Grecianny Carvalho Cordeiro*
Shakespeare é um escritor cujas obras
sobrevivem ao tempo, às tormentas, ao desenrolar dos anos, sem jamais perder a
atualidade.
E seus enredos fabulosos caminham
no meio de todos nós, tal qual feitiços que nos levam ao completo encantamento,
e revivem a cada leitura e releitura, a cada interpretação, a cada filme e peça
teatral.
Eis o real sentido de um clássico.
Macbeth é um general do rei escocês
Duncan e, ao lado de seu companheiro, o general Banquo, conseguiu enfrentar uma
revolta capaz de pôr em perigo o poderio real.
No caminho para casa, Macbeth encontra
três feiticeiras que o saúdam como futuro rei. Para Banquo, as feiticeiras
profetizam que ele será o pai de reis.
A partir daí, a vida de Macbeth e de
sua esposa giram em torno dessa profecia, a qual pretendem fazer
acontecer.
Essa oportunidade surge quando, um belo
dia, o rei Duncan e seus filhos se hospedam no castelo de Macbeth.
Macbeth assassina o rei enquanto dormia
e atribui a culpa aos súditos que o acompanhavam, pelo que resolve mata-los. Os
príncipes Malcolm e Donalbain, filhos de Duncan, conseguem fugir de igual
destino.
E assim Macbeth torna-se rei.
Banquo desconfia do crime cometido por
Macbeth e este resolve eliminá-lo também. Mas seu filho Fleance foge e escapa
do mesmo infortúnio.
Uma sequência de crimes é cometida pelo
novo rei, de modo a que sua traição e seus segredos não sejam revelados.
Macbeth não tem mais sossego, vivendo constantemente atormentado pelo fantasma de Banquo, que não o deixa em paz. “As consciências contaminadas descarregam seus segredos nos travesseiros surdos.”
Macbeth não tem mais sossego, vivendo constantemente atormentado pelo fantasma de Banquo, que não o deixa em paz. “As consciências contaminadas descarregam seus segredos nos travesseiros surdos.”
Ele vai novamente à procura das
feiticeiras em busca de respostas para seu futuro. Enigmas lhes são mostrados e
Macbeth continua eliminando aqueles que podem ameaçar seu reinado.
Malcolm, um dos filhos do rei Duncan,
organiza um exército e, junto com o conde de Northumberland, travam uma batalha
com Macbeth.
Enquanto isso, Lady Macbeth adoece e,
ao retornar dos combates, Macbeth recebe a notícia de que seu falecimento. É
nesse exato momento que uma das frases mais belas de todos os tempos é dita:
“Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã
arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até
a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram
mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te,
apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço
que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é
uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada
significa.”
Em Macbeth, Shakespeare retratou a face
mais vergonhosa do ser humano: a ganância, a luta desmedida pelo poder, a
traição, o homicídio, a dissimulação.
Macbeth tramou e executou a morte do
rei, de nobres e de seus familiares destinados à sucessão, de modo a que lhe
fosse garantido o trono.
Mas essas escolhas tiveram um alto
preço: a falta de paz de espírito, os conflitos internos, o peso na consciência
a atormentar uma existência tranquila e feliz.
*Promotora
de Justiça e Escritora


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