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Bienal do Rio oferece espaço cinco vezes maior do que em 2015 ao público jovem

por Bolívar Torres - Agência O Globo
Escritora "teen" Talita Rebouças
Livro de Raony Philips, a ser lançado na Bienal
Em 2007, quando a Bienal Internacional do Livro do Rio criou pela primeira vez uma área específica para os jovens, o mercado editorial infantojuvenil estava longe de ser o que é hoje. Embora já existisse a saga "Harry Potter", o baixo volume de produção do segmento e a insatisfatória presença do público prejudicaram o sucesso da iniciativa, lembra Tatiana Zaccaro, diretora da Fagga, que organiza a feira com o Sindicato dos Editores.
Na Bienal passada, em 2015, o cenário foi outro. A presença do público de 15 a 29 anos no evento dobrou em relação a 2007, passando de 24% para 50%. Agora, segundo dados da Nielsen Bookscan, a literatura infantojuvenil já corresponde a 20% do volume de produção e 14% do valor do mercado.
É nesse contexto que começou, na última quinta (31), no Riocentro, a 18ª edição da Bienal. Nunca a programação infantojuvenil teve tanto peso no evento, que inaugura a arena #SemFiltro, espaço dedicado a esse público. A área, que em 2015 se chamava Cubovox e podia receber até 80 pessoas, terá agora capacidade para 400 - a mesma do Auditório Madureira, onde acontecem os encontros com as principais estrelas.
Além disso, será montado pela primeira vez o espaço Geek & Quadrinhos, com cosplay, jogos de tabuleiro, games e outros elementos do mercado jovem. Para Tatiana, a importância dada ao segmento é uma prova definitiva de que a Bienal abraçou de vez o público jovem.
"A Bienal é um raio-x do mercado, acompanha o que acontece. E, atualmente, quem mais compra livros no país são os adolescentes", diz a diretora da Fagga. "Após 'Harry Potter', abriu-se um leque no mercado editorial. Mas, quando inauguramos esse espaço, há 10 anos, havia apenas alguns exemplos isolados, como a Talita Rebouças. Já agora, quase todas as grandes editoras têm selos para jovens, e o público da Bienal vem acompanhando o crescimento desse mercado. Os jovens nunca leram tanto como hoje", comemora.
Mídias
Dos 330 convidados da festa, cerca de 150 são ligados ao setor infantojuvenil. Entre os nomes da arena #SemFiltro, um dos traços mais marcantes é a maneira como deslizam entre diferentes mídias. Muitos, como o poeta João Doederlein e a gamer Malena Nunes estão lançando seus primeiros livros, mas já possuem uma produção sólida e um público fiel - e jovem - em plataformas como o Instagram e o YouTube. Suas publicações funcionam como um complemento. Esse casamento entre novas mídias e a produção editorial é, aliás, um dos responsáveis pelo crescimento do setor infanto-juvenil.
A arena #SemFiltro, no entanto, não pretende atrair apenas os mais jovens, afirma a cineasta Rosane Svartman, cocuradora do espaço com Claudia Sardinha. Ao pensar a programação, Rosane elencou temas importantes a se discutir nas mesas, que falassem do universo jovem, mas que também pudessem interessar aos adultos e promovessem encontros entre gerações (como, por exemplo, a mesa "Poesia em toda parte", reunindo Doederlein, que vive a onda dos versos no Instagram, e Charles Peixoto, que marcou o mimeógrafo nos anos 1980). "Acho importante discutir a influência das novas mídias, entender por que personalidades das plataformas digitais estão também publicando livros e o que isso muda no contato com o público", avalia a curadora.
"Os 'nativos digitais' já nasceram interagindo com os fãs, são empreendedores que buscam se comunicar e interagir. Essa relação mais horizontal e participativa é uma característica da atualidade.
Celebridades
Focados em nichos, muitos desses autores são celebridades junto a faixas etárias específicas, mas desconhecidos para as demais. Em sua pesquisa, Rosane descobriu nomes como Raony Philips, que é roteirista, diretor e dublador, criador da websérie "Girls in the house'. Seu canal no YouTube, RaoTV, tem quase 1,5 milhão de assinantes.
Na Bienal, ele irá lançar o livro "Duny. Meu livro. Eu que escrevi" (Intrínseca), um spin- off da websérie, e fará dublagens ao vivo. "Eu nunca tinha ouvido falar dele, mas minha filha de 14 anos é fã da série", conta Rosane.
Com curadoria do escritor Affonso Solano e capacidade para 90 pessoas, o espaço Geek & Quadrinhos é outra aposta. Ao promover bate-papos sobre jogos, batalhas medievais e realidade virtual, tem potencial para atrair para o mercado editorial um público que não tinha o hábito da leitura.
"O produtor de literatura está entendendo que essas outras mídias não necessariamente competem, mas complementam a leitura e catapultam o material", explica Solano.
Estrutura
Apesar da crise, a programação cultural da Bienal cresceu 40%, para 360 horas de atividades. O número de autores em 2017 é 30% maior do que em 2015.
Se na última edição do evento o público sofreu com engarrafamentos por causa das obras dos Jogos Olímpicos, os organizadores contam este ano com a implementação do BRT para facilitar ao acesso ao RioCentro. Há duas estações próximas.
A Fundação Roberto Marinho também terá atrações nesta edição. O Museu da Língua Portuguesa, que está em reconstrução em São Paulo, levará ações educativas, incluindo uma instalação audiovisual que recria uma espécie de "planetário do idioma". O espetáculo de luz e som homenageia a língua escrita.
Já o Canal Futura promove o 2º Fórum de Educação, nos dias 4 e 5 de setembro, das 14h às 17h. Nomes como Flavia Oliveira, Wolney Candido de Melo, Tião Rocha e Diva Guimarães debaterão os principais desafios da educação no Brasil. As vagas são limitadas.

Diário do Nordeste

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