Após briga, menino escreve carta de desculpas a colega e 'bomba' na web

Mãe conversou sobre o respeito às mulheres e o ajudou a escrever texto. Otávio, 5, foi desculpado e aprendeu lição: 'Não devemos bater nos amigos'.

Do G1 GO
 

Após bater na mão de uma colega de escola, o menino Otávio Ramos Prado Feitosa, de 5 anos, teve uma longa conversa com a mãe, Lucielle Prado de Moraes, de 29, sobre o respeito às pessoas, e, principalmente, às mulheres. Em seguida, ele escreveu uma carta de desculpas para a amiga e a entregou junto com um pacote de doces, em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Lucielle postou a história nas redes sociais e o caso bombou na internet. A publicação teve mais de 423 mil curtidas e 180 mil compartilhamentos até a noite de domingo (25).
Com a ajuda de Lucielle, Otávio escreveu na carta: “Laura, me desculpe por ter dado um tapa na sua mão. Eu apreendi com a minha mãe que não devemos bater nos nossos coleguinhas e que um homem nunca machuca uma mulher. Nunca mais vou fazer isso. Por favor, me desculpe”.
O pedido de desculpas deu certo. Além disso, Laura Guimarães, de 7 anos, conta que também apreendeu com o desentendimento: “Eu apreendi a perdoar. Também desculpei. Se não perdoar, Jesus fica triste”, disse a menina.
Lição de respeito
O caso aconteceu no início de março, durante a aula. “Eu estava fazendo a tarefinha. A Laura pegou o lápis de uma vez. Aí eu dei um tapa na mão dela e fiquei muito nervoso. Aí a gente ficou de mal”, relata Otávio.
Lucielle diz que se preocupou quando a professora contou sobre a briga entre os alunos, pois o filho nunca havia machucado outra criança. Por isso, ela decidiu conversar sério com Otávio sobre o respeito ao próximo.
“Eu me preocupei em como ia passar isso para ele, e, se tratando de uma mulher, o nosso cuidado é maior. Eu não queria bater nem colocar de castigo. Aí sentei em casa, conversei com ele o que tinha acontecido e ele me confirmou a história. Aí, nós tivemos uma longa conversa. Eu dei um exemplo para ele que chocou muito. Falei: ‘Meu filho, e se um amigo da mamãe da escola tivesse batido na mamãe, você ficaria feliz? ’. Ele, automaticamente, se assustou e isso mexeu com ele”, relatou a mãe.
 Lucielle Prado de Moraes, moradora de Goiás, conta sobre o pedido de desculpas do filho na internet (Foto: Reprodução/ Facebook)Publicação sobre pedido de desculpas tem 423 mil curtidas (Foto: Reprodução/ Facebook)
Inspiração
No dia seguinte, Otávio levou a carta e o mimo para a colega. Pai de Laura, o contador Alex Guimarães se surpreendeu com a postura do menino e, inclusive, foi à escola parabenizá-lo.
“Eu fui criado por mulheres. Então, quando eu vi na cartinha que a mãe dele tinha ensinado isso para ele, vi que foi o mesmo ensinamento que eu tive da minha mãe e da minha avó, que me criaram. Então, achei por bem exaltar a atitude dele para que isso sirva de exemplo porque, realmente, o homem não tem motivo para bater em mulher”, declarou Guimarães.
A atitude de Otávio também se tornou inspiração na escola e foi adotada para solucionar conflitos entre os alunos. “A criança escreve a cartinha com o pedido de desculpa e, no outro dia, traz. Então, isso está funcionando na escola”, disse a professora Tchelina Silva Queiroz.
Lucielle não imaginava que o ensinamento que deu ao filho ganhasse tamanha repercussão. "Na minha cabeça, era uma coisa normal porque a atitude para mim tinha sido uma coisa normal, era um ensinamento que eu estava dando ao meu filho. Nunca imaginei que teria essa repercussão tão grande. Eu sou meio romântica e acredito que os homens do futuro estão sendo formados agora. Está nas nossas mãos, mães e pais de hoje, mudar o amanhã", conclui.
Otávio Ramos Feitosa e Laura Guimarães fazem as pazes após carta com pedidos de desculpa em Rio Verde, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)Otávio e Laura fazem as pazes após carta com pedido de desculpa (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Comentários

Mais Visitadas

O Irmão Carlos de Foucauld

Memorial do Holocausto lembra 80 anos da Noite dos Cristais em SP

15 de novembro de 1889

Escreve Pe. Jocy - Dom Delgado

Há 50 anos, primeira mulher negra era eleita ao Congresso nos EUA