País tem dívida histórica com povos indígenas

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Alunos indígenas integram oficina de fotografia ministrada pelo curador Iago Barreto IAGO BARRETO/DIVULGAÇÃO
FICINA Alunos indígenas integram oficina de fotografia ministrada pelo curador Iago Barreto IAGO BARRETO/DIVULGAÇÃO
Na Mostra de Cinema de Tiradentes deste ano, o cineasta Carlos Eduardo Magalhães, idealizador do documentário Ara Pyau – A Primavera Guarani, refletiu: “Os índios não precisam de um cineasta branco para fazer filme, isso foi um presente que eu ganhei, porque tem muitos cineastas nas aldeias”, afirmou, destacando ter dirigido o longa-metragem a pedido dos próprios índios. Os Guarani queriam alguém que pudesse filmá-los como “super-heróis” não como seres exóticos.
Curador da Exposição da Juventude Indígena do Ceará, o fotógrafo Iago Barreto faz coro ao dito por Carlos Eduardo. “Uma exposição como essa é o primeiro passo para que esses jovens possam conquistar outros espaços”, afirma, evidenciando também a importância de agrupar trabalhos. “Eles não são um povo só e é importante que estejam em conjunto na exposição para mostrar essas diferenças”, defende.
Segundo Iago, a “função de parceiro da causa” é servir de ponte. “Temos de abrir caminhos para que haja mais possibilidades de os próprios indígenas criarem, produzirem (trabalhos artísticos)”. O fotógrafo ministra oficina de audiovisual para esses jovens e conta ter partido dos próprios alunos a ideia da mostra. “Era uma demanda deles de que essas imagens pudessem fluir”, conta, revelando o desejo de continuidade da exposição pós-Porto Iracema.
Amanhã e sexta, o Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará recebe o evento Parlas Indígenas: Saberes, Rituais e Culturas Nativas. A programação inclui aulas ministradas por representações indígenas acerca de interculturalidade e identidades. Organizador do evento e coordenador das licenciaturas interculturais indígenas Pitakajá e Kuaba, o professor Kleber Saraiva defende a multiplicação de eventos como esse.
“A história indígena sempre foi contada a partir da visão do outro. É histórico no País que a voz indígena não possua recorrência na documentação”, analisa Kleber. “A partir do momento que o indígena pode falar de si mesmo, partindo de uma visão interna, nativa, muitas imagens são desconstruídas”, completa o antropólogo. “A imagem do índio ainda é cristalizada para muita gente, como se sempre tivesse que andar sem roupa e falar outra língua. A cultura é dinâmica e as mudanças não tiram a identidade étnica”, finaliza.

SERVIÇO
Parlas Indígenas: Saberes, Rituais e Culturas Nativas
Quando: 19 e 20, das 9 às 17h
Onde: Centro de Humanidades da UFC 1 e 3 (Av. da Universidade, 2683)
Programação gratuita
Telefone: 3366 7582

RENATO ABÊ
O POVO

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