, Machado de Assis, Oswald de Andrade, J. B. Debret, entre outros autores, se juntam aos 8 mil volumes já abrigados em duas salas do primeiro piso da Reitoria da Universidade de Fortaleza.
"A Biblioteca de Acervos Especiais é um dos equipamentos culturais mais relevantes da Unifor", avalia o vice-reitor de extensão da universidade, Randal Pompeu. "Mesmo com um acervo de livros de tal porte, a Fundação Edson Queiroz segue ampliando sua coleção", conta.
"Eles são considerados especiais, pois se diferenciam de alguma forma. São raros, pela encadernação, pela data, pelo autor ou mesmo pelo histórico da coleção, quem era o colecionador ou o organizador, por exemplo", explica Cecília Bedê, curadora responsável pelo acervo da biblioteca.
A sala que recebeu as novas aquisições abriga livros adquiridos pela Fundação Edson Queiroz, além de doações. O outro espaço recebe exclusivamente os livros correspondentes à parte da biblioteca particular de Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo Matarazzo, um dos principais mecenas da história do Brasil e fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e criador da Bienal Internacional de São Paulo.
"Estes livros contêm algo de artístico, como uma ilustração ou uma encadernação mais antiga e trabalhada com iluminuras. Há livros de história em que as ilustrações são feitas com pigmento de ouro. Livros com aquarela feita à mão, com gravuras originais. Isto é, todo o acervo está voltado para a arte", conta Cecília Bedê.
Aquisições
Entre as dez novas aquisições, estão livros publicados entre 1834 e 1966, boa parte deles em diálogo com os registros das paisagens brasileiras por estrangeiros. Um dos destaques são os tomos de Debret, resultantes de viagens que ele fez ao Brasil no período de 1834-1839. Os volumes 1 e 2 de "Voyage pittoresque et historique au Brésil" estão um pouco manchados de água, com apenas as margens inferiores afetadas, e trazem gravuras coloridas e em preto e branco.
Durante sua estada por aqui, o pintor francês realizou muitas jornadas pelo interior, e retornou com numerosas coleções de desenhos e esboços dos costumes e vida dos nativos. Seu pincel também gravou os eventos históricos em conexão com o reinado de Dom Pedro I. Os esboços de cenas das ruas do Rio de Janeiro, roupas e costumes formam um dos mais valiosos documentos da vida brasileira de cem anos atrás.
A biblioteca ganhou também a obra "Brazil Pitoresco", de Charles Ribeyrolles, publicada em 1861, em Paris, pela Editora francesa Lemercier, Imprimeur-Lithographe. Trata-se de um álbum de vistas, panoramas, paisagens, monumentos, costumes que representam a história, as instituições, as cidades, as fazendas, a cultura, a colonização do Brasil antigo. Outro título que dialoga com essa imersão pelo nosso país é "Skizzen zu dem tagebuche von Adalbert prinz von Preussen 1842-1843", do Príncipe Adalbert Heinrich Wilhelm.
Adalbert da Prússia era um nobre estudioso e observador que veio ao Brasil no século XIX e relatou em seu diário de bordo suas impressões sobre a floresta amazônica, o povo brasileiro e tudo que lhe era novo, de forma precisa e perspicaz, mas sem a pretensão de realizar uma pesquisa científica.
Seus relatos, impressões e descrições, posteriormente, viraram um livro chamado "Brasil: Amazonas - Xingu", um dos mais importantes documentos da região de meados do século XIX.
"Skizzen zu dem tagebuche von Adalbert prinz von Preussen 1842-1843" não é seu diário de bordo, mas sim um álbum com litogravuras de esboços entre os anos de 1842 e 1843 para tal diário. Ao todo, são 45 pranchas que abrangem desenhos com paisagens de diferentes regiões e habitações brasileiras, esboços de plantas nativas e ilustrações que retratam algumas cenas do cotidiano do povo aqui encontrado.
Mais títulos
Grandes nomes das artes plásticas também figuram na autoria das novas obras adquiridas pela Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor. Di Cavalcanti aparece em "Fantoches da Meia-Noite", publicado por Monteiro Lobato, em São Paulo, em 1921. O exemplar conta com 16 gravuras do pintor carioca, além do poema escrito por Ribeiro Couto.
Lasar Segal também se faz presente com "Mangue". O álbum se compõe de 42 pranchas reproduzindo desenhos impressos em zincografia, 3 xilogravuras e 1 litografia originais, assinadas pelo autor. Textos de Jorge de Lima, Mario de Andrade e Manuel Bandeira completam a publicação.
Outros títulos importantes por fazerem referência a nomes de peso da literatura brasileira são o "Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade" e "O Alienista", de Machado de Assis. Do primeiro livro se tiraram 299 exemplares em papel ordinário, havendo um exemplar de luxo para Tarsila, impresso em abril de 1927. Já "O Alienista" é uma edição feita por iniciativa de Raymundo de Castro Maya, para fins de beneficência, e ilustrada por Cândido Portinari, com 4 águas-fortes tiradas pelo artista em colaboração com seu irmão Loy Portinari e 36 desenhos a nanquim.
O texto e os desenhos foram reproduzidos em "off set" na Imprensa Nacional do Rio de Janeiro. A obra composta de 70 páginas, é o exemplar nº 256/400. Vale ressaltar que este exemplar possui uma dedicatória de Cândido Portinari para Ana Maria, onde ele diz: "Para Ana Maria com muito carinho e um beijo de tio Candinho". A dedicatória possui assinatura do artista logo abaixo do texto e é datada de 1952. Mais dois exemplares com xilogravuras completam as aquisições. Um deles é o livro "Cobra Norato", do poeta modernista Raul Bopp. Na publicação, ele narra um drama que, em forma de poesia, veste o folclore brasileiro e leva o leitor para dentro das florestas amazônicas. O outro é a "Pequena Bíblia de Raimundo de Oliveira", este com 10 xilogravuras em cores, e capa em madeira que remete à técnica utilizada para gerar as imagens.
Mais informações:
Biblioteca de Acervos Especiais da Unifor. (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz. Prédio da Reitoria - 1º andar). As visitas devem ser agendadas. Horário: 9h às 11h30 e 14h às 17h30 (de terça a sexta-feira) e 9h às 13h (sábado).
Contato: (85) 3477.3823
Diário do Nordeste

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