Jaceguai, 27, e os berços da MPB

A Livraria Ouvidor (Rua Fernandes Tourinho, 253, Savassi) lança neste sábado, dia 14/10, o livro "Jaceguai, 27", de Leila Affonso e Jorge Fernando dos Santos. Os autógrafos terão início às 11h, com entrada franca.
Nas reuniões da Jaceguai revelaram-se os talentos de Sidney Mattos, Lucinha Lins, Aldir Blanc, Rolando Faria e  Gonzaguinha.
Nas reuniões da Jaceguai revelaram-se os talentos de Sidney Mattos, Lucinha Lins, Aldir Blanc, Rolando Faria e Gonzaguinha. Foto (Acervo/Leila Affonso)
No final da década de 1960, surgiu no Rio de Janeiro o Movimento Artístico Universitário (MAU), que marcaria a história da MPB. Formado por jovens talentos como Aldir Blanc, Celia Vaz, Cesar Costa Filho, Eduardo Lages, Gonzaguinha, Ivan Lins, Lucinha Lins, Marcio Proença, Ruy Maurity e outros, o grupo se articulou a partir dos festivais universitários da TV Tupi e daria origem ao programa “Som Livre Exportação”, da Rede Globo.
A história desse importante capítulo da MPB começou na Rua Jaceguai, 27, no tradicional bairro carioca da Tijuca, e é o tema do novo livro do escritor mineiro Jorge Fernando dos Santos. Autor de 44 obras – entre elas a biografia “Vandré – o homem que disse não” – ele escreveu “Jaceguai, 27” em parceria com a produtora carioca Leila Affonso. No famoso endereço eram realizados saraus, comandados pelo dono da casa, Aluizio Augusto Porto Carreiro de Miranda (psiquiatra e ex-músico do Cassino da Urca e da Rádio Mayrink Veiga) e sua esposa, Maria Ruth.
Além de nomes da velha guarda, como Cartola, João do Vale, Nássara, Donga e Clementina de Jesus, participavam das rodas musicais os jovens amigos das filhas do casal, Regina e Angela. A mais velha se casaria com Marcio Proença, pai de seus dois filhos. A caçula, Angela, seria a primeira mulher de Gonzaguinha, com quem teve os filhos Fernanda e Daniel Gonzaga. Juntamente com os músicos que se revelaram no famoso endereço, estavam sempre presentes a produtora e autora de telenovelas globais Maria Carmem Barbosa, a jornalista Léa Penteado e a atriz Angela Leal.
Importância reconhecida
O livro “Jaceguai, 27” é uma publicação da Mundo Produções em parceria com a Editora Recanto das Letras e foi viabilizado por meio de vendas antecipadas pelo sistema Catarse de financiamento coletivo. A própria Leila Affonso foi personagem da história que se conta e convidou Jorge Fernando para escreverem a obra a quatro mãos. Ela dá seu testemunho na primeira pessoa e ele escreve na terceira, incluindo várias entrevistas com Cesar Costa Filho, Ivan Lins, Maria Carmem Barbosa, Roberto Abramson, Sydney Mattos e outros.
Tudo começou em 1961, quando o sobrado da Jaceguai, 27, foi alugado para Aluizio Porto Carreiro de Miranda e sua família. Mesmo não sendo mais um músico profissional, ele nunca abandonou o violão e o gosto pela música. Depois de se casar com Maria Ruth – que o conheceu por meio de um anúncio de jornal –, começou a fazer rodas de samba e bate-papos, que logo se tornaram notícia num momento em que os festivais da canção começavam a pipocar pelo país.
Em 1969, os jovens que se reuniam em sua residência se destacaram entre os primeiros colocados do Festival Universitário da TV Tupi. A famosa casa seria demolida em 2014, para dar lugar a um edifício de apartamentos, mas se tornaria uma lenda no imaginário artístico do Rio de Janeiro. Para o jornalista Sérgio Cabral, “a Jaceguai foi tão importante para a MPB quanto a Casa da Tia Ciata foi para o samba e o apartamento de Nara Leão, para a bossa nova”.

Divulgação

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