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Iphan disponibiliza fotos antigas do patrimônio de Icó

As fotos contêm, inclusive, edificações que não mais existem entre o patrimônio tombado do Município
Icó. Pesquisadores e moradores desta cidade, no Centro-Sul do Ceará, agora têm acesso a um conjunto de 164 fotografias, das décadas de 1940 e 1970. Casarões, sobrados, igrejas, praças, ruas, a antiga Casa de Câmara e Cadeia e o Teatro da Ribeira dos Icós, o mais antigo do Ceará, formam o rico acervo do sítio histórico, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Foi o próprio Iphan que disponibilizou o acervo raro dos registros fotográficos. As fotos e as informações detalhadas de cada uma delas agora estão disponíveis na internet em um total de 36.821 documentos sobre o patrimônio histórico e cultural brasileiro, por meio da Rede de Arquivos do Instituto.
De acordo com informações do órgão, as imagens da cidade são compostas da visita de João José Rescala a Icó, em 1941, quando existia o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), hoje Iphan; e da década de 1970, quando foi realizado estudo de tombamento para o conjunto histórico da sede urbana.
Raridades
Dentre os raros elementos presentes, estão o coreto da Praça Marcial Teixeira Pequeno, em 1941; a praça com o coreto de Genebaldo, na década de 1970; o altar antigo da Igreja do Senhor do Bonfim; a Casa de Pólvora, em 1941; e o Cine Nordeste, que funcionou no Teatro da Ribeira dos Icós.
Prédios históricos, seus interiores e a composição destes com a população da época criam uma iconografia única, rara e que apresenta uma espécie de museu próprio, de imensurável valor histórico. Um verdadeiro relicário da tricentenária cidade do interior cearense.
Comparação
O memorialista e técnico da Secretaria de Cultura e Turismo do Município, Altino Afonso Medeiros, ressaltou a importância do conjunto de fotografias. "Ele permite uma comparação com os dias atuais e revela a importância do patrimônio que foi preservado", frisou. "Historicamente, Icó tem a sua importância patrimonial e econômica, no ciclo do couro e do gado, no fim do século XVIII e início do século XIX, com uma população, no primeiro quartel de 1800, superior à de Fortaleza".
Altino Afonso observou que as fotos têm importância para os historiadores e pesquisadores e para as futuras gerações. "As ruas eram de terra, não havia água encanada e nem rede de energia elétrica, que só surgiram a partir da década de 1960", lembrou. "Icó cresceu, transformou-se, mas preservou muito do seu patrimônio". O memorialista observa, entretanto, que até 1950 deixaram de ser preservados cerca de 40% do patrimônio.
Preservação
O altar original da Igreja, hoje Santuário do Senhor do Bonfim, está preservado, assim como o Teatro da Ribeira dos Icós e a antiga Casa de Câmara e Cadeia. O coreto na praça foi demolido, em 2005, após estudo de arquitetos do Programa Monumenta; a casa de pólvora de 1749, construída pelo primeiro capitão-mor, em forma de pirâmide, ruiu em 1970; e o Cine Nordeste deixou de existir em meados de 1970, conforme Altino Afonso. "Icó tem o sítio histórico mais preservado do Ceará e foi a primeira cidade a ser tombada pelo Iphan, em dezembro de 1997", conta. "Esperamos que ocorra uma exposição permanente dessas fotos na Secretaria de Cultura e Turismo do Município".
Plataforma
A plataforma foi lançada no dia 5 de maio de 2016, inicialmente com um volume superior a três mil documentos, número que aumenta constantemente. O projeto é desenvolvido pelo Iphan, em parceria com o Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) e a Fundação Darcy Ribeiro, por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ferramenta visa facilitar o acesso a essa documentação, por parte de pesquisadores, estudantes, jornalistas e outros interessados no tema, contribuindo para enriquecer a produção de conhecimentos sobre o assunto e conferindo ainda mais transparência à ação do Estado.
Objetivo
Ao fim da ação, a Rede de Arquivos Iphan deve integrar os conteúdos produzidos pelo Instituto, acumulados em 80 anos de política sobre o tema, atualmente distribuídos nas 60 unidades da instituição, em 54 cidades. Entre os documentos estão inventários, imagens, plantas, dossiês, relatórios de obras e processos de tombamento, além de rica documentação iconográfica e cartográfica.
O resultado é um repositório de documentos digitalizados que permite buscas a partir de diversos parâmetros (nome do bem, localidade, tipo de documento), sem comprometer a integridade da documentação ou desmembrar os acervos físicos, que foram constituídos ao longo das últimas oito décadas de políticas públicas voltadas para preservação e valorização do patrimônio cultural brasileiro.
Acervo
164
Registros fotográficos das décadas de 1940 e 1970 apresentam o cotidiano da população de Icó emoldurada por construções seculares.
Diário do Nordeste

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