6 curiosidades sobre o peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura

Ao lado de Gabriel García Márquez e Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa é um dos principais nomes do "boom latino-americano", movimento literário que deu maior destaque para a literatura feita nas Américas. Entre suas principais obras estão “Travessuras da Menina Má” (2006), “A Guerra do Fim do Mundo” (1981) e “Sabres e Utopias” (2009).
Em homenagem carreira e obra do autor peruano que hoje, 28 de março, completa 82 anos, selecionamos 6 curiosidades sobre sua vida.
1 - Nobel da Literatura
Em 2010, o escritor peruano foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura por sua obra de caráter político.
"Não pensava que estaria nem entre os candidatos", brincou Vargas Llosa em entrevista à rádio colombiana RCN. "Por mim, vou seguir trabalhando com um sentimento de responsabilidade, como sempre fiz. Defendendo coisas que são fundamentais para o Peru, para a América Latina e o mundo".
Mario Vargas Llosa na Toscana, em 2010. (Foto: By Daniele Devoti from Padova, Italy (Mario Vargas Llosa), via Wikimedia Commons)
2 - É apaixonado pelas palavras
Antes de se tornar um grande nome da literatura contemporânea, Vargas Llosa trabalhou como jornalista. Começou no jornal La Crónica, em 1952, aos 16 anos, e décadas mais tarde se tornou repórter da Agência France-Presse.
Ainda hoje é procurado para palestrar e analisar temas que rodeiam a profissão. Atualmente, tem uma coluna semanal no El País.
3 - Relacionamentos conturbados
Casou pela primeira vez em 1955, aos 19 anos, com Julia Urquidi, sua tia, que era 15 anos mais velha. O relacionamento inspirou o livro “Tia Julia e o Escrevinhador” (Alfaguara, R$62,90, 360 páginas) e causou diversas intrigas na família, que os levaram a se divorciar em 1964.
No ano seguinte, se casou com Patricia Llosa, a prima-irmã com quem teve três filhos. Em 2016, no entanto, se separaram após ser revelado o relacionamento que Vargas Llosa mantinha com a celebridade filipina Isabel Preysler.
4 - Brigou com outro Nobel de Literatura latino-americano
Em 1976, Vargas Llosa golpeou Gabriel García Márquez no rosto durante uma sessão de cinema na Cidade do México. Desde então, o motivo da briga que acabou com a amizade dos dois escritores se tornou um mistério que, aparentemente, iria para o túmulo dos ex-amigos. “É um pacto entre García Márquez e eu. Ele respeitou isso até a sua morte e vou fazer o mesmo”, afirmou Vargas Llosa, em 2014.
Gabo de olho roxo após levar um soco de Mario Vargas Llosa. (Foto: Rodrigo Moya)
Mas, no ano passado, durante um colóquio sobre os 50 anos de “Cem Anos de Solidão” na Universidade Complutense de Madrid, Vargas Llosa revelou que o motivo da repentina discórdia com Gabo era fruto de suas diferentes posições políticas. “[Gabriel García Márquez] tinha um sentido prático da vida e sabia que era melhor estar com Cuba do que contra Cuba. Assim, se livrou do banho de sujeira que caiu sobre aqueles que eram críticos à evolução da revolução, mais socialista e liberal, para o comunismo”, criticou Vargas Llosa.
Rodrigo Moya, fotógrafo mexicano que registrou Gabo sorrindo com o olho roxo dois dias depois da briga, endossa essa versão da história, mas ela não é a única. Alguns biógrafos do escritor peruano acreditam que sua esposa, Patricia Llosa, também é uma peça importante para entender a discussão. Segundo Gerald Martin, autor de “Gabriel García Márquez: Uma Vida”, Vargas Llosa teria dito que o soco fora dado por causa de algo que Gabo tinha dito (ou feito) para Patrícia.
5 - Trajetória política
Durante sua juventude, o escritor peruano foi simpático ao comunismo e até chegou a dar aulas sobre o marxismo, mas a prisão do poeta cubano Herberto Padilla mudou completamente a sua visão sobre o movimento revolucionário de Fidel Castro.
Depois desse acontecimento, começou a defender o que ele mesmo chama de “liberalismo radical”. Em 1990, concorreu a presidência do Peru, mas perdeu para o autoritário Alberto Fujimori, acusado por assassinatos e sequestros durante o seu mandato de 10 anos.
Após a derrota, Vargas Llosa se mudou para a Espanha onde vive na maior parte do tempo até hoje.
Vargas Llosa discursa no evento "Fronteiras do Pensamento", em São Paulo, em 2016. (Foto: By Fronteiras do Pensamento, via Wikimedia Commons)

6- Opiniões polêmicas
Além de ser reconhecido por sua obra, Vargas Llosa também tem aparecido na mídia por causa de suas opiniões impopulares.
Na semana passada, em entrevista ao The Guardian, o escritor disse que a liberdade de expressão é a culpada pela morte de mais de 100 jornalistas mexicanos na última década. Além disso, Vargas Llosa desconsiderou o papel do governo na manutenção da violência no México, culpando os narcotraficantes pela maioria dos assassinatos.
Também neste mês, o autor causou polêmica com um artigo publicado em sua coluna do El País, em que diz que o movimento feminista é um inimigo da literatura.
Fonte: Revista Galileu

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