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Culpa e rancor

Culpa e rancor
Coloquei-me imediatamente na ilha. E vi a casa da família que já não pertencia a eles. Aquela casa em Ibiza que negligenciava a praia de Xanga, onde Laura, o narrador, esvazia no mar o conteúdo de uma pequena caixa vermelha que ela carrega com ela. Ou talvez isso acontecesse mais tarde. E sim, pensei que esta era uma história que me pegou desde o início e que falou de uma família que não estava mais relacionada como tal. Uma mãe ausente que pintou uma série de telas intitulada The Forgotten ; um pai cujo livro Tudo é uma ilhaEle apontou os limites do horizonte e também marcou as alturas entre ele e os outros. Esse pequeno irmão, adolescente e jovem, que através das escamas da memória estava se formando no romance. E lá estava ela, Laura, escrevendo, dizendo-nos. Além de algum outro personagem influente que os acompanharia naquela viagem.
Nessa passagem foi a transcrição de uma história familiar que escondeu desentendimentos e ressentimentos. Negação de perdão e culpa. Um grupo, então, cujos códigos de comportamento iriam configurar um mosaico de identidades mais do que provável atraente. Mas a aventura em que Laura Ferrero embarca (Barcelona, ​​1984), autor do livro de histórias Empty Pools(Alfaguara), com esse bom início e aproximação da história, está a perder o fole, porque Ferrero é jogado a uma série de propostas e voltas do romance que, querendo desvendar os porquê dos rancores e falhas sucessivos, difunde os personagens e os atmosfera do início, e essa opção cúmplice que foi estabelecida com o leitor, desaparece, porque a abundância de explicações e enredos dá origem a um drama mais informativo do que intenso. Para não mencionar a necessidade de apontar frases e títulos de livros e músicas, para sustentar os alicerces das emoções, como se o ressentimento e perda precisassem de mais alimentos, então eu volto ao começo. E espero mais do futuro escrito de Ferrero, porque eu, leitor, estava lá. E vi a casa que já não pertencia a eles e eu poderia ter ficado por mais tempo, contemplando o mar de Ibiza, aquela ilha, ao mesmo tempo em casa, refúgio e estranhamento. Essa ilha que para alguns "é um ato da imaginação".
O que você vai fazer com o resto de sua vida? Laura Ferrero Alfaguara, 2017. 298 páginas. 17,90 euros
El País

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