Dame Blanche: editora quer trazer diversidade para literatura nacional

Detalhe do livro 'Lobo de Rua',  editado pela Dame Blanche (Foto: Reprodução)
DETALHE DO LIVRO 'LOBO DE RUA', EDITADO PELA DAME BLANCHE (FOTO: REPRODUÇÃO)
Sempre sonhamos em publicar as coisas que gostaríamos ler. Nós queremos boas histórias e também diversidade: vozes negras, asiáticas, lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, genderfluid, etc.” É assim as amigas Anna Fagundes Martino e Clara Madrigano apresentam a Dame Blanche, editora criada por elas em 2016 para publicar histórias de ficção especulativa.
Desde então, a Dame Blanche publicou cinco e-books, que já têm uma média de 500 downloads mensais. As histórias visitam desde São Paulo aos olhos de uma alcateia de lobisomens (Lobo de Rua, de Jana P. Bianchi) até os mistérios do espaço pela perspectiva da tripulação do cargueiro Amaterasu (Deixe as Estrelas Falarem, de Lady Sybylla). “Nossa intenção é focar em histórias curtas para podermos divulgar esses talentos da ficção especulativa brasileira que não tinham espaço para publicar suas ideias”, explica Madrigano em entrevista à GALILEU.
Em Lobo de Rua, por exemplo, o protagonista é Raul, um morador de rua. Já Deixe as Estrelas Falarem tem como protagonista Rosa, uma mulher que já é avó e comanda um cargueiro comercial.
Livro 'Deixe As Estrelas Falarem' (Foto: Reprodução)
“No geral, o que vejo na ficção especulativa brasileira são homens brancos dominando o cenário e indo na linha dos homens brancos internacionais, ou seja, todos querem ser o próximo Tolkien. Eles querem criar a nova Terra Média, aquele lugar bastante uniforme, com elfos, todos brancos e com nomes em inglês”, conta.
“Quando fundamos a Dame Blanche quisemos fugir disso. Não queríamos publicar o próximo Tolkien, mas algo diferente dessa literatura estrangeira que chega aqui e influencia nossos autores. Não é culpa dos escritores, mas se só publicamos traduções de histórias norte-americanas ou britânicas que só repetem os mesmos estereótipos, os leitores serão influenciados por isso.”
A Dame Blanche também se destaca pelo seu modelo de negócio. Em vez dos autores pagarem para terem seus livros publicados, a própria editora é quem paga a eles para publicar seus e-books. Por conta disso, o processo é mais lento do que o de uma editora tradicional, mas vale a pena: só em 2018, a dupla Martino e Madrigano pretende lançar mais dois novos títulos e trazer ainda mais diversidade ao mercado editorial. Vida longa e próspera!
Saiba mais sobre a editora no site: https://editoradameblanche.tumblr.com/
Fonte: Revista Galileu

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