Lufthansa envia engenheiros para desmontar Boeing histórico


Engenheiros e técnicos da Lufthansa estão desmontando o Boeing 737-200, no Ceará. Ele seguirá, até o fim do mês, para Alemanha ARTUR COSTA LIMA/SALCO LOGISTICS
Engenheiros e técnicos da Lufthansa estão desmontando o Boeing 737-200, no Ceará. Ele seguirá, até o fim do mês, para Alemanha ARTUR COSTA LIMA/SALCO LOGISTICS
A última viagem do lendário Boeing 737-200 da Lufthansa, sequestrado em 1977 por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina/Baader-Meinhof, e que virou sucata em um cemitério de aviões no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, está prestes a acontecer. Há duas semanas, uma engenheira e pelo menos 11 engenheiros/técnicos alemães realizam um minucioso trabalho de desmonte da aeronave para transportá-la à cidade de Friedrichshafen, na Alemanha.
O 737-200, de 47 anos e medindo 30,5 metros de fuselagem, será transportado por um cargueiro russo. Pelo mais gigante ainda, Antonov An-225 Mriya ou pelo An-124 Ruslan. Estes são os maiores aviões de asa fixa do mundo, com 84 metros de comprimento e capacidade para carregar até 640 mil quilos.
Segundo Hans-Jurgen Fiege, cônsul Honorário da Alemanha para o Ceará/Piauí/Maranhão, a operação foi montada pela Lufthansa Técnica e pelo Governo Alemão. Os trabalhos de desmontagem devem durar até o fim deste mês. Mas, em casos envolvendo um Boeing 737, o processo pode se estender por até oito semanas de acordo com Air Salvage Internacional, empresa inglesa com experiência nesse tipo de desafio.
Parafuso por parafuso
Amanhã, 13, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witshel, estará em Fortaleza para verificar os trabalhos e assistir à desmontagem de uma das asas do Lufthansa PT-MTB. A visita será aberta à imprensa brasileira e estrangeira.
Até aqui, os técnicos “esvaziaram” o avião. Ou seja, removeram combustível, gases e fluídos que ainda estavam dentro dos tanques e em outros sistemas do Boeing.
Também já retiraram o trem de pouso e os estabilizadores. O “charuto” da aeronave — o corpo central — foi posto em bases para aguardar a hora do deslocamento para cargueiro russo. Trabalho que será feito com caminhões guindastes. Dois desses veículos já estão no “cemitério” do aeroporto.
Há duas semanas, em uma jornada das 8 às 16 horas, os alemães desparafusam, catalogam, etiquetam, numeram, embalam em plástico bolha e escrevem de qual lado retiraram as peças que seguirão em três contêineres.
Outubro alemão
No dia 13 de outubro de 1977, o Boeing 737-200 foi sequestrado por terroristas. O voo 181 Lufthansa, com itinerário Palma de Mallorca-Frankfurt, levava 86 passageiros e cinco tripulantes. Após cinco dias de agonia entre aeroportos de três continentes e a execução do piloto Jürgen Schumann, a polícia alemã invadiu o avião, matou três sequestradores, feriu um e resgatou passageiros e quatro tripulantes. Todos vivos.
DEMITRI TÚLIO
O Povo

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