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I Festival de Fotografia acontece hoje e sábado

por Roberta Souza - Repórter
Registro do fotojornalista baiano Evandro Teixeira: convidado do evento, o veterano é uma das maiores referências do ofício no Brasil
Ainda que o cenário do sertanejo tenha sido fotografado por diferentes lentes nacionais, são poucas as atividades dessa linguagem voltadas para quem reside nessa geografia. A percepção sobre isso veio para Glícia Gadelha, do Fórum da Fotografia, de forma mais enfática, em novembro passado, enquanto realizava um encontro de dois dias com os profissionais da área no Cariri, por ocasião dos registros das romarias. "Eu senti que as pessoas pedem ações de formação, difusão, fora do eixo Fortaleza - Sobral", e foi a partir disso que, junto a Beto Skeff, diretor-presidente do Ifoto, nasceu o Qxas, I Festival de Fotografia o Sertão Central.
O evento, realizado entre Quixeramobim e Quixadá, começa hoje (13) e vai até sábado (17), contando com seis exposições fotográficas, workshops, palestras, leituras de portfólio, lançamentos de livro e oficinas em escolas públicas. "A ideia é descentralizar atividades como essa no Estado. Além disso, o festival tem um foco grande em formação", resume Glícia.
Em Quixeramobim, as atividades acontecem no Memorial Antônio Conselheiro, na Casa do Conselheiro, no Sesc Ler - onde acontece a oficina de Câmera Artesanal oferecida pelo Museu da Fotografia de Fortaleza -, no Liceu e em escolas municipais. Durante a noite, serão realizadas algumas projeções fotográficas na Praça Central da cidade. Já em Quixadá, tudo está concentrado na Casa de Saberes Cego Aderaldo, numa parceria com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
Mesmo sendo realizado com poucos recursos - cerca de R$ 13 mil reais -, o festival conseguiu reunir importantes nomes da fotografia nacional. Entre os convidados externos confirmados - que ministrarão cursos e palestras - estão o fotojornalista baiano Evandro Teixeira, os paraenses Elza Lima e Guy Veloso e a portuguesa Ângela Berlinde.
Também estarão presentes na programação o Descoletivo, formado por Marília Oliveira e Régis Amora; o fotógrafo e pesquisador Silas de Paula; Tiago Santana, fotógrafo e editor da Tempo d'Imagem; Júlio Santos, mestre da Fotopintura; Fernando Jorge, fotógrafo e professor da Casa Amarela; a fotógrafa e editora de imagem Iana Soares; Fernanda Meireles e Emi Teixeira, que farão oficinas de fotozines; o fotógrafo Paulo Gutemberg, que lançará livro; e os fotógrafos Celso Oliveira e Gentil Barreira, responsáveis por construir uma obra que tem forte imersão sertão.
Percepções
Para Guy Veloso, uma das principais contribuições que o evento dá é o estímulo aos jovens da região para trabalhar o olhar sobre o sertão em que vivem. "O estereótipo sempre vai ter. O importante é retornar o olhar crítico", reflete o fotógrafo. Ele vai ministrar uma oficina com o tema "Várias formas de olhar", na escola pública Cel. Humberto Bezerra, que já possui um núcleo de fotografia e um curso regular contemplando a linguagem.
Sobre a metodologia aplicada, ele resume: "o principal é contar histórias e ouvir das pessoas, saber da vida delas". Guy, que tem um olhar especializado para festas religiosas e já fotografou penitentes em todo o Brasil, quer que os participantes da oficina se projetem nas fotos que tem para mostrar. Ele também ministrará um workshop com o tema "Do poético ao Prático", em Quixadá, mas, para esse, as vagas já foram todas preenchidas.
O paraense vê com entusiasmo a iniciativa do festival, tendo em vista os poucos eventos que acontecem nos interiores do Brasil. "Como sou de Belém, entendo bem como é estar fora dos grandes circuitos e como esses eventos fazem falta, principalmente para os jovens. É uma demanda antiga e necessária", defende. Em 2017, ele participou de um festival semelhante no sertão da Bahia, e acredita que ações como essa estão se expandindo. "É uma pena que ainda não se está espalhando pela Amazônia, mas acho que é uma tendência. Há público pra isso e basta terem pessoas dispostas a trabalhar muito e, principalmente os patrocinadores", lembra.
Evandro Teixeira, autor do livro "Canudos: 100 anos", também não esconde a satisfação de participar do evento na terra natal de Antônio Conselheiro, líder do movimento em questão, e homenageado pelo festival, já que, além de tudo, a abertura acontece na data que marca os 120 anos de seu nascimento. "Eu estou muito emocionado de estar aqui. Vai ser muito bom para interagir com todas essas pessoas. Vou conseguir transmitir saber e receber muito também, afinal você não leva cultura, você recebe uma tonelada de carga de saber do sertão", finaliza.

'Mais informações:
QXAS - I Festival de Fotografia do Sertão Central. De 13 a 17 de março de 2018, em Quixadá e Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará.

Diário do Nordeste

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