Clube de assinaturas de livros busca diferencial e investe na antecipação da publicação de candidatos a best-seller

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Pacote de livros da TAG: a ideia de trabalhar com obras inéditas é, também, antecipar o lançamento de títulos com potencial para se tornarem best sellers. O preço desse tipo de pacote também é menor que aquele baseado em curadoria.
Três variáveis desempenham papeis fundamentais no universo dos clubes de assinatura. O preço é um deles, claro. Há, ainda, formas de construir um perfil de seu leitor/ assinante, de maneira a antecipar os desejos de quem se dispõe a pagar pelo serviço; e diferenciais, que tornem a experiência da assinatura atraente (afinal, porque não ir a uma livraria escolher o que se quer ler?).
Iniciativas do tipo se multiplicaram e se segmentaram (há clubes especializados no público infantil, por exemplo). E a tendência parece ser a de, cada vez mais, particularizar. Um dos exemplos que mais chamam a atenção é o da TAG - Experiências Literárias, do Rio Grande do Sul.
O clube, que já mantinha um pacote chamado TAG Curadoria (com obras indicadas por escritores e intelectuais famosos), criou um novo serviço. Como o nome deixa claro, TAG Inéditos contará apenas com obras ainda não disponíveis nas livrarias. "Já tínhamos essa ideia há algum tempo e, em outubro, apresentamos a algumas editoras", explica Gustavo Lembert, sócio fundador do clube.
A proposta de exclusividade do clube já era trabalhada e materializada em edições feitas para os assinantes (os livros entregues têm projetos gráficos e editorais diferentes das versões dos mesmos que vão às livrarias), revista com informações adicionais acerca da obra e do autor e mimos. Semelhante a outros clubes, há o elemento surpresa (o título da vez é descoberto pelo assinante, ao abrir o pacote) e a periodicidade das entregas, que é mensal.
Segmentação
Apostar em inéditos não é exatamente uma experiência nova para a TAG. Em outubro do ano passado e em fevereiro deste ano, o pacote Curadoria entregou títulos ainda não disponíveis em livrarias. A escritora nigeriana Chimamanda Adichie e o ensaísta argentino Alberto Manguel indicaram obras inéditas no País. O clube correu atrás de editoras brasileiras que já dispusessem dos direitos dessa obras ou que estivessem interessadas nelas. Desse processo, saíram "As alegrias da maternidade", da também nigeriana Buchi Emecheta, e "O alforje", da iraniana Bahiyyih Nakhjavani. Em março, um pocket book da cantora e poetisa norte-americana Patti Smith foi incluído no kit, na condição de "mimo".
Os inéditos foram bem acolhidos pelos assinantes do pacote Curadoria, mas sua publicação não foi exatamente um laboratório. "Nem teria dado tempo. É um processo numerado. O livro de outubro (de 2017), a gente fechou o contrato em dezembro de 2016. Esse de fevereiro, há um ano", revela Gustavo Lembert.
O fato é que o ineditismo não é o único aspecto que define o novo clube de assinaturas. "Estamos de olho no mercado, não nos concorrentes. Acredito que tem espaço para todo mundo. Mas, para crescer, percebemos que era mais fácil ter mais de um (pacote de assinaturas), o ideal era investir em mais gêneros", conta Lembert.
Ele explica que o primeiro é centrado em obras literárias mais complexas, premiadas e bem acolhidas pela crítica. Os títulos fazem sucesso com um tipo de leitor, mas acabam não atendendo outro. "A gente viu que, entre as pessoas que nos apoiam, algumas deixavam de assinar, porque preferiam outro tipo de livro e por conta do preço. Pessoal que lê Dan Brown, John Boyne", detalha. Leitores interessados em best sellers eram difíceis de arregimentar, afinal esses títulos acabam saindo por preços promocionais e já vendem bastante à época do lançamento.
A ideia do pacote de inéditos é, também, antecipar o lançamento de obras com potencial para se tornarem best sellers. O preço do pacote de Inéditos também é menor (R$ 39,90 mensais, além da taxa de entrega; contra os R$ 55,90 do Curadora, mais a taxa). As inscrições são feitas pelo site www.Taglivros.Com.
Parceria
Para as editoras, a vantagem da parceria é ter uma venda considerável e receber o dinheiro da compra mais rápido do que o habitual. A tiragem média do livro no País é de 3 mil volumes. A TAG já conta com mais de 24 mil associados. O novo pacote, que está com assinaturas abertas até o dia 8, para receber o primeiro kit, já conta com 6 mil associados (3 mil destes, também assinam o outro pacote).
"A venda é garantida. Pagamos dois meses depois. As editoras recebem das livrarias no fim do ano, e apenas pelo que foi vendido, porque é um negócio em consignação", explica Lembert. É fácil entender o poder de barganha do clube. "Conseguimos indicar um tradutor mais experiente, um estúdio de design mais atualizado", enumera.
E-books
Experiências como a dos clubes de assinatura de livros pareceriam inacreditáveis cinco anos atrás. No começo da década, uma euforia perversa em torno do mercado de e-books (os livros digitais) e e-readers (dispositivos que permitem sua leitura) se degenerou em profecia, que dava por certo o fim do impresso em pouco tempo. Tal hecatombe, como se pode ver, não aconteceu.
Os e-books tiveram um crescimento modesto e, no fim, deu-se conta de que seus leitores são os mesmos do impresso; e, na maior parte das vezes, consomem nos dois formatos. Em vez de se encontrar diante de um beco sem saída para o impresso, o mercado do livro se atentou para veredas pouco exploradas, para a atenção aos leitores e a especialização de seus serviços.
"Uma mudança que sentimos é que, hoje, ninguém nos pergunta mais a razão de investirmos no livro impresso, porque 'ele vai acabar'. O livro digital é mais uma plataforma, os leitores leem em mais de uma. Mas claro que trabalhamos com a ideia de imprevisto. Vai que aparece um e-reader tão bom que motiva essa substituição. Não trabalhamos com e-books na TAG, mas também não descartamos (trabalhar com eles no futuro)", avalia Lembert.

Diário do Nordeste

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