Por que sofisticar?

Gonzaga Mota*
Alguns analistas da Ciência Econômica complicam a interpretação dos fatos. Como se não bastasse a interdependência entre a Política e a Economia, o uso do "economês" - como do "juridiquês" - deixa a pessoa não especialista confusa e insegura. Por exemplo: - por que usar "coeteris paribus" ao invés de "tudo mais constante"? ou "policy makers" no lugar de "formuladores de políticas"? Será para demonstrar saber? Recentemente, ouvindo um debate sobre Balanço de Pagamentos(BP) fiquei perplexo.
O que foi exposto não era para os ouvintes compreender. Diante destas observações, tenta-se mostrar a seguir, de forma um pouco mais clara e resumida, o que é um "BP". É o registro das transações entre os residentes e não residentes de um país, durante um determinado período de tempo. Compõe-se de dois grupos de contas: a) contas operacionais, que dizem respeito aos fatos geradores do recebimento ou do pagamento de recursos externos; e b) contas de caixa, que registram o movimento dos meios de pagamento.
A estrutura do "BP" é a seguinte: a) transações correntes, compreendendo a balança comercial (exportações e importações), a balança de serviços (juros, seguros, fretes etc.) e os donativos; e b) movimento de capitais, abrangendo capitais autônomos (investimentos, amortizações, empréstimos etc.) e capitais compensatórios. O surgimento de capitais compensatórios indica uma situação de desequilíbrio. Se já não é fácil entender, não precisa sofisticar e sim simplificar, para mostrar conhecimento do assunto. Como disse a doutora Zilda Arns: "nunca se deve complicar o que pode ser feito de maneira simples".
*Professor aposentado da UFC

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