Airton Queiroz é homenageado na Academia Cearense de Letras

O Chanceler Airton Queiroz e Ivens Dias Branco foram homenageados in memoriam. Ivens Dias Branco foi representado pela esposa, Consuelo Dias Branco; e Airton Queiroz, representado pelo filho, Chanceler Edson Queiroz Neto (Fotos: Thiago Gadelha)
A Academia Cearense de Letras (ACL) comemorou, na noite de ontem, os 123 anos de fundação, em solenidade que também homenageou in memoriam o Chanceler Airton Queiroz e o empresário Ivens Dias Branco, na sede da entidade, no Centro de Fortaleza, pelos serviços prestados à instituição. Na ocasião, também foi anunciada a abertura das inscrições para o Prêmio Osmundo Pontes de Literatura 2017 que, nesta edição, terá três categorias participantes: ensaio, poesia e conto. 
 
Representando Airton Queiroz, o Chanceler da Unifor, Edson Queiroz Neto, agradeceu a honraria e destacou o envolvimento do seu pai pelas artes e letras. “Onde ele estiver, tenho certeza de que estará feliz em receber essa condecoração. Ele defendia, que apenas a leitura e educação poderiam transformar o indivíduo, e como consequência a sociedade”, afirmou Edson Queiroz Neto. 
Para o presidente da ACL, Ubiratan Aguiar, o evento, além de comemorar mais um aniversário, é a oportunidade de dizer obrigado a figuras de suma importância no apoio da literatura no Ceará. “É uma noite marcante, que nós celebramos nossa história. Somos a academia de letras mais antiga do Brasil. Nascemos antes mesmo da Academia Brasileira, o que nos dá muito orgulho. Essa história foi construída por nossos associados, acadêmicos e membros sócios beneméritos como o Chanceler Airton Queiroz, um amante das artes que também elevou a educação no Estado através da Unifor, e o empreendedor Ivens Dias Branco”, ressaltou Ubirantan Aguiar, que assumiu a presidência da Academia Cearense de Letras neste ano. 
O presidente da entidade destacou, ainda, a falta de apoio dos poderes públicos à cultura. “Não vivemos de recursos públicos e, sim, de contribuições dos nossos associados, o que não é suficiente para nossas despesas. Queremos dar um grito, em um novo evento ainda neste ano, para questionar por que a cultura sempre fica por último nos orçamentos dos Governos Federal, Estadual e Municipal. A gente sabe que o povo precisa de formação. E essa formação vem através do ensino e da cultura, nos quais a leitura é essencial”, salientou. 
Logo depois da abertura do evento, feita pelo presidente da ACL, os convidados apreciaram a apresentação da Camerata da Unifor, que precedeu discurso da acadêmica Beatriz Alcântara, que foi a oradora da solenidade e emocionou os presentes recontando a história da Instituição e dos homenageados da noite. “Airton Queiroz foi um benfeitor para a nossa cultura. Um homem que sempre estimulou as letras e deixou um grande legado nas artes, com uma vasta coleção de obras”, frisa. 
A reitora da Unifor, Fátima Veras, reiterou também a importância de homenagear figuras que foram essenciais para o fortalecimento de instituições como a ACL. “São duas personalidades que merecem toda a homenagem possível do Ceará. São figuras de destaque, que fizeram sucesso na educação, cultura e no empreendedorismo. É um reconhecimento mais do que justo”. 
O ex-presidente da academia José Augusto Bezerra, que comandou a instituição entre 2013 e 2016,apontou o Chanceler Airton Queiroz, como um personagem muito presente na história da Academia, durante sua gestão. “Ele sempre foi um apoiador e tinha grande carinho por nós. Queria sempre saber como estávamos. Um homem que adorava a literatura e as artes. Esse diploma é um reconhecimento, documentado para posteridade, como forma de gratidão a esse mecenas, homem das artes, que deu muito apoio para a ACL”, aponta José Augusto Bezerra, que no evento, teve sua fotografia incluída no hall de ex-presidente da ACL, que atualmente conta com 40 acadêmicos. 
Histórico 
A história da ACL é dividida em três partes. A primeira tem início em 15 de agosto de 1894 quando foi fundada, e vai até 17 de julho de 1922. Esse primeiro momento foi marcante para as letras cearenses, quando a inquietação de intelectuais já havia motivado a criação do movimento literário Padaria Espiritual, dois anos antes de sua fundação. 
O Ceará ocupava então importante papel dentro do movimento nacional, tendo se antecipado inclusive à criação da Academia Brasileira de Letras, fundada três anos depois da ACL, e à Semana de Arte Moderna de 1922. A Instituição foi fundada como Academia Cearense e a primeira revista foi publicada em 1896, com periodicidade anual até 1914. Seu primeiro presidente foi Tomás Pompeu de Sousa Brasil Filho e iniciou as atividades com 27 membros. A segunda fase tem início em 1922, quando diante da situação em que se encontrava com somente oito membros ainda residentes em Fortaleza, reorganizou sob a nova denominação de “Academia Cearense de Letras”.
Neste novo formato, foram ampliadas as vagas, passando então para as atuais 40 cadeiras. Foi deste mesmo período a denominação dos patronos. Já em 21 de maio de 1930 foi instalada a reunião de reorganização da Instituição, desta vez em definitivo até os dias atuais, com sede no Palácio da Luz, que já foi o Governo Imperial e do Governo Estadual. 

Diário do Nordeste

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