De que vale a vida?

Carlos Delano Rebouças*


De que vale a vida, se dela não aproveitarmos com alegria todos os seus pormenores q ue a fazem valer a pena?

De que vale a vida, se dela não fazemos valer a nossa capacidade de conviver bem com os mais próximos, de atrair os mais distantes e de resistir às tempestade, para depois sorrir com a bonança?

De que vale a vida, se por ela não a valorizemos, mesmo certos de sua efemeridade, sem nunca anunciar o seu adeus?

De que vale a vida, se o muito se torna pouco, mesmo quando o seu incipiente nascimento anuncia o seu valor magistral?

De que vale a vida, se nada pode valer a pena quando não há luta para a sua reversão?

De que vale a vida sem a humildade de reconhecer a sua importância, diante de todas as transformações que podem causar na de quem amamos?

De que vale a vida, se com ela não refletimos sobre nossas atitudes, sobre nossas ações, a tempo de nos despedir, deixando uma bela história a ser contada?

De repente a vida passou, deixamos de ser um presente e passamos, a cada segundo, a ser um passado, mas vivo e presente, como um presente, na vida e na memória de todos para quem deixamos saudades, sempre a ser lembrado em algum momento futuro, incerto, quando alguma coisa, mais simples que pareça, pede a palavra ao coração, e a memória assume as rédeas para que seja lembrado com muito saudosismo.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

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