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Grafiteiros cubanos levam crítica social aos muros de Havana

Crescimento do número de pinturas de rua reflete aumento do espaço de expressão crítica.
Grafite do artista cubano Yulier Rodriguez preenche paredes nas ruas de Havana.
Grafite do artista cubano Yulier Rodriguez preenche paredes nas ruas de Havana. (Alexandre Meneguini/ Reuters)

Por Sarah Marsh
Os grafites de criaturas semelhantes a alienígenas e homens usando balaclava surgidos nos muros de Havana marcam um contraste com os slogans políticos otimistas e as pinturas dos rostos de revolucionários cubanos.
Para um punhado de jovens artistas de Cuba, estas criações ilícitas são um meio de tocar, de maneira cifrada, em temas sociais que vão do medo de se expressar livremente em público ao materialismo crescente na ilha de governo comunista.
Até recentemente os grafites eram incomuns nos espaços públicos estritamente controlados de Cuba. Sua emergência reflete o aumento do espaço para expressões críticas no governo do presidente Raúl Castro e a influência cada vez maior da cultura internacional à medida que o país se abre lentamente.
Como os jovens blogueiros do país, que estão ampliando as fronteiras do que é permitido na mídia lançando sites de notícias, os grafiteiros não se consideram dissidentes e vem sendo tolerados pelas autoridades em sua maior parte.
"Quero criar uma consciência social com meu trabalho, uma noção sobre o que estamos nos tornando", disse Yulier Rodríguez, de 27 anos, cujos seres parecidos a ETs muitas vezes são deformados, com membros saindo da cabeça, e subnutridos.
"Uma grande parte da sociedade está seguindo um caminho sombrio", afirmou, criticando a economia fragilizada e de estilo soviético que obriga os cidadãos a se voltarem a atividades ilegais para sobreviverem.
Os locais brincam, por exemplo, que a única razão para se trabalhar para o Estado, levando em conta o salário de 30 dólares, é roubar produtos agrícolas para vende no mercado negro.
Inspirado pelos artistas de rua Banksy e Jean-Michel Basquiat, respectivamente britânico e norte-americano, Rodríguez disse que suas criaturas muitas vezes não têm boca, representando a relutância dos cubanos para expressar publicamente seu descontentamento por medo de represálias, como perder o emprego.   
A mesma ideia está por trás dos homens de balaclava de Fabián López, cujo pseudônimo é 2+2=5, querendo dizer com isso que algo não está certo.
O artista de 20 anos se destacou recentemente por um grafite que mostra um de seus personagens segurando a cabeça de Donald Trump para refletir a revolta dos cubanos com a atitude do presidente dos Estados Unidos em relação à aproximação dos dois países.
As autoridades de Havana logo pintaram por cima da imagem.

Reuters

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