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Exibição de filmes sobre a África mostra a beleza estética e a relevância social da cinematografia africana

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De cima para baixo: filmes "A luz", "Estação Central de Cairo" (no meio, em preto e branco) e "A viagem da Hiena", selecionados para nova edição do Telas Abertas
O cinema africano ganha espaço neste mês de setembro na Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes, equipamento cultural vinculado à Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Seculfor). Uma mostra cinematográfica, totalmente produzida por diretores africanos e gravadas no continente, começa a ser exibida hoje (6), com o filme "A Viagem da Hiena", às 18h30, com entrada gratuita. A programação é uma realização do projeto cineclube Telas Abertas, e acontece ao longo do mês, todas as quartas-feiras.
"A escolha por esse tema parte da proposta de dar visibilidade a essa cinematografia, que em geral recebe pouco espaço dentro do mercado exibidor. Escolhi filmes dos anos 50 aos anos 80, que expressam diferentes questionamentos e propostas estéticas, e desse modo é possível começar a entender o cinema africano", explica Rodrigo Coelho, realizador audiovisual e curador da mostra.
O filme "A Viagem da Hiena" (Touki Bouki), de 1973 e dirigido pelo senegalês Djibril Diop Mambety, narra as cômicas desaventuras de Mory, vaqueiro que monta uma motocicleta com um crânio bovino. Mory e Anta, uma estudante universitária, descontentes com o Senegal, decidem ir a Paris tentar arrumar dinheiro fácil. É considerado um dos melhores filmes africanos, pelo seu caráter experimental.
No dia 13 de setembro, é a vez do cineasta senegalês Ousmane Sembène, com "A Negra de..."(La Noire de...) de 1966. O longa fala de uma jovem senegalesa, Diouana (Mbissine Thérèse Diop), que vai para a França trabalhar como empregada na casa de um casal. Lá tenta manter sua visão romântica do país, mas logo se vê presa ao cotidiano de faz-tudo. Não tem folga, não sai à noite, não recebe salário. Diouana se vê presa em uma realidade de oprimida pelo colonizador.
Escolhas
O terceiro filme, "Estação do Cairo" (Bab el hadid, 1958) é dirigido por Youssef Chahine e conta a história de um homem com problemas psicológicos que trabalha em uma estação de trem do Cairo, chamado Qinawi. Ele começa nutrir uma forte paixão amorosa e sexual por Hanouma, vendedora informal de bebidas nos trens.
Porém, por sua condição psíquica diferenciada e o tratamento social que recebe, Qinawi não consegue se expressar e lidar com impulsos no meio em que se encontra.
Na quarta semana, dia 27, o filme a ser exibido é "A Luz" (Yeelen). De temática fantasiosa, mostra o jovem Niankoro (Issiaka Kane), dotado de poderes mágicos, que parte com o objetivo de descobrir os mistérios da natureza. Com a ajuda da mãe (Soumba Traore) e do tio (Ismaila Sarr), terá de lutar contra o pai Soma (Niamanto Sanogo), poderoso feiticeiro que pretende matá-lo. Dirigido por Souleymane Cissé, o filme de 1958 ganhou prêmio do Júri, do Festival de Cannes em 1987, e de Melhor Filme Estrangeiro pelo Independent Spirit Awards, em 1989.
"Além da mostra querer realizar um traçado histórico do cinema africano, ela também busca traçar um panorama diverso, que pode ser observado na escolha dos países de produção, como Senegal, Mali e Egito, de modo que pudesse expressar a pluralidade da cultura africana", ressalta Rodrigo Coelho.
Temas atuais
"Os filmes apresentados na Mostra de Cinema Africano trazem temas extremamente atuais e importantes a serem discutidos, como colonização, segregação racial, relações de poder e ancestralidade que existente no cotidiano do continente africano. Essa filmografia expressa fortemente a cultura d povo africano, do embate dessa cultura com outras mais economicamente poderosas e dominantes", justifica o curador.
Essa é a primeira curadoria de Rodrigo Coelho realizada para a Vila das Artes, mas não é único projeto desenvolvido pelo produtor. Entre os anos de 2012 a 2013, ele coordenou o cineclube Cineterapia, desenvolvido pelo curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
De 2013 a 2015 participou também do Cine Corno, cuja proposta era divulgar filmes nacionais em locais públicos.
O projeto Telas Abertas funciona desde de 2015 e "foi criada com o intuito de proporcionar a programadores e curadores da cidade terem seus projetos atendidos. Cada curador já manda as indicações de filmes e o projeto escrito e a Escola escolhe pela importância da temática", explica Natalia Viana, Assistente de Coordenação do Vila das Artes, núcleo audiovisual.
Anualmente a instituição abre edital para os projetos de curadorias. As convocatórias acontecem em março e ao longo de nove meses é lançada a agenda.
O Telas Abertas já recebeu exibições temáticas sobre transgêneros, animações e cinema negro no Brasil. Neste mês, a mostra de cinema africano visa entender e refletir as dicotomias presentes na estrutura social da África, a partir de temas como a exploração colonial, a segregação racial e as relações de poder.
"Acredito que seja importante conhecer esses filmes e levá-los a público, porque eles também mostram que é possível fazer cinema esteticamente rico e politicamente relevante fora de um eixo industrial majoritário", finaliza Rodrigo.
Mais informações:
Cineclube Telas Abertas. Dias 6, 13, 20 e 27 de setembro, sempre às 18h30, na Escola Pública de Audiovisual da Vila das Artes (R. 24 de Maio, 1221, Centro). Classificação: 12 anos. Gratuito. Contato: (85) 3252.1444
 
Diário do Nordeste

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