Um em cada cinco jovens está desempregado na América Latina

Em 2016, a taxa de desocupação juvenil saltou de 15,1% para 18,3%, como consequência da contração econômica vivida na região.
"Os jovens são os primeiros a ser despedidos com a desaceleração (econômica) e os últimos a ser contratados quando chega a recuperação". (AFP)

O desemprego juvenil saltou três pontos em 2016 e agora atinge 18% da força de trabalho na América Latina, em uma situação dramática, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Na região, um em cada cinco jovens está desempregado e mais de 20 milhões nem estudam nem trabalham.
"É uma situação dramática", alertou José Manuel Salazar, diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para América Latina e Caribe, durante sua exposição no II encontro de Jovens da Aliança do Pacífico.
Em 2016, a taxa de desocupação juvenil saltou de 15,1% para 18,3%, como consequência da contração econômica vivida na região.
A cifra é o dobro da taxa geral de desocupação, que no ano passado chegou a 8,9%, com um aumento de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior, o maior aumento anual em mais de duas décadas.
"Os jovens são os primeiros a ser despedidos com a desaceleração (econômica) e os últimos a ser contratados quando chega a recuperação", lamentou Salazar.
Jovens desaproveitados
Na América Latina e no Caribe, há 114 milhões de jovens entre 15 e 24 anos.
Cerca de 54 milhões fazem parte da força de trabalho, têm um trabalho ou estão buscando um ativamente. No entanto, quase 10 milhões não encontram emprego, e mais de 20 milhões nem estudam nem trabalham, segundo dados da OIT.
Cerca de 50 milhões estão trabalhando ou estudam e trabalham, mas uma proporção muito alta deles estão em atividades informais, sem contratos nem acesso a sistemas de previdenciários ou seguros de saúde.
"A América Latina não está aproveitando as gerações jovens em todo seu potencial", disse Salazar.
A OIT estima que a informalidade afeta cerca de 56% dos jovens que têm emprego. Ou seja, um em cada dois empregos oferecidos aos jovens na região são no setor informal.
"Essa é uma das estatísticas mais dramáticas e mais difíceis, porque sabemos que a informalidade significa falta de segurança social", disse o chefe regional da OIT.
Apenas 37% dos jovens que trabalham na região contribuem com o seguro de saúde e com 29% sistemas de aposentadorias, comparado com 47% e 40% dos adultos que o fazem, respectivamente.
Para a OIT, uma das principais causas da inserção dos jovens no mercado de trabalho é a educação.
Na América Latina a cobertura média escolar é de 63%, contra 83% dos países da OCDE. Na educação secundária, o número chega a 74% frente aos 91% da OCDE, enquanto que na educação terciária essa diferença se amplia para 42% na região a 71% dos países mais desenvolvidos.
No II encontro de jovens da Aliança do Pacífico, integrada por Chile, Colômbia, México e Peru, 37 empresas assinaram um acordo nesta quarta-feira em Santiago para oferecer 17.000 oportunidades de trabalho para os jovens desses países.
O inédito empreendimento inclui empresas como Google, Facebook, Latam Airlines, General Electric e Nestlé.

AFP

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