Cine Humberto Mauro exibe a mostra Direitos Humanos: o mundo por vir

Ao todo, 46 filmes nacionais e internacionais serão exibidos, incluindo sessões com closed caption, audiodescrição e libras.
A mostra foi criada para marcar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.
A mostra foi criada para marcar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. (Divulgação)

A Fundação Clóvis Salgado, por meio do Cine Humberto Mauro, apresenta sua programação para o mês de maio: Direitos Humanos: o mundo por vir. Criada para marcar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a seleção de filmes evidencia a relação entre o cinema e os direitos humanos, abrangendo documentários e obras ficcionais em diversas formas de invenção, seja na divulgação dos princípios básicos da dignidade humana ou na ficcionalização das diversas violações que atravessam a história recente. Ao todo, a mostra contará com 46 filmes, entre curtas e longas, incluindo sessões com recursos de acessibilidade: closed caption, audiodescrição e libras.
A mostra, que passa por eixos fundamentais na discussão dos direitos humanos – racismo, regimes políticos ditatoriais, dramas pessoais acerca da aceitação social do indivíduo, preconceito de classes, ativismos, dentre outras temáticas – contará com obras de todo o mundo. Segundo Vitor Miranda, da Gerência do Cine Humberto Mauro e um dos curadores da mostra, a seleção buscou tratar das distorções dos direitos humanos a partir de representações de injustiças sociais. “Preparamos uma seleção que abrangesse denúncias de violações de diversos aspectos da dignidade humana, sem cair na espetacularização romântica tratada em alguns dramas ficcionais hollywoodianos. Dessa forma, demos destaque aos documentários construídos a partir de imagens de arquivo ou diante da urgência das situações, e às ficções que reelaboram registros documentais da história no impulso de expansão dos direitos humanos”, destaca Miranda.
As múltiplas faces da injustiça – Composta de muitas obras, a mostra possui inúmeros destaques da filmografia mundial. O recente Corra! (2017), primeiro longa do cineasta Jordan Peele que trata das perturbações de uma sociedade racista por meio de um drama familiar. O filme será exibido em dois dias especiais dedicados ao tema do racismo, ao lado de Cão Branco (1982), de Samuel Fuller, ficção inspirada em uma história real acerca de um animal treinado para atacar pessoas negras e Sweet Sweetback's Baadasssss Song (1971), de Melvin Van Peebles, blaxploitation que entre outros temas, denuncia a agressão policial contra as pessoas negras.
A mostra conta com os clássicos Terra Sem Pão (1933), de Luis Buñuel, documentário que narra a extrema pobreza espanhola durante a década de 30, e Noite e Neblina (1955), obra prima de Alain Resnais que apresenta a realidade perturbadora dos campos de concentração nazistas e os rastros de atrocidades permanentes no pós-guerra. Já o documentário O Fascismo de Todos os Dias (1965), de Mikhail Romm, trata da visão soviética acerca da ascensão de Hitler, do arianismo, do anti-semitismo e da manipulação por parte da propaganda nazista.
Diretos Humanos: O Mundo Por Vir também exibe os aclamados Persépolis (2008), de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, que narra a história de uma garota iraniana de 8 anos que vive no regime abusivo da República Islâmica, e A Vala (2010), de Bing Wang, ficção que recria as circunstâncias brutais dos campos de trabalho forçado durante o governo chinês liderado por Mao Tse Tung.
Os dramas pessoais também estão presentes na mostra com longas como Delírio de Loucura (1956), do diretor norte-americano Nicholas Ray, que narra a história de um professor diagnosticado com uma rara doença e submetido a um tratamento experimental, levando-o ao vício e a um comportamento perturbador. Já O Homem Elefante (1980), primeiro longa do diretor David Lynch, trata de um homem que luta contra um caso grave de neurofibromatose que deforma 90% do corpo. Titicut Follies (1967), documentário de Frederick Wiseman que apresenta um retrato das péssimas condições vividas pelos detentos no Manicômio Judiciário de Bridgewater, em Massachusetts.
Os filmes nacionais Cabra Marcado Para Morrer (1985), de Eduardo Coutinho, que evoca a perseguição política de lideranças camponesas e militantes de esquerda durante os longos anos do regime militar, Orestes (2015), de Rodrigo Siqueira, que relata um confronto de ideais acerca da violência brasileira, e A Vizinhança do Tigre (2014), de Affonso Uchoa, que retrata o cotidiano de moradores da periferia de Contagem, estão presentes na mostra. O público também poderá conferir A Cidade é Uma Só? (2011), de Adirley Queirós, Índios no Poder (2015), de Rodrigo Arajeju, e Quilombo Rio dos Macacos (2017), de Josias Pires.
A mostra contará com sessões de curtas, reunindo importantes produções nacionais do cineasta carioca Aloysio Raulino, como Jardim Nova Bahia (1971), Teremos Infância (1974), Tarumã (1975), O Tigre e a Gazela (1977) e Porto de Santos (1978). As produções do cineasta paraense Renato Tapajós, censurado por seus filmes de denúncia, também marcam presença: Greve de Março (1979) e Linha de Montagem (1981) relatam as reivindicações do movimento operário do ABC paulista.

HISTÓRIA PERMANENTE DO CINEMA – Paralelamente à Mostra Direitos Humanos: o mundo por vir, o Cine Humberto Mauro dá continuidade ao projeto História Permanente do Cinema. Estão programados os filmes Que Bom Te Ver Viva (1989), de Lúcia Murat, Videogramas de uma Revolução (1992), de Harun Farocki, e A Imagem que Falta (2013), de Rithy Panh. As sessões de todos os filmes dessa mostra paralela serão comentadas, visando discutir diferentes momentos da representação da violação aos direitos humanos na trajetória do cinema.

Mostra DIREITOS HUMANOS: O MUNDO POR VIR
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 4 a 29 de maio
Entrada gratuita
Informações para o público: (31) 3236-7400

Fundação Clóvis Salgado

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