Portuguesa Ângela Berlinde ministra oficina em Fortaleza sobre a fotografia como procura poética

A fotógrafa Ângela Berlinde em oficina no Museu da Fotografia no último fim de semana (Foto: Divulgação)
Em tempos de "fúria fotográfica", para usar o mesmo termo que a fotógrafa Ângela Berlinde atribui ao momento atual, é natural que os profissionais dessa área busquem alternativas que destaquem seu trabalho perante as inúmeras produções apresentadas à sociedade. Essa busca leva a um destino mais perto do que se imagina, e é isso que a portuguesa pretende discutir em oficina a ser ministrada neste fim de semana, no período da tarde, no Museu da Fotografia.
Não é a primeira vez que Berlinde vem ao Ceará. Desde 2004 ela conhece a região, e inclusive fez visitas a comunidades indígenas como a dos Tapebas, Jenipapo-kanindés e Pitaguarys, nas quais registrou a transição cultural desses povos. Esses registros renderam material inclusive para sua pesquisa de doutorado em Comunicação Visual e Expressão Plástica, pela Escola de Educação da Universidade do Minho e Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A fotógrafa também é docente na Escola Superior de Media Artes e Design do Instituto Politécnico do Porto, co-fundadora do Festival de Fotografia Encontros da Imagem de Braga, além de realizar curadorias enter Brasil e Portugal.
"Sempre me atraiu a estética dessa região. E acompanhei também o crescimento das artes visuais, de tal forma que hoje estar no Museu da Fotografia é uma grande honra; testemunhar esse desenvolvimento de Fortaleza e dos fotógrafos daqui", observa a portuguesa.
Se na semana passada ela falou sobre a angústia e o papel do fotógrafo perante a grande velocidade da tecnologia visual, nesta é a procura pela fotografia poética que impulsionará a oficina de dois dias. Os temas, portanto, são complementares e urgentes nos dias atuais.
"O meu trabalho sempre oscilou entre esse poético e o lado íntimo, e procuro estimular o participante a encontrar dentro de si a linguagem, a forma de ver o mundo, para então se expressar por meio das imagens", indica Berlinde sobre o foco da discussão neste fim de semana.
Fortaleza será a primeira cidade a receber essa oficina, segundo a fotógrafa. "O objetivo é encontrar o seu ser, a sua identidade, por isso é uma procura poética. Encontre seu sentimento pelo mundo, e vá colocando isso em série, livro, instalação", orienta a portuguesa.
Metodologia
Ainda segundo a fotógrafa, a oficina pretende despertar o participante para as conexões da fotografia com outras linguagens, como a poesia, a pintura, a literatura e cinema, motivando-os para construção do seu próprio estilo e fotolinguagem. Na metodologia da atividade, os alunos conhecerão o processo criativo de vários autores da contemporaneidade, questionando a transdisciplinaridade da criação visual.
Os pré-requisitos para participação na oficina são, nesse contexto, conhecimentos básicos sobre fotografia e um portfólio para apresentação em grupo. Esse portfólio servirá de base para um encontro do participante com a própria identidade. "Esse pré-requisito não é uma condição negativa. A partir da leitura individual de cada portfólio, vamos refletir sobre o que entusiasma cada artista na sua construção", explica a fotógrafa.
A oficina deve ser ministrada para um número de 20 a 25 participantes, já que o objetivo é que todos apresentem seus portfólios e juntos identifiquem as características autorais de cada trabalho. As inscrições podem ser feitas presencialmente na recepção do museu e as pré-inscrições no email: educacao@museudafotografia.Com.Br. O investimento é de R$ 100.
A fotógrafa estará ainda na Galeria Imagem Brasil na tarde desta sexta, 15, de 15h às 18h, realizando leituras de portfólios. Os interessados podem solicitar ficha de inscrição pelo email imagembrasilgaleria@gmail.com. O investimento também é de R$ 100.
Mais informações:
Oficina "Fotografia como procura poética", com Ângela Berlinde. Dias 16 e 17, das 14h às 17h, no Museu da Fotografia (R. Frederico Borges, 545, Varjota). Valor: R$100. Contato: (85) 3017-3661
Diário do Nordeste

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