Patativa do Assaré segue vivo no artesanato de Juazeiro

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Álbum de 1999 do xilógrafo José Lourenço traz 20 gravuras contando a história de Patativa do Assaré. (Fotos: Antonio Rodrigues)
Juazeiro do Norte. Cerca de 100Km de Assaré, a figura de Patativa de Assaré também é muito presente na terra do Padre Cícero. O poeta está nos cordéis, xilogravuras e esculturas em dois dos principais pontos de artesanato do Município: o Centro de Cultura Popular Mestre Noza e a Lira Nordestina. Muitos turistas gostam e compram itens com o artista.
Na Lira Nordestina, por exemplo, a vida dele foi tema de um álbum produzido pelo xilógrafo José Lourenço, em 1999. José o conheceu quando era jovem, trabalhando na impressão de cordéis, quando Patativa do Assaré visitava a Tipografia São Francisco, que depois, ele mesmo rebatizou de Lira Nordestina.
Coleção ‘Os grandes nomes do Nordeste’ traz o poeta ao lado de Padre Cícero, Frei Damião, Luiz Gonzaga, Lampião e Antônio Conselheiro.
Em 1998, voltou a conversar com o poeta em sua casa e pediu autorização para criar o álbum de gravuras na madeira. Nasceu o “Vida e Poesia”, com 20 imagens que contam a vida do artista assareense. “Quando o visitei, já comecei a fazer os esboços. Mas, ao sair de lá, eu joguei tudo fora”, lembra o xilógrafo, que, com o contato, teve outra percepção sobre o poeta.
“Ele gostou muito do álbum. Nesse tempo, já não enxergava, mas adorou a ideia. Eu ficava maravilhado com a forma de conduzir a poesia e como ele tinha a capacidade de decorar poemas feitos no tempo da ditadura”, completa José Lourenço. Hoje, suas xilogravuras são usadas também para decorar o Memorial Patativa do Assaré.
 
Já no Centro de Cultura Mestre Noza, o poeta é inspiração para as esculturas na madeira de imburana do artesão Beto Soares da Silva, 46. Ele criou peças nas quais valoriza Patativa do Assaré como agricultor, indo e vindo para a roça, levando a cabaça de água e trazendo jerimum. “Trabalhar com a imagem dele é muito bom. Ele foi uma referência pra nós. Sempre tô vendendo essas pecinhas”, valoriza o artesão.

Diário do Nordeste

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