PRECISA-SE URGENTE DE UM CULPADO

Grecianny Carvalho Cordeiro*
O verdadeiro líder é aquele que, em caso de êxito, o mérito é de sua equipe. Em caso de fracasso, ele próprio assume a culpa.
Alguns de nós, quando alcançamos o sucesso em dada situação, o mérito é nosso. Pelo esforço, pela determinação, pela perseverança.
Muitos de nós, quando obtemos um resultado indesejado, em certa circunstância, tendemos a culpar o outro. Fulano não foi com a minha cara e por isso não consegui o emprego, passar na prova para tirar a carteira de habilitação...
A culpa é sempre do outro.
Há alguns anos, ouvíamos que, se uma mulher era estuprada, foi porque ela deu causa. Foi porque usava roupa curta demais. Deu cabimento ao agressor. A culpada era a mulher!
Fulano virou bandido porque não lhe fora dada oportunidade de estudar e de obter um emprego. A culpa é da sociedade! 
O filho se tornou usuário de droga. A culpa é do amigo, das companhias, que o levaram para o mau caminho!
Hoje, mais do que nunca, verificamos uma inversão assustadora na responsabilidade de cada um de nós, pelos nossos atos, pelas nossas vidas. E o culpado, geralmente, é o outro.
No caso Mariela. A vereadora carioca executada a tiros, junto com o motorista. Mil especulações surgiram, em especial, dizia-se: ela morreu porque criticava a violência policial, as milícias, defendia bandeiras liberais. Ganhou corpo a ideia de que Mariela fora a culpada pelo seu assassinato!
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No caso recente do senhor assassinado quando de uma saidinha bancária, na cidade de Fortaleza. O homem saía da agência bancária e caminhava tranquilamente para seu veículo. Demorou a entrar e fora abordado por um rapaz, o qual tentou subtrair-lhe os valores. O homem reagiu, e, ato contínuo, o assaltante efetuou vários disparos contra o homem. O comentário geral, ao se ver as filmagens, era de que: a vítima deu causa. Morreu porque caminhou lentamente para seu veículo e, ainda, reagiu ao assalto!
Em casos de crimes praticados por políticos, com o vai e vem de malas de dinheiro, bunkers com cifras milionárias, a culpa, nesse caso, não é de ninguém. Porque não se sabe quem deu o dinheiro ou sequer o motivo. 
São apenas alguns exemplos, para que fiquemos alerta ao perigo que essa inversão de responsabilidades pode produzir: uma sociedade doente, na qual nenhum cidadão assume as consequências pelas suas atitudes, pelos seus erros, sempre transferindo para o outro.
Vivemos em um mundo estranho. Não há dúvida.
Mas, afinal, a culpa é de quem?


*Promotora de Justiça

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