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Cartas de Antonin Artaud são um autorretrato

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Antonin Artaud: cartas reunidas em "A Perda de Si" falam de assuntos diversos como solidão, teatro e doença
O autorretrato do escritor não é a autobiografia, mas suas cartas. É nelas que quem escreve muito se mostra sem querer se mostrar, muito é observado sem querer ser visto. Ler as cartas de Antonin Artaud (1896-1948) reunidas em "A Perda de Si", lançado pela coleção Marginália, da Rocco, é como dar forma a um quebra-cabeça inserindo peças dadas como perdidas. Ou juntar pedaços de um autorretrato rasgado.
Pouco publicado no Brasil, porém bastante estudado - em especial no meio psicanalítico -, Artaud teve uma vasta produção textual concentrada principalmente em seus últimos anos de vida, quando esteve internado em vários hospitais psiquiátricos. A dor de existir aliada ao paradoxo de sua doença perpassa sua obra como a de qualquer artista que já viveu em manicômios - a questão é que suas cartas vão além do clichê.
O recorte feito pela organizadora Ana Kiffer, que também assina a elegante tradução com Mariana Patrício Fernandes, começa com a carta que Jacques Rivière, então editor da revista Nouvelle Revue Française, envia a Artaud em 1923 recusando publicar seus poemas, mas o convidando para uma conversa. "Sofro de assustadora doença do espírito", diz um jovem Artaud, então com 26 anos, como se buscasse em Rivière uma espécie de conselheiro.
Reinventar-se
Nas cartas que se seguem, vemos o Artaud do teatro falar dos propósitos de sua obra com Jean Paulhan, sucessor de Rivière na edição da "NRF"; o Artaud confessional falar da solidão a Anaïs Nin.
O Artaud que discute as bases da cultura francesa em cartas a André Breton, talvez uma das mais bonitas vozes do volume. Ou que questiona com os médicos os dispositivos psiquiátricos. Um autor que se perde em suas correspondências para se reinventar como artista.

Diário do Nordeste

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