Projeto Porto Dragão do Mar levará artistas locais para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nova York (EUA), além de garantir o circuito deles pelo interior do Estado

por Roberta Souza - Repórter
A produção artística cearense vai ganhar um incentivo a mais para circular estadual, nacional e até internacionalmente. Isso porque o Instituto Dragão do Mar, em parceria com o Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura, dá início nesta semana ao Projeto Porto Dragão do Mar, que levará atrações locais para alguns municípios cearenses e também para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nova York (EUA).
A música é a primeira linguagem a ser contemplada, e a cidade de Sobral, a primeira a receber os artistas e bandas, dentre os quais Projeto Rivera, Orquestra Popular do Nordeste, Daniel Groove, Casa de Velho, Daniel Peixoto e Nafandus. Eles foram selecionados a partir dos Laboratórios de Criação da Escola Porto Iracema das Artes e da última edição do Conexões Maloca. Foi inclusive a partir do festival Maloca Dragão que os gestores do Instituto perceberam a importância de fazer esse movimento circular.
"Quando fizemos a primeira Maloca, vimos um processo de criação muito forte no campo artístico cearense, com pessoas produzindo, surgimento de grupos novos, e todos com um bom público", lembra João Wilson Damasceno, diretor de Ação Cultural do Dragão do Mar. Essa percepção fez com que eles investissem mais num projeto de circulação, criando o Conexões Maloca.
O projeto, que funciona como um mercado de negócios da cultura, trouxe, só este ano, 34 grandes realizadores locais, nacionais e internacionais dispostos a conhecer e a fazer circular a arte do Ceará. Em "speed meetings", foram apresentadas 52 bandas cearenses aos convidados, além da imersão na cultura do Estado assistindo aos shows e espetáculos do festival.
"Esses programadores viram todos os projetos e ficaram com o compromisso de tentar levá-los para festivais como o Se Rasgum, no Pará, o Mada, no Rio Grande do Norte, o Psicodália, no Rio Grande do Sul, o Satélite, no Distrito Federal. E em paralelo a essa ação nacional, achamos que não adiantava circular nacionalmente e aqui isso não acontecer, por isso começamos com Sobral", reforça João Wilson.
Parcerias
Na cidade sobralense, a parceria foi estabelecida com a Ecoa, vinculada à Prefeitura Municipal de Sobral e que teve representantes no Conexões Maloca. Organização social assim como o Instituto Dragão do Mar, a Ecoa é responsável pela formulação e implementação de políticas culturais na cidade. Segundo João Wilson, coube a eles a seleção das bandas que iriam para Sobral. E assim acontecerá nos demais espaços. "Nosso papel é apresentar, mas quem escolhe é quem vai receber", reforça o diretor.
Pedro Madeira, da Orquestra Popular do Nordeste, que se apresenta em frente ao Teatro São João no dia 23 de agosto, reforça a importância da circulação para o trabalho que vem realizando desde 2014.
"Estamos desenvolvendo um projeto de pesquisa baseado na música cearense e ir até Sobral vai possibilitar um avanço nas pesquisas de partituras de Carlinhos Patriolino e de seu pai, Carlos Patriolino, ambos naturais de lá e referências do Chorinho em nosso Estado", explica.
Os próximos municípios cearenses a receberem os shows do Porto Dragão do Mar são Crato, Juazeiro e Quixadá. Fora daqui, serão realizados shows em São Paulo, junto ao SESC SP; no Rio Janeiro, em parceria com o Circo Voador; em Minas Gerais, em parceria com a Secretaria da Cultura de Belo Horizonte; e em Nova York (EUA), em parceria com o Lincoln Center, considerado o maior complexo de artes cênicas do mundo.
"Na Maloca desse ano veio a curadora de um dos espaços do Lincoln Center. Ela gostou muito do que viu no Conexões e a ideia é que a gente construa uma espécie de ocupação cearense em NY, passando uma semana lá com alguns artistas", adianta João Wilson.
"Isso requer um investimento maior, mas ainda estamos em processo de construção. Também devemos fechar algo com o Nublu, uma casa de jazz norte-americana cujo curador também esteve aqui na Maloca", completa o diretor. A expectativa é que os cearenses aportem nos Estados Unidos no verão de 2018, entre os meses de julho e agosto.
Investimento
Questionado sobre o orçamento do projeto Porto Dragão do Mar, João Wilson frisou que o investimento vem do contrato de gestão do Instituto e ainda dos próprios parceiros, que entram com cachê ou logística. Há também, segundo ele, um projeto na Lei Rouanet em processo de inscrição e de captação de recursos.
Com mais dinheiro, outras linguagens poderão participar do projeto de circulação. Teatro é uma das que João Wilson vê com mais chances de acontecer logo, tanto pela articulação natural de alguns grupos cearenses com o resto do País como pela presença de programadores dessa linguagem no festival Maloca Dragão deste ano.
"A produção do Ceará está no momento certo de circular, com um processo de criação artístico muito forte de um lado, e de outro a Maloca como festival consolidado, assim como os laboratórios de formação da Escola Porto Iracema. Está mais do que na hora de isso acontecer. Nossa pressa é grande, caso contrário passa o tempo e as coisas não acontecem", finaliza o diretor.
Saiba mais
Projeto Porto Dragão do Mar em Sobral
17 de agosto
Projeto Rivera
Local: Largo das Dores
23 de agosto
Orquestra Popular do Nordeste Local: Em frente ao teatro São João
21 de setembro
Daniel Groove (dentro da Semana do Poeta)
Local: Largo das Dores
20 de outubro
Casa de Velho (dentro da Bienal de Dança)
Local: Boulevard do Arco
2 de novembro
Daniel Peixoto (dentro da Feira da música)
Local: Largo das Dores
16 de dezembro
Nafandus (dentro do Ponto.Ce)
Local: Largo das Dores
*Todos os shows são gratuitos

Diário do Nordeste

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