Neste sábado (26), a exposição "Sertão Holandês", de Stênio Burgos, entra em cartaz no Museu do Ceará

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Stênio volta a expor no Museu do Ceará. Em 2016, ele passou com sua obra pela Casa Cor ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
O artista plástico cearense Stênio Burgos abre, neste sábado (26), às 15h, a exposição "Sertão Holandês", no Museu do Ceará (Centro). A mostra traz 36 quadros pintados de 2006 a 2016, período em que esteve de passagem por Amsterdam e Zelândia, na Holanda. A produção conta ainda com criações trabalhadas em seu ateliê mais antigo, em Icaraí de Amontada (CE), onde mora.
É a terceira vez que Stênio expõe no Museu do Ceará. "Sertão Holandês" trabalha a presença holandesa na região da Serra Grande (ou Ibiapaba) no período da Colonização. A abordagem histórica se encontra com o valor do espaço. "É um lugar histórico (o Museu). Me sinto completamente feliz. E a Serra está presente em todos os quadros", situa.
A mostra desenvolve a conexão que o autor percebe entre o sertão cearense e os costumes holandeses. Natural de Crateús (CE), Stênio Burgos (63) morou em Amsterdam. "É um povo que não gosta de excessos. Diferente da França. É tudo muito simples", observa.
Ele conta que, na Holanda, uma das grandes dificuldades foi se comunicar através da língua pátria. Os europeus compreendiam o inglês, mas "dificultam o aprendizado do idioma (a quem chega de fora). É um país pequeno, então eles têm esse protecionismo", explica o artista, sobre o minimalismo holandês.
A maior parte das obras foi pintada na capital holandesa e em Zelândia (região litorânea do Sul da Holanda). "Há um sertão de memórias nessa exposição. Mesmo no frio da Zelândia, eu pintava esse sertão que estava dentro de mim", revela.
No salão do Museu, o visitante se depara, na entrada, com um tótem que reúne várias caixinhas pintadas. "Kleurestaal do Sertão" traz, ainda, texto assinado pelo artista plástico cearense Nilo Firmeza, o Estrigas (1919- 2014). "Kleurestaal" significa "tabela de cores", em holandês. "Passei a pintar essas caixinhas em um dia só. São diversas vivências do sertão", pontua.
Dentre as obras que trazem um componente autobiográfico, Stênio Burgos destaca "Caratiús em Fortaleza" (2010) - Caratiús era a tribo indígena que povoou Crateús - e "A outra lição" (2006).
Esta última simboliza a transmissão de saberes. Para Stênio, a cena é "muito comovente" e toca na memória de Olendina, sua babá, já falecida. A pintura desdobra o quadro "A lição", que integra o acervo de artes visuais da Universidade de Fortaleza (Unifor).
Extensão
Os dois maiores quadros da exposição (2m x 2,36m) são "Tabuleiro Flamengo" e "Viva eu, viva tu, viva o povo brasileiro". A primeira retrata a vista da janela do quarto de Stênio Burgos na infância. O artista viveu quase todo o período (11 anos) em sua terra natal, até mudar para Fortaleza, em 1965.
Sobre a segunda, ele a define como uma "paisagem mítica". "Fiz em Icaraí de Amontada, quando comecei a sentir esse clima político extremo que temos hoje", observa o artista.
A imagem destaca as "sombras" de cada brasileiro, individualmente. E questiona o jogo de acusação que leva ao discurso de que a corrupção sempre está no outro, e nunca em si mesmo.
Individualidade
O quadro foi finalizado no dia 31 de dezembro de 2015. Stênio jogou a última "mão de tinta" na tela, e logo começou, no primeiro dia de 2016, a pintar o autorretrato "Narciso".
O autor garante que não se trata de narcisismo, e situa a própria imagem integrada a sua disposição criativa.
Tocando nessa criatividade, a mostra traz ainda a série "Invention of Solitude", sequência de pequenos quadros organizados, lado a lado, em uma das paredes do espaço expositivo.
"No inglês, a gente traduz 'solitude' como a solidão criativa, e não a depressiva. São quadros produzidos na Zelândia, no inverno de 2012 para 2013", comenta Stênio.
Ele resume sua instigação para pintar: "minha arte é completamente barroca, mas eu não teria a determinação de pintar, se não fosse minha disciplina sertaneja. As ideias estariam até hoje só na minha cabeça", vislumbra o artista.
Mais informações:
Abertura da exposição "Sertão Holandês", de Stênio Burgos (CE). Neste sábado (26), às 15h, no Museu do Ceará (R. São Paulo, 51, Centro). Visitação é aberta ao público, até 30 de setembro, de terça a sábado, das 9h às 17h. Contato: (85) 3101.2610

Diário do Nordeste

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