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Eventos e projetos voltados à leitura, incluindo uma nova biblioteca, enriquecem o cenário na cidade

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Usuários da Biblioteca Infantil Herbênia Gurgel, no Conjunto Ceará (Reinaldo Jorge)
Com ascendência no século XVIII, mais precisamente nos salões franceses ou nos grupos americanos de estudiosos da Bíblia, no Brasil os clubes de leitura têm como ancestrais os saraus do século XIX, hábito que veio na bagagem da corte portuguesa, com a chegada da família real. Dispensando a pompa dos seus antepassados, hoje as agremiações ganham cada vez mais destaque, contando com a ajuda da tecnologia digital.
"Clubes de leitura não são novidades. Ele existem em diversos países e estados", afirma o escritor e produtor cultural Talles Azigon, identificando o surgimento de "uma nova onda" dessas agremiações nos últimos quatro anos, por força da internet. "As pessoas têm necessidade de se encontrar", atesta, justificando o aumento desses clubes, que congregam pessoas de diferentes idades e temáticas diversas.
No último dia 25, por exemplo, o assunto foi tema de mesa-redonda dentro da Semana do Livro e Biblioteca, realizada em outubro em todas as unidades do Sesc Ceará. A mediação foi de Talles Azigon, que participa do Clube de Leitura da Bel, cujas reuniões são bimestrais, no Theatro José de Alencar, e coordena o Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB).
Alguns clubes de leitura tiveram origem em reuniões familiares. Em linhas gerais, são organizações simples nas quais pessoas se juntam para debater sobre a leitura de uma obra.
Normalmente, os encontros acontecem uma vez por mês e servem para os integrantes compartilhar suas impressões acerca de um livro.
Talles compara os clubes de leitura aos saraus do século XIX, atentando para o fato de que a leitura não constitui ato solitário, como defendem alguns. "No mínimo, envolve o leitor e o escritor", admite, destacando o caráter de socialização desses clubes, que ganham cada vez adeptos no século XXI.
Os locais das reuniões são equipamentos culturais, livrarias ou cafés, como acontece em Fortaleza, que conta com clubes especializados em Quadrinhos, coordenado por Alessandra Jarreta, enquanto outro se dedica a assuntos femininos. Há também os dedicados exclusivamente à literatura, a exemplo do Clube de Literatura Sublime.
"Os clubes de leitura femininos fazem parte de movimento internacional e movimentam também nossa Cidade", argumenta o mediador.
Ações
A paixão pelos livros também encontra vazão em outros tipos de projeto. É o caso da psicóloga Annita Moura, idealizadora do "Livro livre", voltado ao incentivo à leitura. Há três anos, ela espalha livros por Fortaleza, após morar em Brasília e ter presenciado iniciativa semelhante.
O "Livro livre" prega o desapego por meio da doação de obras. No caso de Annita, o início foi com sua própria biblioteca, depois com acervos de pessoas da família. "Aos poucos fui me desfazendo da minha biblioteca e os livros foram sendo deixados em praças, terminais ou lugares do tipo", diz.
O trabalho também inclui a organização de bibliotecas comunitárias e projetos junto a entidades. No momento, Annita está envolvida na organização de várias ações, uma delas em Sobral, denominada "Abra as páginas e voe", que será lançada na primeira feira do livro do município, marcada para esta semana.
Outro projeto, em parceria com o Sesc, tem a finalidade de incentivar a doação e a troca de livros, estendendo-se ainda ao restauro e higienização de livros, que ganham marcadores e carimbos para evitar a comercialização. "A ideia é incentivar o compartilhamento e o desapego", pontua Annita.
Desapego
No Ceará, o próprio Sesc conta com 14 bibliotecas fixas e duas volantes. Possui 3.500 leitores inscritos e realiza 300 empréstimos por dia.
Ana Paula Lima Barros, coordenadora da Biblioteca Regional da entidade, ressalta que uma das razões do baixo índice de leitura no Brasil é a falta de acesso, considerando muito caro o preço do livro para grande parte da população brasileira.
Por isso, as ações de desapego devem ser incentivadas, assim como compartilhamento de livros, incentivo à criação de bibliotecas comunitárias e ações que envolvem tecnologias digitais.
Como um bom exemplo, ela cita o projeto internacional Bookcrossing, que consiste em democratizar os livros. É uma maneira também de desterritorializar a leitura. "Não tem limitação de área", diz.
Ao ser cadastrado no projeto, o livro recebe um código, credencial para circular em qualquer lugar. Recentemente, o Sesc incorporou essa ação. "Cada unidade (da instituição) contará com uma biblioteca para 'libertar' o livro. Não tem devolução, e isso cria o desapego. Desde o início do ano recebemos doações para esse projeto", atesta.
O Bookcrossing vai funcionar na área de convivência da unidade Fortaleza. Os participantes são incentivados a deixar um livro nos espaços disponibilizados pelo Sesc e levar outro de sua preferência.
O leitor deve cadastrar o livro no site bookcrossing.Com.Br, identificando o ponto Sesc e, na sequência, o "liberta". A atividade é destinada a crianças e adultos, e funcionará nos três turnos.

Diário do Nordeste

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