Aplicativo auxilia pessoas com doença renal crônica

Alunos e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unifor, em parceria com o Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação (FOTO: ARES SOARES)
Um em cada dez brasileiros sofre de doenças renais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Neste cenário, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unifor, em parceria com o Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação (Nati), decidiu criar o aplicativo "Renal Health". O objetivo é auxiliar pessoas com doença renal crônica e educá-las sobre o tratamento, além de apresentar fatores de risco e medidas que podem ser adotadas para prevenção pela população geral.
O projeto passou por uma seleção e foi aprovado para financiamento, no valor de 15 mil dólares, pela "International Society of Nephrology", em seu "Clinical Research Program", concorrendo com projetos do mundo todo.
Além de verba para a compra de material necessário para a elaboração e teste do aplicativo, haverá financiamento para bolsas de iniciação científica e doutorado na Unifor. Este projeto também conta com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Nefrologia, que poderá propiciar o seu teste em outros centros de pesquisa do País.
O professor Geraldo Bezerra da Silva Júnior, da Pós-Graduação em Saúde Coletiva, explica que a ideia surgiu do trabalho que ele e sua aluna Juliana Gomes Ramalho de Oliveira já desempenhavam na área da nefrologia. "O tratamento da doença renal é bem complexo. Envolve desde a pessoa entender o que é a doença nos rins até quais os cuidados com alimentação, a quantidade de líquidos que pode ingerir, medicações que pode ou não tomar, afora o lado psicológico do paciente, principalmente quem entra em hemodiálise. Além disso, o tratamento tem que ser multidisciplinar".
O aplicativo ficará disponível até o fim de 2017 e será testado com pacientes que fazem diálise em clínicas conveniadas ao projeto e que realizaram transplante renal no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). "A pesquisa que nos propomos a fazer é observar se o aplicativo tem algum impacto na evolução do tratamento. O objetivo principal é reduzir as complicações e mortalidade dos pacientes, uma vez que estes tenham uma maior adesão do tratamento", destaca o professor.
A aluna Juliana de Oliveira, do Mestrado de Saúde Coletiva, trabalhou com pacientes de hemodiálise por longo período e percebeu a necessidade de educação continuada sobre doenças renais. "O aplicativo não é apenas para paciente renal crônico. Ele também é útil para a população em geral. A principal forma de conter o avanço desse problema no mundo é a informação. Não podemos prevenir aquilo que não conhecemos", salienta.
Eurico Vasconcelos, coordenador do Laboratório de Inovação e Novos Negócios do Nati, aponta os benefícios do programa de integração acadêmica. "Essa cooperação entre a área da saúde e da computação, antes extremamente distantes, gera benefícios gratuitos para a sociedade. E este é o papel da universidade", aponta.
Experiência rica
O trabalho de conclusão de curso do aluno Matheus Holanda, de Ciência da Computação, foi o aplicativo. "Eu queria que meu projeto de TCC fosse voltado para a área de Health, que é a de dispositivos móveis voltados para saúde, pois sempre quis aplicar tecnologia em algo que pudesse ajudar as pessoas". Portanto o professor Eurico me deu a oportunidade de trabalhar nesse projeto com ele. E foi uma experiência muito rica".
No aplicativo, o paciente pode registrar uma dúvida e a equipe que o acompanha poderá fornecer feedback. O app também tem conexão com o resultado dos exames que o paciente com doença renal geralmente precisa fazer todo mês. Contudo, além do aplicativo, existe a ideia de criar ferramentas.
O protótipo de uma caixa de medicamentos conectada ao app por bluetooth já foi construído e também será testado. Desta forma é possível saber se o paciente abriu a caixa na hora correta de tomar o remédio, subentendendo-se que ao abrir a caixa o paciente tomou a medicação.

Diário do Nordeste

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