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Pela quinta vez, de hoje (4) até sábado (9), a comunidade de Vazantes (Aracoiaba/CE) recebe mostra de curtas

por Felipe Gurgel - Repórter
Filme "Los Dos Cines de Yody Jarsún", de Alejandro Gallo Bermúdez, um dos inscritos selecionados
Filme em animação "O Consertador de Coisas Miúdas", de Marcos Buccini
A partir desta segunda (4) até sábado (9), acontece a quinta edição da Mostra Curta Vazantes (no distrito homônimo, localizado em Aracoiaba, município a 83 km de Fortaleza). O evento reúne oficinas para a comunidade e exibição de 17 curtas-metragens, escolhidos entre 456 inscritos (do Brasil, Argentina e Inglaterra).
A mostra não é competitiva e a intenção da organização é movimentar a comunidade que, antes de receber o Curta Vazantes, já apresentava uma vocação para a realização de eventos culturais em outras linguagens artísticas. Vale ressaltar que toda a programação tem entrada franca.
O cineasta pernambucano e organizador da mostra, Leo Tabosa, recapitula que o projeto surgiu de sua vontade em levar cinema para comunidades do Interior. Ele mesmo recorda que, quando criança, em Caruaru (CE), a programação audiovisual não tinha uma exibição regular na cidade.
"Então, como cresci sem cinema, quis levá-lo para a comunidade. São espaços que costumam virar centros religiosos, comércios. Quando passei a estudar e trabalhar com isso veio a necessidade de interiorizar essa ação", observa Leo.
A iniciativa também se propõe a descentralizar a programação cinematográfica do circuito das capitais brasileiras - no Nordeste, sobretudo nas grandes cidades litorâneas. Antes de Leo Tabosa levar o Curta Vazantes para o referido distrito, o local já era atendido por projetos como "Fé e Alegria", da companhia de Jesuítas, cujo trabalho foca na interface entre a cultura e a educação.
"Essa iniciativa existe em vários lugares da América Latina. Fui conhecer o de Vazantes, convidado pela Universidade Católica de Pernambuco (onde é professor)", pontua Leo.
Paixão
Quando descobriu o "Fé e Alegria" em Vazantes, o cineasta enfatiza que se apaixonou pela comunidade. "O 'Fé e Alegria' desenvolveu projetos com música, dança, teatro, capoeira, e as crianças faziam filmes documentais a partir disso. Já tinha esse movimento, então entrei no edital do Banco do Nordeste (para captar recursos). E conseguimos viabilizar o projeto", recapitula.
Tabosa observa que há crianças da comunidade que participaram da primeira edição e hoje aparecem na programação como realizadores, a exemplo de João Marcos Maia (e o documentário "Leide", 13min).
"Ele encabeça o coletivo Curta Cinema, e produz vários filmes documentais, e de animação, como também promove pequenas oficinas para outras crianças", situa o cineasta e idealizador.
Recorte
Para escolher 17 filmes, dentre mais de 450 inscritos, Leo Tabosa destaca que a curadoria faz uma espécie de "recorte social". "Pela questão de mostrar outras comunidades, outras culturas para Vazantes, (ganham espaço) a temática ambiental, de gênero, a racial, a participação da mulher negra no cinema. Temas bem atuais, sempre pensando em filmes que podem ser trabalhados em sala de aula depois", define o pernambucano.
Recapitulando as edições anteriores, Leo Tabosa conta que a mostra só teve patrocínio do poder público (via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura) a partir da segunda edição. Com o incremento orçamentário, a organização conseguiu levar a Vazantes parte dos realizadores da programação naquele período, a fim de debater suas obras com o público.
Leo diz que, a cada ciclo de captação de recursos, costuma procurar a Prefeitura Municipal de Aracoiaba para conseguir apoio, e também inscreve o projeto em editas de cultura de alcance nacional. No entanto, ele acredita que, pelo fato de Vazantes não ser um grande centro urbano, a mostra não seria uma vitrine publicitária para os apoiadores.
"Toda empresa declara sua missão nessa questão social, mas na hora de apoiar um projeto cultural assim, quer é visibilidade. E a comunidade não dá esse retorno direto. Ainda consigo viabilizar as projeções, o mínimo para a mostra acontecer. Mas a gente gostaria de um patrocínio mais efetivo", sinaliza Leo Tabosa.
Oficinas
As oficinas da programação são voltadas para estudantes e jovens da comunidade e adjacências, com faixa etária de 12 a 25 anos, em situação de exclusão e vulnerabilidade social. A atividade "1º Anima Vazantes - Oficina de Cinema de Animação Stop Motion", com Gabi Saegesser, apresentará o cinema de animação por meio da técnica do stop motion.
Ainda na mesma programação educativa, Juarez Ventura realiza a oficina "Foto na Caixa", apresentando a câmera escura e a tradicional técnica "pinhole".

Programação

Quinta (7)
"Los dos cines de Yody Jarsún" (Ficção / 5'/ 2017 / Argentina), de Alejandro Gallo Bermúdez
"O consertador de coisas miúdas" (Animação / 10'35"/ 2017 / PE), de Marcos Buccini
"Luiz" (Ficção / 16'/ 2017 / SP), de Alexandre Estevanato
"Sobre um filme que não acabou" (Documentário / 12' 22"/ 2017 / RS), de Diego Tafarel
"Minha mãe, minha filha" (Ficção / 16'/ 2018 / SP), de Alexandre Estevanato
"Leide" (Documentário / 13'/ 2018 / CE), de João Marcos Maia
Sexta (8)
"Castigo" (Ficção / 13'/ 2017 / RJ), de Lucas Maia
"Eu sou o super-homem" (Ficção / 19'25"/ 2018 / SP), de Rodrigo Batista
"Casca de Baobá" (Ficção / 12' / 2017 / RJ), de Mariana Luiza
"Boca de Fogo" (Documentário / 9'/ 2017 / RJ), de Luciano Pérez Fernández
"A Botija" (Ficção / 2'28"/ 2017 / CE), de João Marcos Maia
"Os três erres em ação" (Animação / 3'37"/ 2017 / CE), de João Marcos Maia
Sábado (9)
"Brasas de Sebastião" (Ficção / 1'35"/ 2017 / CE), de João Marcos Maia
"Eu pensei, mas aqui cheguei" (Documentário / 18'30" / 2018 / PE), de Chris Oliver
"Timbo" (Documentário / 9' / 2017 / Brasil/ Inglaterra), de Peiman Zekavat
"Flecha Dourada" (Documentário / 15'/ 2017 / SC), de Cíntia Domit Bittar
"El Niño y la noche" (Animação / 12'/ 2017 / Argentina), de Claudia Ruiz
Mais informações:
V Mostra Curta Vazantes. De segunda (4) a sábado (9), na comunidade Vazantes, distrito de Aracoiaba (CE). Acesso gratuito.

Diário do Nordeste

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