Grupo de mulheres borda pontos históricos e afetivos de Fortaleza

ENTRELAÇADAS se reúnem para bordar em diversos locais da Capital FOTOS ALEX GOMES/ESPECIAL PARA O POVO
ENTRELAÇADAS se reúnem para bordar em diversos locais da Capital FOTOS ALEX GOMES/ESPECIAL PARA O POVO
Vinte e cinco mulheres, de idades entre 38 e 90 anos, resolveram fazer de sua arte uma homenagem a Fortaleza. O grupo Entrelaçadas resolveu, a partir de desenhos feitos nos tecidos, traçar bordados para homenagear pontos históricos e afetivos da Capital, que completa 292 anos na sexta-feira. Em reuniões que acontecem uma vez por mês, elas compartilham linhas, agulhas e histórias. O projeto recebeu os primeiros traçados e pontos e deve ser concluído em outubro.
Cada uma das 25 mulheres escolheu um local da Cidade com o qual se identifica. Serão 28 as áreas que devem ganhar as cores do bordado. No momento, estão sendo feitos os traçados a lápis por artistas plásticos, muitos deles da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, nos panos que serão bordados. “Para mim, bordar é uma arte, mas, antes disso, é uma terapia. Aqui eu criei um novo círculo de amizades, me senti útil novamente. Refiz a vida”, conta a aposentada Maria de Jesus Castelo Branco, 60. O primeiro trabalho que o grupo bordou foi um presépio. O menino Jesus, a manjedoura, Nossa Senhora e São José vinham com a simplicidade da primeira experiência e o colorido da fé. “Éramos 12 e a coincidência que era a quantidade de apóstolos de Cristo. O nome do grupo, por isso, era Menino Deus”, comenta Iara Reis, 51, consultora do Sebrae e professora de bordado. Foi dela, junto com Vanda Almeida, 56, aposentada, a ideia de reunir pessoas para bordar em praças e outros lugares públicos. Outras 23 mulheres foram se unindo e, assim, foi formado o Entrelaçadas, em junho de 2016. O início dos encontros foi na Praça Luiza Távora, na Aldeota. 
A cada reunião, um novo local era decidido: jardins do Theatro José de Alencar, Casa José de Alencar, Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) já foram palco dos traçados.  
Foi daí que nasceu a ideia de presentear Fortaleza com pontos em cruz, folhinha, crivo, entre outros. Ao percorrer todos esses espaços, veio o pensamento, elas não lembram de quem, de homenagear a Cidade com o que elas mais gostam de fazer. “É um gesto, principalmente, de carinho”, define a dentista Suzana Coelho, 56.  
Para Maria de Jesus, que enfrentou um câncer de língua, as amizades no grupo de bordado foram fundamentais no processo de cura. “Se não tivesse linhas e agulhas, eu teria entrado em depressão”.
PONTOS QUE SERÃO BORDADOS 
> Náutico Atlético Cearense > Passeio Público > Theatro José de Alencar > Praça do Ferreira > Reitoria da Universidade Federal do Ceará > Centro Dragão do Mar > Estoril > Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho > Faculdade de Direito da UFC > Jardim Japonês > Colégio Imaculada Conceição > Palacete do Plácido > Ponte dos Ingleses > Caixa Cultural (antiga Alfândega) > Estátua Iracema Guardiã, da avenida Beira Mar > Caixa-d’água dos Peixinhos > Cidade das Crianças > Praça da Estação > Academia Cearense de Letras > Ideal Clube > Praça General Tibúrcio (Praça dos Leões) > Igreja Pequeno Grande > Iracema na Lagoa de Messejana > Praça Portugal > Escola Estadual Justiniano de Serpa > Casa José de Alencar > Por do sol no Mucuripe > Museu do Ceará 
ANGÉLICA FEITOSA

O Povo

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