Expoentes da literatura popular participam de feira na Caixa Cultural Fortaleza

por Roberta Souza - Repórter
A literatura de cordel e outras manifestações artísticas tipicamente nordestinas ganham, a partir de hoje (17), quatro dias para intensa expressão na Caixa Cultural Fortaleza. O cenário contempla logo mais, a partir das 14h, a II Feira do Cordel Brasileiro, com uma programação de shows, oficinas, palestras, lançamentos literários, exibição de documentário, além de exposição e venda de folhetos e outros artigos que dão conta dessa linguagem.
Entre as atrações convidadas estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro musical de Belchior; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; o Mestre Valdeck de Garanhuns, bonequeiro, cordelista, repentista e xilogravador; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá.
O show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro são outros destaques da programação, cuja curadoria foi realizada por Klévisson Viana. Também curador na Praça do Cordel presente na Bienal do Livro do Ceará, ele reconhece a importância desta para a realização da feira.
"Foi o 'know-how' ao longo de uma década trabalhando com a Bienal que nos deu condições de realizar a Feira do Cordel, inicialmente pensada pequena, mas que já começou grande", observa Klévisson. A primeira edição na Caixa Cultural aconteceu em abril passado, mas antes tinha sido organizada uma também no Dragão do Mar. A contagem de edições pela organização, no entanto, começa a levar em consideração o evento de 2016, e pretende-se dar continuidade pelos próximos anos. "A parceria tem dado super certo", salienta o curador da Feira.
Realizada a partir de uma iniciativa da Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (Aestrofe), com patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal, e apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora, a Feira do Cordel é também uma ação de resistência em tempos de crise. "Seria impossível fazer esse evento somente com dinheiro. Contamos com know-how, amizades e credibilidade para ela acontecer, mas o orçamento deveria ser três vezes maior do que os 120 mil que usamos", explica Klévisson Viana.
Homenageados
Como de costume, alguns nomes serão homenageados pela Feira. Nessa edição, os escolhidos foram o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte).
Da Bahia, o Mestre Bule-Bule demonstra satisfação em vir pela segunda vez ao Ceará este ano, afinal ele também estava na programação da Bienal. A homenagem, um diferencial, foi recebida com entusiasmo e humildade. "É uma satisfação ser de um lugar tão distante - da Bahia ao Ceará são várias divisões de estado, núcleos de grandes poetas e cantadores e escritores - , e meu nome ser bem visto no meio de tantos valores de nobreza poética que tem aí. É uma honra, não tenho palavras no meu fraco vocabulário para descrever tamanha vantagem. Só agradecer a Deus, aos homens e mulheres de boas vontade que me deixam na frente de determinada função", valoriza o mestre.
Com apresentações no sábado (19h10 - Palco Cego Aderaldo) e no domingo, às 18h30, com o show de encerramento, Bule-Bule promete deixar o público satisfeito. "Vou tocando meu pandeiro e tentando sapatear. As pernas já não como antes, mas ainda faço um arremedo", brinca.
Ainda que chame pelas atrações, a feira se consolida também como espaço importante de difusão da literatura de cordel, com mais de 30 expositores vendendo seus trabalhos. "Esse é um gênero poético que tem leitores e transita muito bem em todas as camadas sociais. É uma literatura acessível e popular até no preço", observa Klévisson, avaliando de forma positiva a variedade que o público terá a sua disposição.
O curador destaca ainda três palestras que provocarão uma reflexão sobre o tema - "Receitando Cordel", "A literatura de cordel no panorama brasileiro" e "Cego Aderaldo, o Trovador do Nordeste", de sexta a domingo, às 14h; e as oficinas de produção de xilogravura (com Sérgio Magalhães e João Pedro do Juazeiro) e produção de cordel (com Rouxinol do Rinaré), cujas inscrições aconteceram online até ontem (16), mas que ainda podem ter vagas disponíveis nas respectivas datas de realização, na sexta (18) e no sábado (19), sempre às 14h.
Vale ressaltar que a programação da Feira do Cordel é toda gratuita e no espaço interno da Caixa Cultural.
Atividades do dia
17 de agosto (Quinta-feira)
Teatro

14h - Abertura Oficial da II Feira do Cordel Brasileiro - Recital dos Mestres
14h40min - "Bagunça dos Brinquedos" - Apresentação teatral com texto adaptado do cordel de Mariane Bigio e participação especial das crianças da cidade de Pio IX/PI

Palco Cego Aderaldo

15h - Forró de raiz: Cecília do Acordeom (Redenção/CE)
15h30min - Rafael Brito e a Rabecaria (Fortaleza/CE)
16h - Raul Poeta (Juazeiro do Norte/CE)
16h30min - Olegário Alfredo e Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
17h - Tempo de Brincar (Sorocaba/SP)
18h - Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
19h - Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)

Mais informações:
II Feira do Cordel Brasileiro, na Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). De 17 a 20 de agosto de 2017. Horários: Quinta a sábado: 14 às 20h | Domingo: 14 às 19h. Gratuito.
 
Diário do Nordeste

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