Mostra bienal Caixa de Novos Artistas celebra jovens nomes de destaque nas artes visuais de todo o País

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Imagens da série "Indicadores", de Ana Kawajiril, que integra bienal de artes da Caixa Cultural
Uma bienal é conhecida por acontecer de dois em dois anos. Mas a Mostra bienal Caixa de Novos Artistas, da Caixa Cultural, tem um diferencial - ela não só acontece nessa frequência, mas tem a duração desse tempo. Desde 2017, passando por diversos Estados do Brasil, a exposição chega agora ao Nordeste e começa sua turnê justamente por Fortaleza.
A abertura oficial acontece nesta terça-feira (9), a partir das 19h, nas galerias I e II da Caixa, e fica em cartaz até 11 de março, com entrada gratuita.
Cerca de 30 artistas de diversas partes do Brasil apresentam 37 obras em diferentes formatos - desde esculturas, pinturas e fotografias até instalações e vídeos. A ideia é colocar em evidência essa produção para públicos de vários estados.
A temporada de 2017 da bienal encerrou-se em dezembro, na Caixa Cultural Brasília. Agora, no início de 2018, a mostra passa por Fortaleza e daqui segue para as unidades da Caixa no Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.
Os nomes selecionados vêm dos estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal. A curadoria ficou a cargo de Liliana Magalhães.
Mostra
Os trabalhos passeiam por diversos formatos, sob a temática central das urbanidades e poéticas visuais relacionadas a essas narrativas.
"Desde o início percebi de maneira muito forte a força de determinada crítica social que vinha dos artistas, uma crítica que, na verdade, é um olhar diferente do que vemos no cotidiano. Mas todas essas coisas eram ligadas pelas relações com a vida urbana, a vida da cidade", explica Magalhães.
"Apareceram temas como racismo, identidade, meio ambiente, ética. Uma coisa que me marcou muito foi o engajamento com os direitos humanos e civis, e eu me inspirei nos artistas para escolher essa temática", complementa.
Entre os realizadores e obras selecionados, Magalhães destaca Cátia Lantyer e sua obra "Cidades Provisórias", feita através da visão das ruas e janelas de Salvador. Outro trabalho que se destaca é "Nuvem", gravura da artista Denise Silveira, do Rio de Janeiro - que, a partir de tecido amassado, sobreposições e transparências, constrói uma imagem semelhante à de uma nuvem.
Na parte das esculturas, o paulista Felipe Seixas traz "Expansão", que mistura concreto e carvão; solidez e fragilidade. Do Rio de Janeiro, Jefferson Medeiros apresenta a escultura "Íyá", que tenta dar forma a sentimentos como saudade, memória e dores. Jefferson também apresenta a obra "Gêneses", com a qual discute a temática da escravidão.
Percurso
Detalhe importante da bienal Caixa de Novos Artistas é o fato de não expor os trabalhos em espaços com o tradicional fundo branco. A curadoria teve o cuidado de preparar uma expografia própria, uma cenografia feita para exposições, criada por Sérgio Marimba. Nesse cenário foi elaborado uma cidade em labirintos, na qual as obras complementam a cena.
A proposta foi pensada como um percurso específico. "As pessoas irão percorrer um ambiente como se fosse uma cidade desconstruída", explica Liliana Magalhães. As obras são divididas em campos: o primeiro diz respeito à relação com o espaço enquanto dimensão; depois vem o campo do espaço construído, que abrange a arquitetura encontrada nas cidades.
Continuando a percorrer o cenário da mostra, o público depara-se com as reflexões do espaço político-social, depois da relação com o corpo e, finalmente, com a relação com o outro, fazendo uma síntese do conceito geral da exposição - a saber, os encontros dentro da vida urbana.
Seleção
A escolha dos trabalhos aconteceu em duas etapas. A primeira foi feita por uma comissão de seleção formada por Liliana Magalhães, Sylvia Wernek e Luis Marquesini.
Dentre as 1.414 obras inscritas de 616 proponentes, foi realizada uma pré-seleção de 90 trabalhos. Após um ano, Magalhães foi convidada para ser curadora da bienal e teve a difícil tarefa de estabelecer um recorte de 37 trabalhos de 30 artistas.
"Foi um desafio. Determinei duas qualidades artísticas, dois critérios, como forma de avaliação: um sobre o nível de experimentação da obra, o outro sobre sua força poética visual", aponta ela.
Além desses dois critérios, a curadora seguiu outros já determinados pela Caixa, como a escolha por artistas emergentes, por obras que trouxessem diversidade quanto ao suporte e por artistas que pudessem conferir representação nacional à bienal, que permitissem uma espécie de panorama da arte contemporânea atualmente produzida no País.
Obedecendo a uma proposta da própria Caixa - de divulgar e promover artistas em início de carreira -, o regulamento exigia que fossem escolhidas pessoas que ainda não tivessem trabalhos exibidos em exposições individuais.
Liliana Magalhães faz questão de ressaltar que "os artistas não são jovens talentos, mas sim artistas emergentes, que já têm uma história com a arte, são graduados, pós-graduados e até fizeram residência na área, algo muito importante para essa carreira. Apenas nunca tiveram espaço no cenário nacional das artes visuais", finaliza.

Mais informações:
Mostra bienal Caixa de Novos Artistas", na Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). Abertura nesta terça (9), a partir das 19h. Visitação: de 10/1 a 11/3, de terça a sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 12h às 19h. Classificação Livre. Gratuito. Contato: (85) 3453.2770

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