Bienal do Livro reúne artistas de vários seguimentos


 Bienal Internacional
Estande Cordel e Repente na Bienal Internacional do Livro de SP de 2016 foi um dos mais visitados
Mais de 70 nomes e 20 lançamentos devem marcar a passagem do Nordeste pela 25ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Concentrados no estande Cordel e Repente entre os dias 3 e 12 de agosto - quando se realizará a mostra literária, considerada uma das maiores do mundo -, artistas de diferentes segmentos empreenderão atividades e iniciativas com o objetivo de fazer valer a cultura de nossa terra em solo sudestino.
Entre eles constam escritores, cantores, compositores, xilogravuristas, ilustradores, contadores de histórias e artesãos. A multiplicidade de talentos e expertises faz-se presente pelo segundo ano consecutivo do estande na Bienal - em 2016, o espaço foi eleito o segundo mais visitado por Pesquisa Datafolha realizada à época.
À frente das ações está a Editora Imeph, responsável pelo local. A casa editorial reservará 250 m² no evento para levar estruturas como a carreta-palco, equipada com som e iluminação para apresentação de cordéis, shows e declamação de poesias.
Conforme aponta Lucinda Azevedo, diretora executiva da empresa, a presença do suporte visa otimizar um ainda maior intercâmbio de culturas e manifestações artísticas.
"São mais de quatro milhões de nordestinos vivendo em São Paulo atualmente. A presença dessa estrutura na Bienal, então, deve fazer com que eles vejam sua própria cultura sendo contemplada em uma metrópole global, cuja visibilidade dada à arte é imensa", dimensiona a profissional.
Folclore
Opinião semelhante é compartilhada por Fernando Paixão, autor nascido em Pedra Branca, sertão central do Ceará. Nas palavras do artista - que também estará na Bienal -, "o espaço que temos no evento é mágico e certamente garantirá bons momentos aos visitantes". É lá que ele ministrará uma oficina e lançará, no dia 8 de agosto, o livro "Duas lendas indígenas de amor", finalista do Prêmio Jabuti no ano passado.
A obra tece narrativas folclóricas referentes aos pássaros joão de barro e beija-flor, atentando para detalhes que fazem de cada ave um animal único na fauna brasileira.
"No caso do joão de barro, o leitor é convidado a conhecer como ele constrói sua casa, um processo minucioso e muito bonito. Já falando-se do beija-flor, fica evidente a beleza dele dentro do nosso contexto natural", detalha.
Fernando conta ainda que o imaginário indígena tem criado inúmeras lendas sobre esses pássaros; um recorte dessa construção narrativa será adaptado, sob suas mãos, para o gênero do cordel.
"As lendas geralmente possuem conteúdos de amor - um amor genuíno, grandioso e impossível - entre duas pessoas. Os pássaros nascem como resultado dessa relação improvável e tudo isso estará presente no cordel que levaremos", explica o cearense.
Tradição
Quem também estará lançando novo material na mostra é Klévisson Viana, com o livro "Miolo da rapadura". Nele, o poeta popular, cartunista e xilogravurista apresentará ao público, no dia 6, uma coletânea de cordéis e poemas de sua autoria, além de realizar oficina de quadrinhos em cordel.
"Apesar de ter 35 livros publicados, essa é a primeira coletânea que vou publicar", diz, afirmando que as histórias versam sobre aquilo que mais atrai os olhares do artista: o modo de viver nordestino, a sabedoria e a cultura popular.
Em sintonia com esses aspectos, Adelson Viana vai estar no estande com "O Nordeste nas canções de Luiz Gonzaga", obra escrita com Lucinda Azevedo, Ana Thais Feitosa e Crispiniano Neto. O exemplar acompanha um CD, reunindo músicas autorais e releituras das canções do Rei do Baião.
O repertório será aproveitado pelo acordeonista, que fará um pocket show no espaço, também no dia 6. "Apesar de a obra já estar lançada, o objetivo de deixá-la à disposição dos visitantes é fazer com que haja uma maior valorização do forró e da música nordestina", justifica o músico.
Além destes, também merece destaque a presença do cantor Moraes Moreira - que lançará um cordel dos Novos Baianos no dia 3 -, Lucinda Marques, Xangai, Maciel Melo e mais uma miscelânea de anunciadores de uma cultura vulcânica de saberes e expressões.
Panorama
Este será o 50º ano da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Um evento que, como rememora Luis Antonio Torelli - presidente da Câmara Brasileira do Livro e um dos organizadores do projeto - soube como crescer bem e acompanhar gerações de leitores.
"A Bienal, quando começou, era apenas uma modesta feira sediada na Praça da República, Centro de São Paulo. Acontecia de forma tímida e com editores ainda não dando tanta importância a ela", lembra. "Hoje a ação reúne mais de 600 mil pessoas a cada edição e acumula o que há de melhor em nossa produção editorial".
Além do número de visitantes, impressiona também outras variáveis quantitativas. Neste ano, em específico, serão quase 200 editoras expondo e 1.500 horas de atividades das mais diversas ocorrendo simultaneamente, contemplando diferentes apelos e idades.
Para Torelli, cada uma das milhares de pessoas previstas na programação do evento deve ser atraída por um nobre desejo: "Fazer com que haja um maior contato com o livro, atestando sua importância para a formação e desenvolvimento humano e cultural dos indivíduos", considera.
Estratégia
Indagado sobre como a feira pretende lidar com a crise econômica brasileira - cujos impactos no setor editorial são sentidos com em qualquer setor da cultura - Luis Antonio confessa: "Tivemos muito trabalho para debater essa questão".
"Quando a Bienal de 2016 acabou, tínhamos na mente que a situação política e econômica do País estava muito ruim. Só não prevíamos que ia piorar ainda mais", brinca.
"Então, sentamos e decidimos que precisaríamos repensar o evento para não correr riscos em 2018, já que o projeto gera um investimento positivo de R$ 32 milhões. Para isso, formamos uma comissão reunindo expositores, editores e organizadores com vistas a driblar essa questão", completa.
A estratégia utilizada pela equipe baseou-se em uma iniciativa de colaboração: na ocasião do lançamento da Bienal, ainda em 2017, a proposta dada aos expositores é que quem tivesse participado em 2016 e aumentasse em 20% o tamanho de seu estande - fechando o contrato dentro de 30 dias do anúncio do lançamento -, pagaria o mesmo valor de permanência no espaço da edição anterior.
"Foi uma proposta muito bem recebida. Tanto que neste ano, batemos o recorde de investimentos e patrocínios, pensando frequentemente em ações para a otimização da inserção dos expositores no evento", avalia Torelli.
"Estamos preparados, então, para movimentar os 75 mil m² que correspondem a toda a área do Complexo do Anhembi com nossa rica produção nacional", finaliza.
Mais informações:
25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De 3 a 12 de agosto no Pavilhão de Exibições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo). 
Programação: www.bienaldolivrosp.com

Diário do Nordeste

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