Projeto leva leitura à zona rural do Município de Orós

por Honório Barbosa - Colaborador
O esforço é disponibilizar o acesso livre ao conhecimento, por meio da leitura, para todos os moradores das comunidades de Igarói, Sítio São Romão e Santarém
Orós Um projeto inédito de incentivo à leitura tem movimentado a vida de moradores das localidades rurais deste município na região Centro-Sul do Ceará. A denominação é curiosa: Gelateca. Os idealizadores esclarecem a formação da palavra: geladeira mais biblioteca. O eletrodoméstico usado, pintado e decorado, é colocado em alpendres de casas e nas calçadas e passa a servir de estante para a colocação dos livros.
A iniciativa é da Escola Livre de Artes (ELA) e tem por objetivo atender os apreciadores da leitura e formar novos leitores. "O projeto surgiu a partir de uma ideia de customizar uma geladeira usada e transformar em biblioteca", explica o coordenador da ELA, Édson Cândido. "Estávamos preocupados com a escassez de bibliotecas públicas no Município".
O esforço é disponibilizar o acesso livre ao conhecimento, por meio da leitura, para todos os moradores das comunidades de Igarói, Sítio São Romão e Santarém. O foco é incentivar a leitura para crianças e adolescentes na zona rural. "O equipamento fica na calçada dos moradores e o sistema é bem simples: pegou um livro emprestado, devolve outro", explicou Édson Cândido. "No mês de junho, será inaugurada mais uma gelateca, no bairro São Geraldo, periferia da cidade de Orós".
Igarói
O distrito de Igarói, na zona rural de Orós, não tem de nenhuma biblioteca à disposição da comunidade. Pensando em incentivar a leitura entre os moradores, a professora Adriana Josino instalou a primeira geladeira cheia de livros, gibis, revistas, conhecimento. Com uma pintura diferenciada e cores variadas, o antigo refrigerador ia ser descartado no lixo, mas ganhou nova utilidade e ficou lotado de publicações.
O estudante Moisés Facundes da Silva ficou surpreso com a iniciativa da professora. "Geladeira é para guardar alimentos, bebidas, mas, aqui, foi aproveitada como biblioteca", observou. "Gostei da ideia e geralmente pego um, dois livros".
A professora Adriana Josino contou que teve a ideia quando pesquisava, na internet, projetos de incentivo à leitura e conheceu o projeto da Escola Livre de Arte (ELA), em Santarém, na zona rural de Orós. A docente instalou a primeira biblioteca na calçada da casa dela. "Entrei em contato com o coordenador e recebemos a primeira unidade", disse. "A comunidade é carente, sem biblioteca, espaço de leitura e os meninos estão aproveitando essa oportunidade".
Acesso
A geladeira literária e comunitária foi uma forma de colocar os livros ao alcance de todos. "A ideia vem surtindo efeitos", observa a professora Francisca Oliveira. "Se Deus quiser, vai passar um bom tempo aqui". A unidade tornou-se um ponto de encontro entre os adolescentes e uma possibilidade de ler livros e revistas gratuitamente.
A técnica em Aquicultura Luzia Nágila Correia Lima observa que a biblioteca instalada de forma diferente tornou-se atraente. "Os jovens veem, olham, pegam os livros, levam para casa e depois devolvem para retirar outros exemplares", frisou. "Isso facilita o contato dos adolescentes com a leitura".
A estudante Julia Araújo, adolescente, comentou: "É bem diferente, pois não é todo dia que aparece uma geladeira assim, na calçada, cheia de livros e é uma oportunidade de aprender coisas novas, conhecer livros que a gente não vê na escola".
Os livros foram doados por moradores e incentivadores do projeto. Nágila Lima acredita que a iniciativa é uma forma alternativa para que os jovens saiam um pouco das redes sociais. "Por meio da leitura, podemos sair do mundo virtual e irmos para o mundo da imaginação, por meio das histórias dos livros", frisou. "É bem diferente ler um livro, passar as páginas, do que ler na internet".
A Escola Livre de Artes firmou parcerias que possibilitam a implantação de outras gelatecas na zona rural de Orós. O projeto proporciona a realização de outras atividades culturais e sociais - shows, teatro, oficinas de xilogravura, fotografias, rodas de histórias.
A dona de casa aposentada Maria Gomes também mostrou-se satisfeita com a instalação, na comunidade, da Gelateca. "No meu tempo, era muito difícil a gente ter um livro, uma revista, até mesmo para estudar, a escola ficava distante", lembrou. "Hoje, só não estuda quem não quer porque está tudo mais fácil e mais perto".
A comerciária Ana Lúcia Lima, moradora do bairro São Geraldo, na cidade de Orós, ficou satisfeita ao saber da instalação de uma gelateca, prevista para este mês, a exemplo de localidades rurais. "Espero que dê tudo certo porque conheci a experiência em Igarói e realmente incentiva os jovens a buscar outras leituras", disse. "Há muitas histórias e bons livros, um mundo novo a ser descoberto por eles".
Fique por dentro
Fomento à cidadania no Interior
A Escola Livre de Artes (ELA) é um projeto idealizado pelo Grupo Imagens de Teatro da cidade de Fortaleza. Tem como objetivo fomentar arte e cidadania para quatro distritos localizados na zona rural de Orós (Palestina, Igaroi, Guassussê e Santarém), Sítio São Romão e a sede da cidade.
Em cinco meses, já ocorreram diversas ações culturais, como oficina de dança, teatro, cinema, fotografia entre outras linguagens artísticas. O Projeto é livre e gratuito para todos os públicos. A fruição das atividades acontece nos lugares alternativos da comunidade, como nas casas dos moradores, capelas e praças. Centenas de jovens já participaram das atividades culturais, artísticas e sociais.
Com intuito de potencializar a programação mensal, o projeto conta com aplicativo na App Store, Escola Livre de Artes (ELA), ferramenta criada como objetivo de dar visibilidade aos pontos turísticos e o comércio da cidade de Orós. Dessa maneira, se produz uma consciência de que é fundamental investir no turismo cultural como forma de geração de renda e de empregos. Aplicativo foi criado pelos artistas, Lucas Alexandre e Willian Axel, de Fortaleza.

Diário do Nordeste

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