Governo do RJ dá trabalho a presidiários; veja histórias

Uma chance para recomeçar. Essa oportunidade é aguardada por grande parte das mais de 51 mil pessoas que estão nos presídios do estado do Rio de Janeiro. O G1 foi visitar o projeto “Refazendo Histórias”, que pretende reinserir detentos na sociedade através da prestação de serviço como jardinagem, limpeza, pintura e outras atividades.
Em 2017, 400 internos foram selecionados e irão trabalhar em órgãos da secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social (SECTDS) para reativar projetos que estavam paralisados como o Hotel Popular, Restaurante Popular e outros. A pasta calcula que a iniciativa, além de ter cunho social, irá economizar R$ 700 mil por mês aos cofres do Governo do Rio de Janeiro, que enfrenta uma grave crise financeira.
 
 
 
G1 no Bom Dia Rio: projeto capacita e dá trabalho a presidiários
G1 no Bom Dia Rio: projeto capacita e dá trabalho a presidiários
 
Internos trabalham no Campo de Santana, Centro do Rio (Foto: Jorge Soares/ G1)Internos trabalham no Campo de Santana, Centro do Rio (Foto: Jorge Soares/ G1)
 
Ronaldo, Rodrigo e Gilberto são presidiários e fazem parte da primeira turma, com 42 alunos, que está sendo capacitada em maio. Em conversa com o G1, eles afirmaram que o objetivo dos três é de recontar suas histórias através do trabalho.
O pastor Ronaldo da Cruz Magalhães, de 51 anos, ficou preso por quatro anos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, após ser preso por tráfico de drogas. Ele disse que deixar as cadeias, onde há domínios de facções criminosas, e poder ter a “sensação de liberdade” é uma oportunidade única.
“Se eu gosto de estar aqui? Eu amo estar aqui porque é muito melhor que qualquer outro presídio, qualquer cadeia. Na verdade, a gente não se sente preso. A gente fica no ‘albergue’ porque a Cândido Mendes é um local como um albergue, uma cadeia diferenciada. Não existem facções, não existem grupos que dominam, é todo mundo interessado simplesmente no trabalho”, disse o pastor.
As famílias dos internos também comemoram a oportunidade deles participarem do projeto “Refazendo Histórias”. Mônica Azevedo Magalhães, de 45 anos, é mulher do pastor Ronaldo e pediu para que ele agarrasse essa nova etapa “com unhas e dentes”.
“Esse projeto de emprego foi a melhor coisa que eles fizeram. É um refúgio que eles têm, é um escape. Só de não estar ali dentro já é uma grande coisa, é uma oportunidade muito grande. Eu falei para ele ‘segura com unhas e dentes, faz tudo direitinho, cumpre tudo direitinho, os horários, faz tudo porque eu tenho certeza que vai dar certo. É uma oportunidade de recomeço boa, então agarre essa oportunidade’. Falo sempre isso para ele”, afirmou Mônica.
O Governo do Rio aposta no trabalho como forma de reinserir os apenados na sociedade e reduzir os custos do estado. De acordo com o secretário estadual de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Social, Pedro Fernandes, ambas as parte saem ganhando.
 
Pastor Ronaldo trabalha em edifício do Hotel Popular (Foto: Jorge Soares/ G1)Pastor Ronaldo trabalha em edifício do Hotel Popular (Foto: Jorge Soares/ G1)

“É um projeto que é bom para todo mundo. É bom para o estado que a gente faz uma economia muito significativa, em torno de R$ 700 mil por mês. Bom também porque a gente vai ter a oportunidade de ter um serviço de manutenção predial, de limpeza das nossas unidades e abrigos. Também é bom para esses presos que vão ter a oportunidade de se ressocializar. Dentro da cadeia é mente aberta, é ter contato com coisa errada e ruim o tempo inteiro. Aqui não, eles vão ter a oportunidade de aprender uma profissão, ser útil para o estado, fazer bem às pessoas e, principalmente, se reinserir no mercado de trabalho assim que possível”, disse Fernandes.

Planos para o futuro

Os internos que foram escolhidos para participar da iniciativa, já começaram a imaginar o futuro após cumprirem suas penas. Gilberto Gonçalves dos Santos, de 29 anos, quer mostrar suas habilidades para conseguir um emprego fixo e voltar a “andar tranquilo”.
“Isso é uma oportunidade muito grande. Pelo tanto de presos, são poucos que são escolhidos para poder trabalhar igual nós estamos trabalhando. Muitos queriam estar aqui no nosso lugar. É necessário que a gente aproveite a oportunidade e mostre o desempenho e os serviços que temos para prestar. Eu creio que eu posso mostrar que quero uma mudança de vida e andar tranquilo”, contou ao G1.
 
Interno faz limpeza de área onde funcionava atividades da Faetec (Foto: Jorge Soares/ G1)Interno faz limpeza de área onde funcionava atividades da Faetec (Foto: Jorge Soares/ G1)

Já Rodrigo dos Santos Ribeiro, de 35 anos, está empenhado em reencontrar sua família e dar novas oportunidades para seus filhos. Após ser preso por tráfico de drogas, ele diz que está se esforçando para que os filhos não sigam “as coisas erradas” como ele fez no passado.
“Primeiramente, eu penso nos meus filhos. Eu vou continuar dando prosseguimento para dar alguma coisa melhor para eles. Quero ver o que eles precisam, uma bolsa de estudo, ou qualquer coisa do tipo. Vou fazer isso para eles não seguirem as coisas erradas como eu cai. Quero seguir reto e fazer as coisas certas”.
 
Quarto de Hotel Popular antes do  trabalho dos apenados (Foto: Divulgação/ Seecretaria Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Social)Quarto de Hotel Popular antes do trabalho dos apenados (Foto: Divulgação/ Seecretaria Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Social)
 
Quarto do Hotel Popular após trabalho dos internos (Foto: Jorge Soares/ G1)Quarto do Hotel Popular após trabalho dos internos (Foto: Jorge Soares/ G1)

Do G1

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