Livro-entrevista de sociólogo francês traça retrato inédito do Papa

Francisco aborda temas como o aborto, casamento, abusos sexuais, migrações ou o papel das mulheres na sua vida

(Lusa)
Lisboa, 02 set 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco está no centro do livro-entrevista ‘Política e sociedade’, do sociólogo francês Dominique Wolton, com quem aborda temas como o aborto, casamento, abusos sexuais, migrações ou o papel das mulheres na sua vida.
A obra, com mais de 400 páginas, vai ser lançada em França na quarta-feira e alguns excertos do livro foram dados a conhecer pelo jornal ‘Le Figaro’, abrindo as portas a um “diálogo inédito” que decorreu em várias sessões, ao longo de dois anos.
Francisco reforça a condenação do aborto como um pecado “grave” que implica o “homicídio de um inocente”, sublinhando que a existência de um pecado deve levar as pessoas a procurar o “perdão”, justificando assim o alargamento da faculdade de absolvição do mesmo.
Em relação ao casamento, o Papa defende que este se limita às relações “entre um homem e uma mulher”, pela “natureza das coisas” e pela história da humanidade, pelo que defende que uniões entre pessoas do mesmo sexo sejam chamadas “uniões civis”.
“Não brinquemos com a verdade”, adverte, apontando o dedo à ideologia de género.
O pontífice retoma as suas preocupações com as condições dos migrantes e refugiados, recordando que esta foi uma condição do “próprio Jesus”, antes de manifesta preocupação com uma Europa “fechada” na qual faltam grandes lideranças.
Francisco diz que o Velho Continente “explorou” a África, por exemplo, deixando muitas pessoas sem trabalho e à mercê das guerras.
A este respeito, o Papa rejeita a expressão “guerra justa”, por considerar que a única solução justa é a paz.
O livro aborda a questão dos abusos sexuais de menores por membros do clero, considerando que se um padre é um abusador “está doente”, além de deixar elogios à política seguida desde o pontificado de Bento XVI de “enfrentar o problema”.
Francisco fala da influência das mulheres da sua vida, desde a sua avó a “pequenos namoros”, passando por consultas a uma psicoterapeuta, entre 1978 e 1979, quando o então padre Jorge Mario Bergoglio tinha 42 anos.
A entrevista rejeita que o secularismo transforme as religiões em “subculturas” e lamenta que países muçulmanos não aceitem o “princípio da reciprocidade” em relação ao direito de liberdade de culto.
O Papa lamenta a “rigidez” de alguns membros da Igreja, em particular aos que centram o discurso em questões de moralidade sexual, esquecendo questões sociais.
Francisco fala numa “tentação” de uniformizar regras para situações diferentes e dá como exemplo o tema das famílias em dificuldade, abordado na sua exortação apostólica pós-sinodal ‘Amoris Laetitia’.
O pontífice sublinha que o discurso da proibição, do “não, não, não” é o mesmo que se encontra nos diálogos de Jesus com os fariseus, nos Evangelhos, deixando votos de que seja possível “ver mais além”.
OC

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