Atividades desta quarta-feira (19) da Bienal do Livro do Ceará primam por diversidade de recortes temáticos

Neste sexto dia da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, as atividades programadas oferecem uma variada gama de opções para os amantes da literatura e das artes em geral, algo que serve como extensão do que já está ocorrendo na programação desde o último dia 14, quando se iniciou o evento.
Integrando o roteiro da Bienal fora da Bienal, dois momentos acontecerão em diferentes espaços do Estado. Um deles ocorre, das 9h às 10h, no campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), em Redenção. Trata-se do Encontro Oralidades & Escritas em Língua Portuguesa, com a participação de nomes nacionais e internacionais e mediação de Manoel Casqueiro (Guiné-Bissau).
Também na Universidade, as conferências "A resistência da palavra nas literaturas africanas de língua portuguesa", às 14h, e "Mulheres, Literatura e Resistência", às 16h, devem aprofundar questões referentes ao contexto social que envolve o ato de escrever.
Já aqui, na Capital, é a Praça do Ferreira que recebe a Bienal para além das paredes do Centro de Eventos. A partir das 10h, haverá o encontro "Minha casa é meu chapéu - dois dedos de prosa com quem mora na rua", com mediação de Kiusam de Oliveira, um dos nomes mais representativos da literatura negra no Brasil.
Movimentação
No epicentro principal da Bienal, a movimentação se inicia a partir das 9h em variadas salas. No Mezanino 1 do Centro de Eventos, acontece, até as 18h, a programação da Sala 2 - "Contos, Papos e Encantos" -, envolvendo contação de histórias, teatro de bonecos e encontro de mediadores.
Já na Sala 1 do mesmo pavilhão, os diálogos devem versar sobre as especificidades do ramo de produção de eventos culturais, ao passo que as áreas de "Causos e Cantorias" e "Circo" serão trabalhadas nas salas 3 e 4, e 5 e 6, respectivamente.
Ainda no Mezanino 1, na Sala 7, ocorrem as socializações de práticas pedagógicas exitosas das escolas com foco na leitura. Será um momento de enfoque nos trabalhos de professores e alunos das unidades escolares do município de Fortaleza. Na Sala 08, por sua vez - reservada ao Espaço SESC - o que tomará fôlego são performances poéticas e o projeto Abraço Literário.
No Mezanino 2, um dos grandes destaques do dia vai para a Mesa "Letra de Mulher, Novas Páginas: Cala a boca já morreu...", com Lola Aronovich e Fernanda Cardoso.
Das 9h às 20h, na Sala 4, olhares sobre poesia feminina de Gilka Machado e performance com trechos de textos da autora feita por Antonia Alice Queiroz Bezerra e Priscila Kelly de Lima oferecerão uma maior amplitude à seara de composição poética.
Também ganham projeção o debate "Recriar o mundo: trazer a esperança através das palavras" - capitaneado por Frei Betto em diálogo com Socorro Acioli e Adelaide Gonçalves, na Sala 1, a partir das 20h - além do Bazar das Letras Sesc, "Da poesia que não se contém", na Sala 2; e do VIII Encontro SEPBCE, sobre Políticas Públicas de Leitura e Bibliotecas, na Sala 3.
Oficinas e conferências de Robótica ganham espaço na Sala 7, ao passo que as Salas Elementos (8) e Mágica (9 e 10) devem concentrar a maior parcela do público juvenil. Serão nesses locais onde se desenvolverão conversas sobre gamificação, a história dos jogos de tabuleiro, diálogos sobre versões de filme e de livros e onde marcarão presença os críticos Jurandhir Filho e PH Santos, do portal Cinema com Rapadura. Juntos, eles farão, ao vivo, uma transmissão pela RapaduraTV.
Outro dos momentos mais aguardados dos jovens adultos está marcado para acontecer às 20h, quando o escritor paulista André Vianco - famoso pelas publicações no ramo do terror sobrenatural, caso do best-seller "Os Sete" - ocupará o palco falando sobre o tema "A adaptação de literatura de fantasia e terror para audiovisual no Brasil".
Panorama local
É no Térreo do Centro de Eventos que as manifestações típicas do Ceará serão mais efetivas. A começar com a programação do auditório, com a presença dos Mestres e Mestras da Cultura do Estado.
A Mestra Cacique Pequena, natural de Aquiraz, será uma das representativas figuras que tratarão de discutir temas relacionados ao conhecimento popular, com a roda de saberes intitulada "A alma é um encanto, a memória divina".
Além dela, estarão presentes também os Mestre de origem indígena e naturais de Itarema, Cacique João Venâncio e Pajé Luiz Caboclo. A mediação será de Alênio Carlos Noronha Alencar.
No Espaço Natércia Campos do Escritor Cearense, diversos lançamentos de livros ocorrerão, de hora em hora, a partir das 15h. Dentre eles, as obras "Barão de Camocim", de Lourdinha Leite Barbosa, e "As cidades de Rubem Braga e Walter Benjamin", de Ana Karla Dubiela.
Já na Praça Mário Gomes, mais lançamentos marcarão a programação, incluindo uma oficina de poesia com Arlene Holanda. E, no Café Literário, nomes como Calé Alencar, Zé Tarcísio e Pedro Rogério estarão à frente de atividades que incluem pocket-shows, performances, "Cine Palavra" e imagens e obras.
A partir das 19h, Davi Duarte apresenta-se em voz e violão na Fortaleza Boêmia; no mesmo horário, no Espaço do Ilustrador Audifax Rios, Fernanda Meirelles e Luci Sacoleiro realizam a palestra "A ilustração como rede de afeto".
Um dos espaços mais tradicionais da Bienal, a Praça do Cordel receberá recitais, confraternizações e apresentação do cantor e compositor Beto Brito. Além disso, os autores e pesquisadores Arievaldo Viana e Stélio Torquato lançarão o livro "Santaninha - Um poeta popular na Capital do Império", às 16h, com o jornalista Gilmar de Carvalho, o qual integrará a mesa "Santaninha, um pioneiro do cordel".
A obra é resultado de uma intensa pesquisa sobre os primórdios do cordel brasileiro, um estudo que acabou por desaguar no poeta cujo nome vai no título. Santaninha foi citado por Sílvio Romero, Mello Moraes Filho, Barão de Studart e José Calanzas, apontado por estes como um dos precursores da Literatura de Cordel. O encontro, assim, deve mesclar as verves cordelistas e historiográficas da trajetória do homem.
Diário do Nordeste

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