Emicida celebra dez anos de carreira com DVD e se dedica à literatura

Thales de Menezes
SÃO PAULO
Emicida, 32, reconhece que o filme sobre o começo de sua carreira apresenta um dilema: mostrá-lo a um público mais amplo, mas com o cuidado de não exagerar no didatismo, a ponto de parecer coisa bem sabida por fãs que o acompanham há dez anos.
O rapper Emicida, cujo DVD em comemoração dos dez anos de carreira sai em maio - Ênio Cesar/Folhapress
"É um processo bem delicado. Mas a gente é escolado em mergulhar em universo que não é nosso, como a São Paulo Fashion Week. Vamos colocar coisas importantes para quem acompanha o Emicida, mas tem uma história aí que atinge todas as pessoas, de correr atrás de sonho."
Em 20 de novembro do ano passado, Emicida gravou um show festivo, com convidados como Karol Conka e Caetano Veloso. O DVD "10 Anos de Triunfo" sai em maio. O diretor Fred Ouro Preto inova ao montar o show do DVD com imagens captadas pelos celulares dos fãs na plateia.
"Ideia que faz um sentido incrível, porque minha carreira começou quando os celulares passaram a ter câmeras." O cantor acha que esse cenário definiu muito o modo como seu nome se popularizou, com vídeos na rede.
"Eu nem tinha computador em casa e meu celular era vagabundo, então não fazia ideia de onde aquelas sessões de improviso eram vistas."
"Quando soube que tinha 1 milhão de views no YouTube, fiquei puto. Pensei que, se cada uma dessas pessoas me desse R$ 1, eu não estaria naquela bosta que estava, tá ligado?", recorda, rindo.
Emicida conta que é muito procurado por gente jovem que às vezes vai até a sede da produtora Laboratório Fantasma só para conversar.
"E eu gosto, não por ser o cara que sabe tudo, mas é fundamental compartilhar a maneira como a gente trabalha."

LIBERDADE

Fióti é mais ligado em negócios e agora as pessoas o reconhecem como empresário do irmão. Mas, durante muito tempo, a dupla falou que não tinha empresário.
"A gente nem pensava nisso, só ia fazendo. Mas não acho que isso é uma coisa nova, sabe? James Brown era um cara que colocava o dedo em tudo. Esse tipo de artista inspirou a gente a trabalhar, como o Jay-Z", diz Emicida.
"Se o cara quer sua liberdade artística, percebe que pode conseguir se cortar atravessadores. Cuidando de tudo, cria uma atmosfera profissional que protege seu trabalho."
Emicida tem outras ocupações. "Tenho escrito muito, faz tempo que quero lançar alguma coisa. Registro o que acontece no escritório, escrevo coisa ficcional mesmo, e agora estou muito inspirado pela minha filha, escrevo muita coisa infantil."
Há uma explicação para esse foco. "Como mudei de casa há pouco tempo e ela ainda está sendo mexida, estou sem meus equipamentos ligados. Então estou fazendo essas coisas fora da música. Depois, quando ligar, sai de perto, mano!"
F. de São Paulo

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