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Pesquisadora comenta prós e contras de livros digitais e impressos

23 de abril é Dia Internacional do Livro; com a tecnologia, ebook se torna opção para leitores, veja diferenças 

Monique Coutinho
Da redação

Biblioteca da Faculdade Canção Nova / Foto: FCN
“Sem a leitura não há cidadania e não ter acesso à leitura é uma enorme injustiça”, é o que diz a professora e pesquisadora da PUC-SP, Maria Regina Maluf, referente à importância do livro na vida da pessoa. Neste domingo, 23, é celebrado o Dia Mundial do Livro e o noticias.cancaonova.com aponta valores da leitura nesta era tecnológica.
Com a evolução tecnológica, surgiram diversas plataformas online para facilitar a vida de jovens e adultos, que hoje conseguem carregar dados pessoais, contatos, documentações e até mesmo livros, os chamados eBooks, em apenas um equipamento.
Dados da 4ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope), sob encomenda do Instituto Pró-livro, e divulgada em maio de 2016, apontam que o número de leitores no país cresceu 6% entre 2011 e 2015, ou seja, o país tem cerca de 104,7 milhões de leitores, o que corresponde a 56% da população.
A pesquisa aponta ainda que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros no período de referência de três meses anteriores à pesquisa. O número equivale a 4,96 livros por habitante. A análise destaca ainda que 26% dos brasileiros já leram um livro digital. O número cresceu em comparação aos dados de 2011, quando eram apenas 18%.
De acordo com a pesquisadora da PUC-SP, Maria Regina Maluf, os “livros na tela” têm algumas peculiaridades que são coisas comuns e outras que são diferentes do livro impresso. “O aumento de leitores digitais se explica porque há certas facilidades na leitura do eBook, por exemplo em viagens, em meio de transporte, ao invés de carregarmos vários livros impressos, a gente tem um equipamento pequeno, com tela e que permite a leitura”.
Muitas pessoas leem o eBook em uma circunstância e o impresso em outra – afirma a pesquisadora –, acrescentando que o livro digital e o impresso são diferentes, mas oferecem o mesmo nível de compreensão.
“São dois tipos de equipamentos para lermos. O ‘produto leitura’ é o mesmo, a gente compreende da mesma forma, porém há diferença no modo como manipulamos um livro impresso ou uma tela. Se quisermos ler cinco livros, temos que levar cinco volumes nas mãos e a tela é uma só”.

Prós e contras dos livros impressos e digitais

Existem contraposições que favorecem os livros físicos, como o manuseio das páginas, a sensação de obter algo físico em mãos, facilidade na concentração e menos cansaço no processo da leitura, e outras que priorizam a utilização dos meios tecnológicos como a praticidade em carregar o conteúdo em um único aparelho.
“O eBook é um ganho sim, é uma nova vantagem, é uma forma de leitura que resolve vários problemas, sobretudo o de onde guardar os livros e ter acesso a eles, você coloca centenas de livros em um mesmo equipamento. Em contraposição, o livro em papel ocupa mais espaço é mais difícil de carregar. Acredito que ambos continuarão a existir e continuarão sendo usados de acordo com as circunstâncias”, afirma a pesquisadora.

Costume de ler livros impressos

A bibliotecária Daniela Kanno tem o costume de ler desde pequena / Foto: Arquivo Pessoal
Apesar de obter acesso à internet, a bibliotecária Daniela Kanno relata que desde pequena tem o costume de ler livros impressos, optando sempre por eles, uma vez que já se sente familiarizada com o papel.
“Tive contato com eBooks, lidos em celular, computadores e tablets e minha vista ficava muito cansada em plataformas digitais. Outra coisa é a duração da bateria dos aparelhos e também há uma facilidade na distração para outros aplicativos”, afirma.
A bibliotecária garante que o hábito da leitura colaborou positivamente com sua vida pessoal, social e profissional. Ela observa que, com a leitura, há mais chances de aprender sobre si, sobre o mundo e sobre o próximo.
“Sempre que eu tenho a oportunidade, compartilho minhas leituras e opiniões através das redes sociais, e vejo que isso dá resultado. Muitos que me acompanham nas redes já me disseram que achavam a leitura algo monótono e chato, mas que acabaram experimentando ler alguma indicação, e gostaram. Como profissional que trabalha diretamente com os livros, isso me dá uma alegria imensa”.
Independente do estilo da leitura, Daniela pensa que este hábito é de extrema importância para o desenvolvimento da pessoa, e que os mais velhos devem ser exemplo para aqueles que estão ingressando agora no universo dos livros.
“Muitos dos que dizem não gostar de ler ainda não encontraram algo que realmente chamasse sua atenção. A leitura abre portas para o desconhecido e nos permite sempre buscar o conhecimento, além de entender outras realidades e nos aproximarmos mais do nosso interior”.
A pesquisadora Maria Regina acrescenta que a nova geração já “nasce” em meio à conectividade, sendo mais apta a se acostumar com a leitura digital, e que não importa se o livro é físico ou digital, o importante mesmo é criar o costume de carregar livros por onde quer que vá.
“Sem a leitura não é possível assumir uma posição participativa e responsável em um mundo letrado, que é o mundo de hoje. Tudo depende da escrita, até nossos direitos de cidadania dependem da escrita, nossos direitos estão grafados. Nós precisamos ler. Não poder ler é uma forma de exclusão gravíssima. É preciso ler para ser cidadão”, conclui.

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