Empresas 'desconectadas' recorrem a maratonas hacker para inovar

Além do lúpulo e da cevada usados na cerveja ou da qualidade dos tijolos, empresas de setores tradicionais, distantes de áreas com uso intensivo de tecnologia, têm recorrido a maratonas de desenvolvedores de sistemas conectados para inovar seus negócios no Brasil. No país, as chamadas “hackathons” (“maratonas hacker”) já foram promovidas por empresas de segmentos tão diversos como Ambev (cerveja), John Deere (máquinas agrícolas), Saint-Gobain (materiais de construção) e Natura (cosméticos), que já começam a implantar os projetos criados.
A Globo também aderiu às hackathons. A terceira edição da maratona hacker da empresa vai acontecer na casa do Big Brother Brasil, nos estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A tradição de espiar todos os movimentos e discussões dentro da casa mais famosa do Brasil será mantida. Isso, pelo menos, enquanto durarem as 33 horas em que a hackaton rolar. O G1 transmite ao vivo toda a competição, que ocorre entre 13 e 14 de maio.

Saint-Gobain

Dona de marcas como Brasilit, Telhanorte e Quartzolit, o Grupo Saint-Gobain abriu suas portas no fim do ano passado para novas ideias que atenderiam as necessidades de seus clientes, explicou Fabiano Sant’Ana, chieff digital officer da empresa. “A forma mais rápida e mais clara para gente fazer isso é trazendo estudante ou profissionais externos para nos ajudar a desenvolver possibilidades de solução aos desafios que a gente tinha na empresa.”
O primeiro hackathon da empresa no Brasil foi vencido por uma equipe que usa realidade aumentada para mostrar como torneiras, esquadrias e outros materiais de acabamento podem ficar na casa do consumidor. O aplicativo “LarDigital” usa a tecnologia que mostra objetos digitais em ambientes reais para mostrar se aquela pia escolhida vai casar com o azulejo do banheiro ou se é melhor optar por outra. A novidade chega ainda esse ano em um novo app da Telhanorte.
 

Ambev

A Ambev também vai implantar o projeto vencedor de sua segunda hackathon no país, feita em 2016. A proposta ganhadora era uma solução tecnológica para combater a seca no semiárido brasileiro. A plataforma conectava pessoas interessadas em doar dinheiro para ajudar na distribuição de água potável aos moradores da região.
Integrantes do time vencedor, os universitários Thiago Butingnon Claramunt, do Instituto Mauá, Matheus Piffer, da Faculdade BandTec, e Jean Paul Marinho, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, trabalham com a Ambev para aprimorar a iniciativa antes de lançá-la.
Além de produzir tecnologia, essas maratonas de desenvolvimento de programas geram oportunidades de empresa. Na primeira edição de sua hackathon, a cervejaria recrutou alguns dos participantes entre os jovens com idade de 20 a 30 anos, geralmente recém-formados ou formados em cursos de áreas de tecnologia, design e administração. Hoje, um dos especialistas que trabalha na empresa conseguiu o posto após participar da competição.

Natura

Essas empresas nem sempre promovem as maratonas sozinhas. A Saint-Gobain recorreu ao Cubo, espaço de trabalho compartilhado do Banco Itaú. Já a Natura se aliou à Microsoft. A fabricante brasileira de cosméticos resolveu tocar as 11 iniciativas tecnológicas apresentadas em seu hackathon, realizado no começo de abril deste ano. Algumas ideias foram mescladas e, desse processo, resultaram oito projetos. Três deles já começam a ser testados em maio. Ele vão focar em inteligência artificial e geolocalização.

John Deere

 
Jovem em stand da John Deere na Campus Party de 2017. (Foto: Divulgação/John Deere)Jovem em stand da John Deere na Campus Party de 2017. (Foto: Divulgação/John Deere)

Já a John Deere, gigante em equipamentos para o agronegócio, decidiu fazer seu hackathon na Campus Party, maior evento de cultura nerd e de tecnologia da América Latina, realizada no começo deste ano em São Paulo. Reuniu 121 participantes, vindos de vários estados do Brasil.
Os integrantes do time vencedor, por exemplo, não se conheciam até o início do evento. Juntos, criaram um software que usa dados coletados por tratores, colheitadeiras e outras máquinas agrícolas, do clima e informações sobre a lavoura para dar dicas aos agricultores de como melhorar a plantação. Antes de implantar a solução, a John Deere avalia se ideia é viável ou se é possível que o sistema possa ser integrado a outros softwares já existentes.

Maratona da Saúde

Com uma proposta direcionada à área da saúde, a General Eletrics (GE) no Brasil também obteve resultados com "impactos clínicos, operacionais e financeiros”, segundo Felipe Rizzo, diretor de soluções da empresa na América Latina.
Caso de maior destaque no Hack4health, ou "maratona da saúde", o projeto Oxiot foi criado para controlar o desperdício de oxigênio medicinal em uma parceria entre a empresa, o diretor de negócios Edson Renel e o designer de produtos, Eduardo Wolk.
A ideia surgiu em um projeto anterior à maratona, quando Wolk disse ter identificado erros na maneira como os hospitais medem e lançam nos prontuários a quantidade de oxigênio utilizada por um paciente ao longo de sua internação. Isso, de acordo com ele, gerava custos desnecessários à instituição e ao bolso dos pacientes. Ao levar a questão ao evento, as mesas de discussões viabilizaram o debate e desenvolvimento de soluções.
O empenho do trio deu origem a um dispositivo infravermelho capaz de calcular a quantidade precisa de vazão do gás que continua em desenvolvimento. “Unimos minha visão de negócios com a do Wolk. Ainda no evento, encontramos um parceiro de negócios e hoje estamos consolidando o projeto para atuar no setor de Home Care”, conta Renel.
* Colaborou Luis Ottoni, com supervisão de Marina Gazzoni

DO G1

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