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Unindo obras da última década, o artista visual Rian Fontenele lança livro

O livro do artista Rian Fontenele reúne, em 168 páginas, imagens, poemas e entrevista DIVULGAÇÃO
O livro do artista Rian Fontenele reúne, em 168 páginas, imagens, poemas e entrevista DIVULGAÇÃO
Na obra do artista visual Rian Fontenele, a antítese surge como importante ferramenta de interpretação. Como num jogo de claro e escuro, o cearense busca os opostos para construir seu olhar poético. “Eu penso no contraponto. Se eu falo em silêncio, respondo com algazarra. Quando falo em ausência, no meu entender, falo também do excesso de memórias”, ilustra. Na noite de hoje, ele torna ainda mais concreto o intangível que permeia suas pinturas com o lançamento do livro Ausência [Memórias Ancoradas].
A publicação reúne, em 168 páginas, imagens das obras de Rian intercaladas com ensaios, poemas e entrevista. O livro será lançado, às 19 horas, no Ateliê-casa do artista, na rua Maranguape, no Centro - local muito presente no trabalho impresso.
Ausência é um projeto gestado desde 2011, mas só agora chega ao público. “Eu percebi que ainda era cedo para mostrar o que eu queria. (O livro) é um apanhado dos últimos dez anos e mostra um pouco do meu processo (de criação). De certa forma o livro virou um símbolo como é o meu ateliê”, conta Rian, que tem 40 anos de vida e quase 20 de carreira.
Permeado por desenhos, imagens de caderno de estudo, obras em diversas linguagens e suportes, o trabalho dá protagonismo à palavra na obra do cearense, mesmo quando o verbo não é usado para compor as pinturas.
O livro põe em evidência as referências literárias que marcam o trabalho de Rian e reforça a importância da narrativa para o pintor a partir de ensaios críticos escritos por curadores e pesquisadores como Bitu Cassundé, Luiza Interlenghi, Silas de Paula e Weydson Barros Leal. O material inclui texto da escritora e crítica de arte Bianca Dias.
Assim como o conceito de ausência que vai para o título, a ideia do silêncio também está presente nas obras escolhidas para compor o material. “Poucas coisas são tão revolucionárias quanto o silêncio. E não falo do silêncio passivo, mudo. Falo do mergulho na própria consciência. O silêncio como o prólogo da ação, um espaço de conexão consigo onde se adentra no seu lado mais cru. São essas coisas que eu tento falar (com as pinturas)”, teoriza.
O artista tem a representação de figuras humanas como um dos seus motes. Esses corpos retratados estão, em sua maioria, nus. “É uma nudez desconhecedora da vergonha, não sexualizada, mas potente. Não há sedução pela nudez, deixo mais cru possível”, detalha.
Para Rian, a discussão sobre censura à arte, especialmente ao corpo nu, que tem pautado o País é um “desvio de foco” de questões reais. “Tem havido exercício intolerante e difamatório com motivação política”, avalia, ressaltando que essa discussão não atravessa o conteúdo do livro. “Fazer uma leitura sexualizada do meu trabalho seria superficial, mostro uma nudez austera”.
O pintor, que é autodidata, – “mas tenho toda uma herança intelectual e pictórica que não dá pra negar” - afirma estar em busca de novos traços. “Ainda estou distante da pintura que eu quero trabalhar. A narrativa da figura é importante para mim, mas estou num caminho para um exercício abstrato. Quero uma pintura mais intensa que talvez daqui a um par de anos eu consiga me aproximar”, se inquieta.
Serviço 
Lançamento do livro Ausência [Memórias ancoradas] Quando: hoje, às 19 horas Onde: Atelier do artista (rua Maranguape, 65, Centro) Preço do livro: R$ 80 
RENATO ABÊ
O Povo

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