Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) passa por mudanças

Público na edição da Flip de 2015: no contexto da situação de crise política e econômica do País, orçamento do evento foi enxugado, gerando impactos na estrutura e na programação de um dos mais importantes eventos literários do Brasil
Em 2017, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) não vai ter a tradicional Tenda dos Autores, espaço que desde 2004 recebe a programação principal do evento. Os debates - que este ano vão reunir Marlon James, Diamela Eltit, Scholastique Mukasonga, Lázaro Ramos, Luaty Beirão, Conceição Evaristo, entre outros - vão acontecer na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, no coração do Centro histórico da cidade.
Diretor-geral da Associação Casa Azul, organizadora da Flip, Mauro Munhoz reconhece que a crise econômica brasileira influenciou na decisão. Munhoz afirma que as ações de permanência desenvolvidas na região já estão prejudicadas pela falta de verbas.
"A Flip sempre reflete as circunstâncias do Brasil", diz o diretor-geral da Casa Azul. "A situação do País, econômica e em todos os sentidos, teve uma forte influência nessa decisão. É preciso pensar na distribuição dos recursos que a Flip gera, entre as ações do evento e as ações de permanência. É quase obrigatório que a gente pense numa solução para equilibrar isso", pontua.
Adaptação
Munhoz explica que a igreja será toda adaptada para receber o evento. O altar, o sacrário e os bancos serão retirados e a construção histórica receberá toda cenografia planejada para a Tenda dos Autores, incluindo telões onde são transmitidos vídeos antes das apresentações.
O número de lugares, entretanto, será menor do que nos anos anteriores. A capacidade ficava entre 800 e 900 lugares. "A igreja já abre as portas para programações culturais da cidade, como o Paraty em Foco e o Mimo", ressalta.
"Estamos contentes com essa solução. A gente precisa ser extremamente austero este ano. Nossa conquista é manter o mesmo número de mesas desde o início. A programação principal e a experiência literária está mantida, com a mesma qualidade", garante.
A Tenda do Telão será montada à direita da Igreja Matriz. A área, de acesso livre, será totalmente coberta e contará com 700 lugares equipados com equipamentos de som e tradução simultânea.
O público ocupará um espaço utilizado normalmente como estacionamento. À esquerda da igreja, onde há uma quadra de esportes, será montada a livraria da festa e o espaço para sessões de autógrafo.
Espaços
A tenda da Flipinha, espaço da festa dedicado ao público infantil, também está mantida na praça, assim como os chamados "pés de livros", com obras penduradas nas árvores. Assim, as principais atrações estarão concentradas na Praça da Matriz.
A Casa de Cultura de Paraty também vai receber atrações durante a Flip. Munhoz destaca que a praça ainda é o grande espaço de convivência da cidade durante as suas festas tradicionais.
"A Praça da Matriz tem uma centralidade para Paraty. Nos dias de festa na cidade, é o grande lugar de encontro, com milhares de pessoas, mesmo neste momento em que os moradores deixaram de morar no Centro histórico".

Diário do Nordeste

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