Sgt. Peppers, dos Beatles, completa 50 anos como obra-prima das artes

Marcos Sampaio
Houve um tempo, lá pelo fim dos anos 1960, que os Beatles deixaram de existir. Depois de transformar a juventude com seus cabelos compridos, guitarras e som frenético, eles saíram do mapa e foram substituídos por um quarteto de bigodudos, trajando roupas coloridas que atendia pelo gigantesco nome de Banda Clube de Corações Solitários do Sargento Pimenta. Ao lado deles, um exército de notáveis formado por nomes como o da atriz mirim Shirley Temple e do bruxo Aleister Crowley.
“A primeira coisa de que lembro é voar de volta para a América com o nosso empresário de turnês Mal Evans. Durante nossa refeição, estávamos falando sobre sal e pimenta, o que foi entendido ‘sargento Pimenta’”, lembra Paul McCartney, na reedição do disco Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, lançado em 1967 e recebido como um susto de proporções incalculáveis. “Eu então tive a ideia para a música Sgt. Peppers... e pensei que seria interessante para nós fingir, durante a execução do disco, que éramos membros desta banda em vez dos Beatles”, continua.
Voltando um pouco no tempo, o quarteto já vinha se afastando do iê iê iê desde que lançaram Rubber Soul dois anos antes. Revolver (1966) continuou e amplificou as possibilidades sonoras, absorveu novas influencias e tornou a música dos Beatles mais eclética. Já decididos a não realizar mais shows, eles teriam o estúdio como plataforma de criação e experimentação. Num ano engarrafado de clássicos do rock – The Doors, Are You Experienced (Jimi Hendrix), Big Brother & the Holding Company, The Velvet Underground and Nico, The Piper At The Gates Of Dawn (Pink Floyd) –, o oitavo álbum dos Beatles foi apontado pelo crítico Kenneth Tynan (The Times) como “um momento decisivo na história da civilização ocidental”.
Sgt. Peppers... rendeu inúmeras reedições, releituras e análises. Entre as muitas publicações, uma se destaca por trazer a visão de quem esteve ao lado de John, Paul, Ringo e George no estúdio dois de Abbey Road. O livro Paz, Amor e Sgt. Pepper foi lançado por George Martin em 1994 e traduzido para o português um ano depois. “Você se sente como uma mosca dentro do estúdio”, adianta Marcelo Fróes, responsável pela edição nacional.
Aproveitando o gancho dos 50 anos, Paz, Amor e Sgt. Pepper está sendo relançado num box exclusivo para o público brasileiro. Embalado num formato de bumbo (como o da capa do álbum), o livro vem junto do disco remasterizado por Giles Martin (filho de George), além de pôster e blusa. “O George tinha dirigido e apresentado um documentário sobre o Sgt Peppers, que não pode ser lançado em VHS. Foi exibido só na TV. Ele, então, acabou fazendo o livro com depoimentos e muitas coisas que não foram ditas no filme”, detalha Marcelo, também autor do livro Os Anos da Beatlemania (co-assinado por Ricardo Pugialli).
Entre as passagens mais marcantes do livro para Marcelo, está a de George contando sobre como percebeu que a banda estava usando drogas. “O John estava muito alterado. Num momento, ele foi para o teto da Abbey Road e estavam com medo dele pular. Ele poderia ter morrido se tivesse totalmente drogado. Foi quando George percebeu que ele estava muito doidão”.
GRAVAÇÃO
O som de despertador de A Day in The Life foi incluído para indicar um trecho da música que faltava ser composto. Como encaixou na letra, acabou ficando.
Do quarteto, apenas Lennon e Paul participaram da gravação de She’s Leaving Home. Ao lado deles, uma orquestra de 10 músicos.
Without you contou com a colaboração de um time de músicos indianos, além de George na cítara e uma pequena orquestra.
Fixing a Hole é a única faixa que não foi gravada no Abbey Road. Pra não perder a ideia, Paul começou a gravá-la no Regent Sound, já que o Abbey estava ocupado naquele dia.
SERVIÇO
Sgt. Peppers 50 anos -Edição de luxo
O quê: box em formato de luxo, com livro, CD, blusa e pôster 
Quanto: R$ 189,90
O Povo

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