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Professor de literatura e escritor, Massaud Moisés morre aos 90 anos

Maurício Meireles
SÃO PAULO
O professor de literatura e autor Massaud Moisés
O professor de literatura e autor Massaud Moisés - Academia Paulista de Letras/Divulgação
Professor de literatura aposentado da USP e autor de diversos livros, Massaud Moisés morreu, nesta quarta-feira (11), aos 90 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral.
Com livros como “A Análise Literária”, “A Criação Literária” e “História da Literatura Brasileira”, obra de referência em cinco volumes, o intelectual ajudou a formar gerações de alunos de letras. 
“A Análise Literária” (Cultrix), por exemplo, ensina passo a passo, como em um manual, a fazer a leitura crítica de uma obra de ficção.
Mas a obra dele não ficou restrita à universidade. Com escrita didática, alguns de seus livros foram adotados em escolas, como “Literatura Brasileira Através dos Textos” e “Literatura Portuguesa Através dos Textos”.
Em seu trabalho intelectual, percebe-se a preocupação pela formação dos mais jovens —com José Paulo Paes, um de seus grandes amigos, organizou o “Pequeno Dicionário da Literatura Brasileira”. Seus livros estão publicados pela editora Cultrix.
“Ele pedia silêncio na turma e, então, de repente gritava: ‘Eu estou ouvindo vozes! Serão nozes ou avelãs?’”, diz o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (e escritor) Eros Grau, que foi aluno dele.

CARREIRA INTELECTUAL

Moisés foi o único, em uma família de imigrantes libaneses com nove filhos, a seguir carreira intelectual. O pai sonhava em ver o filho formado médico. E desempenho escolar para isso o rapaz tinha.
Mas se apaixonou pela literatura no colégio —por isso resolveu tomar outro rumo. Ficou meses estremecido com o pai por conta da decisão.
“Ele vivia a literatura 24 horas por dia, sem se alienar da realidade”, diz Antonieta Moisés, sua viúva.
Soubesse onde esse caminho ia dar, o pai não teria ficado preocupado. Em 1954, Moisés assumiu a cadeira de literatura portuguesa da USP, depois de dois anos como professor assistente, e deu aulas por 40 anos, até se aposentar.
Teve um papel importante no estudo dos autores lusitanos no Brasil. Há alguns anos, doou sua biblioteca, que ocupava um apartamento de 100 m² separado do seu, para a Casa de Portugal, na Liberdade, em São Paulo.
“O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...”, dizia em voz alta em casa, declamando todo o poema “Hora Absurda”, de Fernando Pessoa, uma de suas paixões literárias. São cem versos no total.
Era como se tivesse dois nomes. No Brasil, seus colegas o chamavam “massô”, com a pronúncia afrancesada. No exterior, era “massaúde”, como manda o bom o português. Foi professor visitante em universidades americanas, como como as do Texas e da Califórnia, entre outras instituições.
Membro da Academia Paulista de Letras, ele já havia tido um derrame em 2013 e outro em 2015. Com a saúde mais debilitada, evitava ver jogos do Corinthians —dizia que seu coração não aguentaria.
Além da mulher, Moisés deixa três filhas —duas de seu casamento anterior— e dois netos.
F. De São Paulo

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