Fundação Edson Queiroz lança o catálogo da exposição "Da Terra Brasilis à Aldeia Global", no Espaço Cultural da Unifor


A obra "Construção" (1948), de Sílvio Pinto (1918- 1997), outro trabalho presente na exposição
Após a abertura da exposição "Da Terra Brasilis à Aldeia Global" no último mês de março, a Fundação Edson Queiroz lança agora o catálogo da mostra, nesta terça (10), a partir das 8h30, no Espaço Cultural da Unifor. A publicação traz textos assinados pela curadora Denise Mattar e apresentação da presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha.
O lançamento marca os 45 anos de fundação da Universidade de Fortaleza (Unifor). Depois da apresentação, haverá uma visita guiada pela exposição. "Da Terra Brasilis à Aldeia Global" reúne 270 obras artísticas, compreendidas num período que abrange do século XVI ao XXI. O catálogo traz 190 páginas, com detalhes de quase todas as obras expostas.
Em entrevista por telefone, a curadora Denise Mattar situa que o trabalho de curadoria da exposição começou em paralelo à concepção do catálogo. "Na verdade, desde que a gente começou a fazer a curadoria, já tinha em mente a publicação. Sabíamos que teríamos de editar o catálogo", reforça.
"Depois que sinalizamos o número de páginas, não colocamos todas (as obras), mas algumas. Ainda assim, no final, a gente fez uma listagem completa colocando-as por núcleo, título e técnica utilizada", especifica a curadora.
A curadoria encontrou justificativa para produzir o catálogo, pela própria forma como as obras foram selecionadas. Denise observa que o processo teve um apelo didático e histórico, apresentando a contextualização dos períodos da história da arte brasileira.
Com o lançamento da publicação, ela explica que a exposição cumpre um papel importante de desconstruir a ideia de que o período do Modernismo (módulo 5, de 1917 a 1950) "destruiu" toda arte produzida anteriormente.
"A gente nunca presta atenção no que aconteceu no período acadêmico (1826-1922, módulo 4 da mostra). Como se todos os acadêmicos fossem ruins, e não é verdade. Então acho que tem toda uma informação pra gente saber os caminhos dos nossos artistas", justifica Denise.
Indagada quais seriam os módulos cujas obras trazem valor artístico e histórico na mesma medida, ela destaca justamente o módulo acadêmico, além do módulo dos viajantes ("Reais mudanças", de 1808 a 1821). O primeiro contempla artistas como os cearenses Raimundo Cela (1890-1954) e Vicente Leite (1900-1941). "A gente acaba não conhecendo as obras desses artistas, porque foram rotuladas. Então, adotei um partido de sempre apresentar artistas cearenses, que não ficaram muito conhecidos. A Heloísa Juaçaba (contemplada no módulo 6, sobre o abstracionismo) por exemplo, tem um trabalho muito interessante", avalia.
Percurso
"Da Terra Brasilis à Aldeia Global" compreende um longo percurso artístico. Denise Mattar destaca que pouquíssimas coleções, a exemplo da Coleção da Fundação Edson Queiroz, permitem contemplar uma trajetória tão abrangente. Ela observa que o último módulo da exposição ("A Aldeia Global", de 1990 até a atualidade) exibe um recorte da arte contemporânea com um número menor de obras em relação aos outros.
"Mas são obras muito precisas. Todo módulo da exposição foi difícil de escolher. O trabalho da curadoria é esse. Digo sempre que o pior é você ter de colher o que não vai colocar, tem uma eleição. São vários critérios que a gente usa", alinha.

Visitas
Residente em São Paulo (SP), Denise Mattar retorna a Fortaleza para o lançamento do catálogo, após passar pela capital cearense na abertura da exposição, em março deste ano. Ela adianta que, para o segundo semestre, está prevista a realização de um curso, direcionado a facilitar a apreciação e compreensão das obras expostas.
"Vai ter uma aula teórica, mas depois vamos imergir nas obras. Melhor do que trazer um slide, as pessoas vão ter a oportunidade de conferir, pessoalmente, a sala de exposição", detalha a curadora.
Denise Mattar antecipa também que, até fim do período de visitação da mostra (24 de março de 2019), a organização realizará atividades paralelas, entre elas a exibição do filme "Ismael Nery" (1900-1934), sobre o artista modernista - documentário de 1979, dirigido por Sérgio Santeiro. "São várias ações planejadas ao longo deste ano", adianta a curadora.

Mais informações:
Lançamento do catálogo da exposição "Da Terra Brasilis à Aldeia Global". Nesta terça (10), às 8h30, no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). Visitação gratuita (até 24 de março de 2019), de terça a sexta, das 9h às 19h; sábados e domingos, das 10h às 18h. Contato: (85) 3477.3319

Diário do Nordeste

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