Novo livro promete desvendar facetas íntimas de Elvis Presley

por Iracema Sales - Repórter
Elvis
A vida do "Rei do Rock", que nascia há 82 anos, em Tupelo, cidade do estado norte-americano de Mississippi, ganha mais uma versão. Dessa vez, pelas lentes do escritor carioca Daniel Frazão, que em texto preciso e descontraído - relembrando a escrita da Geração Beat - mistura literatura e paixão, mas tendo como base fatos reais, para contar a história de vida de um dos mitos da música mundial.
Elvis saiu de cena em agosto de 1977, aos 42 anos. Dono de voz ímpar e maneira de interpretar cativante, impressionava pelas roupas extravagantes e requebros à época considerados obscenos, que terminaram lhe rendendo o apelido de "Elvis, the pelvis".
As apresentações dividiam opiniões. Sua dança, ao mesmo tempo em que escandaliza os setores mais conservadores da sociedade americana, funcionava como um convite para que todos caíssem no frenético "Rock'n'Roll". As performances causavam frisson entre as fãs, e não demorou até ele virar símbolo sexual ou objeto de desejo, principalmente após ser descoberto por Hollywood.
Em "As crônicas de Elvis - Cadillac cor-de-rosa, volume 1", Daniel Frazão escreve sobre a trajetória do cantor, músico e ator norte-americano, que se transformaria em um ícone da cultura popular, sobretudo ao incorporar a filosofia do "american way of life".
Aos 18 anos, o jovem branco que cantava como negro trabalhava como motorista de caminhão e fazia o curso de técnico de eletricista. Mas acalentava o sonho de ser um cantor famoso, por isso não perdia tempo. Aproveitava as horas vagas para ouvir rádio, enquanto tentava imitar a voz de ídolos como Frank Sinatra e Dean Martin, sucessos da época.
Ícone
Frazão, que se apaixonou tanto por Elvis quanto pela literatura ainda na infância, promete desvendar, ao longo da obra, o lado humano do astro.
"A imagem que o consciente coletivo tem de Elvis é daquele cara maior que a vida, a personificação da imponência, da sensualidade e da majestade. Acho que o principal aspecto desconhecido que mostro é um Elvis moleque, inseguro, cheio de dúvidas, anseios e complexos, nada diferente de qualquer moleque de 18 anos de qualquer esquina de qualquer cidade. Isso o torna universal", assinala.
Em edição caprichada, que chama a atenção pela capa colorida, com detalhes em alto relevo, as "Crônicas de Elvis" é definida como biografia romanceada. Dividida em três partes - "Blue moon boys", "Coroação" e "Alemanha" - o primeiro volume abrange os anos de vida do cantor de "Love me tender" entre os anos de 1953 e 1960.
Ao longo das 440 páginas, Frazão promete revelar facetas íntimas do artista, que, em 1963, foi retratado pelo pai da "Pop Art", Andy Warhol (1928-1987), em 22 obras. Além de demonstrar o fascínio pelas celebridades, o artista visual, ao replicar a imagens do cantor americano, usando a técnica silk screen, denunciava a massificação do ídolo.
A atitude de Warhol, de certa maneira, soou como premonição, antecipando o surgimento de inúmeros "covers" do "pop star" mundo afora. Mesmo após sua morte, encarada como enigmática, o artista continua vivo nas listas de vendagens de discos e na memória dos fãs, numa clara demonstração de que a arte tem o poder de eternizar as pessoas.
No primeiro volume da trilogia "Crônicas de Elvis", o autor concentra a narrativa no início da carreira do ídolo e sua ascensão, com enfoque na década de 1950. "O mundo muda à medida que o próprio protagonista muda, passando de garoto tímido e inseguro do interior dos EUA a maior astro da música e o primeiro de todos os popstars. O clima é de euforia, vertiginoso, acelerado como os Cadillacs que permeiam as páginas. O livro chega ao fim com o nascimento de uma nova década. Elvis acaba de sair do Exército e de voltar de um exílio na Alemanha. O futuro é incerto", revela Frazão.
Subjetivo
O autor recorreu à literatura para a construção da narrativa dos livros que compõem a trilogia. São eles: "As crônicas de Elvis - Hollywood, vol.2" e "As crônicas de Elvis - Viva Las Vegas, vol.3", que serão lançados em breve. No entanto, garante que "todos os episódios e situações são reais, mas focados, pelo narrador onisciente, no interior dos personagens, no que pensam e sentem, sobretudo o protagonista. Tudo com base no contexto sociopolítico da época. Nos três livros, mais importante que os dados factuais (cruciais a uma biografia) são os sentimentos, a subjetividade, a narrativa, em suma, a história", reafirma Daniel.
A fotografia de um Cadillac simulando movimento constitui recurso usado pelo autor para dar a ideia de que o leitor embarcará em uma viagem. A artimanha serve para ilustrar a semelhança com a "literatura beat", uma vez que o texto é dinâmico, com frases curtas e linguagem coloquial.
"Meio dia. O estômago revira, mas não é de fome, é de nervoso. Faz tempo que ele observa a loja. O suor escorre sempre que pensa em entrar. Não tem coragem. Os joelhos tremem. A garganta seca. O coração dispara. A barriga gela", é assim que Frazão começa a série "As crônicas de Elvis". A descrição relata o temor do jovem Elvis de entrar na gravadora Sun Records para gravar um single.
 
Diário do Nordeste

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