Instituto Itaú Cultural celebra 30 anos

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A filósofa Sueli Carneiro, criadora do Geledés - Instituto da Mulher Negra, foi uma das contempladas com o Prêmio Itaú Cultural 30 Anos ( Foto: Joaquim Neto )
Desde 1987, o Instituto Itaú Cultural configura-se como um centro de referência com a missão de inspirar e ser inspirado pela sensibilidade e criatividade das pessoas, a fim de gerar experiências transformadoras nos panoramas da arte e da cultura brasileira. Como parte das celebrações de três décadas promovendo e divulgando as produções brasileiras, no País e no exterior, foi criado o Prêmio Itaú Cultural 30 anos. O resultado foi divulgado na segunda-feira (12).
A proposta do prêmio vai além das comemorações e homenagens. Durante seus anos de atuação, o instituto passou por mudanças significativas, tais como a criação de comitês para debater estruturalmente questões de cunho racial e de acessibilidade física, somando-se, mais recentemente, debates sobre questões de gênero e expressões indígenas. Assim, o prêmio tem também como propósito aprofundar e trazer à tona e tais debates.
"Ao premiar esses nomes, a gente também está reiniciando esse processo de aprofundar conversas sobre a importância desses legados", explica Ana de Fátima Sousa, gerente de comunicação do Itaú Cultural.
"Esse prêmio tem muito essa vontade. Não que a gente consiga melhorar tudo, mas num ano que a gente tem tido tanta dificuldade, passando por todo um processo de descrença, é muito importante que a gente apoie esses artistas", ressaltando ainda o poder transformador da arte e da cultura sobre cada indivíduo.
Diversidade
A premiação se deu com base em cinco categorias que sintetizam os objetivos do instituto - Aprender, Criar, Experimentar, Inspirar e Mobilizar. Cada uma contemplou dois homenageados para receber o prêmio de R$ 100 mil reais e um troféu, escolhidos a partir de uma Comissão de Seleção composta por professores, curadores, críticos de arte, jornalistas, escritores, artistas e quatro gestores do Itaú Cultural.
Ana relata que a diversidade de personalidades compondo o júri permitiu uma ampla amostra de indicados como ponto de partida. "A ideia foi basicamente cada um trazer algumas indicações. Então a gente pegou uma grande quantidade de nomes e nos debruçamos sobre cerca de 50 indicados, até chegarmos nos 10 que seriam premiados". Assim, foram escolhidos profissionais cujas atuações ao longo desses 30 anos se destacaram em termos de relevância e contribuição para suas áreas específicas.
Premiados
Para a categoria Aprender, o foco se deu nas ações práticas, reflexivas ou investigativas na área de educação, que abrangem uma mediação com o mundo da arte e da cultura. Assim, chegou-se aos premiados Ana Mae Barbosa e Mestre Meia Noite.
A primeira é professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) e, influenciada por Paulo Freire, desenvolveu o que chamou de "abordagem triangular" para o ensino das artes.
Já o pernambucano Mestre Meia noite, foi escolhido devido ao seu trabalho como fundador do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, criado para aproximar a comunidade Chão de Estrelas, na zona norte do Recife, de suas raízes africanas.
Em Criar, foram considerados artistas-criadores com trajetória de extrema relevância desde a fundação do instituto até os dias atuais. Os escolhidos foram, portanto, a coreógrafa paulista Lia Rodrigues, que atua na comunidade Nova Holanda, e o sergipano Cícero Alves dos Santos, mais conhecido como Véio, um dos mais importantes artistas da arte popular brasileira.
Buscando homenagear criadores que através de pesquisas e reflexões impulsionaram transformações de linguagens artísticas e culturais, surgiu a categoria Experimentar, contemplando o compositor e multi-instrumentista Hermeto Pacoal e o Teatro da Vertigem - que leva, desde 1991, apresentações cênicas contemporâneas a diversas cidades do Brasil, explorando espaços não convencionais e levando o público a ser coator dos trabalhos. Já a categoria Inspirar, homenageou duas pensadoras que transformaram os campos de atuação e de pesquisa, inspirando seguidores até hoje: Eliana Sousa e Silva, diretora e fundadora da Redes de Desenvolvimento da Maré, e Niéde Guidon, administradora do Parque Nacional da Serra da Capivara.
Também foram contemplados, na categoria Mobilização, líderes que realizaram ações transformadoras de cenário, provocando revisões e reflexões, sendo eles Davi Kopenawa, xamã e líder político dos ianomâmis, e Sueli Carneiro, criadora do Geledés - Instituto da Mulher Negra.
Diário do Nordeste

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