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Festa Literária do Cariri, iniciada ontem e com programação até o dia 10, reúne escritores, artistas visuais e músicos

Ronaldo Correia de Brito lançará Dora sem Véu durante o evento. Narrativa tem como cenário as romarias de Juazeiro do Norte
Ronaldo Correia de Brito lançará Dora sem Véu durante o evento. Narrativa tem como cenário as romarias de Juazeiro do Norte
Muro de lamentações? A indagação pairou no ar durante debate na então I Feira do Livro de Fortaleza - I Febralivro -, em 1994. Na mesa, escritores, jornalistas e editores em um ainda pequeno evento com poucos expositores, mas tendo Jorge Amado como homenageado e um público expressivo.
Discutiam-se questões sobre direitos autorais, falta de leitores e bibliotecas, exploração das editoras, preço abusivo dos livros, ausência de políticas públicas entre outros problemas. Muita saúva, pouca saúde, os males do Brasil são. Ao final, o crítico literário José Castelo achou que o momento era de por fim a tantas lamentações e traçar novas diretrizes para avançar em antigas questões, mas nunca resolvidas.
A Feira do Livro evoluiu para a Bienal Internacional do Livro do Ceará. Outras capitais ou já tinham ou instalaram também suas festas literárias. Com tantas feiras, festas e bienais, infelizmente, o panorama ainda não é dos melhores, mas mudou muito desde 1994.
Pesquisas ainda mostram que ainda não somos um país de leitores. Mas chegaremos lá, apesar dos modismos tecnológicos. E não contem com o fim do livro como apontou Umberto Eco em uma obra do mesmo nome, onde compara o livro com a roda, uma invenção insuperável.
Agora, uma nova festa do livro desponta no Ceará. Ainda um embrião, mas as ambições dos seus realizadores não são pequenas. A curadora Carolina Campos, através da sua empresa Aula-Luz, arregaçou as mangas e, desde o final do ano passado, trabalha na I Festa Literária do Cariri, uma região rica culturalmente com um importante pólo universitário.
A Festa Literária do Cariri ocorre até dez de agosto na Universidade Regional do Cariri - Urca (Crato), na Universidade Federal do Cariri - UFCA e Centro Universitário Leão Sampaio (Juazeiro do Norte) e na Escola de Saberes - ESBA (Barbalha). Reunirá diversas linguagens como as artes visuais, música e butô. A expectativa do público é de duas mil pessoas entre mais de vinte eventos.
O escritor Ronaldo Correia de Brito, autor de Galiléia, uma espécie de gênese do sertão (quando as primeiras famílias chegaram aos Inhamuns, tangendo os rebanhos e brigando pela posse de terra) lança Dora sem Véu, romance cujo cenário são as romarias de Juazeiro do Norte.
Ana Miranda, a homenageada, refletirá sobre Semíramis, romance que se passa no Crato envolvendo personagens lendários, mas singulares quando recriados por ela - Dona Bárbara do Crato é simplesmente dona Babu, vizinha de Iriana, a narradora, e Cazuzinha, é nosso José de Alencar em meio a política, guerras, rancores, mortes, tragédias e amor, muito amor.
Ficção, história, jornalismo, imaginação, real/irreal são questões a serem discutidas com Ana Miranda e Ronaldo Correia de Brito amanhã, 9, na UFCA. O tema: Jornalismo e Literatura ou como cada um conta a sua história, afinal, jornalistas e escritores são operadores da linguagem e onde não existe esplendor, inventa-se.
A Festa Literária terá também os lançamentos da Revista do Dragão nº 2, número voltado exclusivamente para o Cariri; do livro infanto-juvenil, de Carolina Campos, Levado; além da obra do coletivo feminino "Quantas de Nós", representado pelas professoras Cleudene Aragão e Inês Cardoso (esta "filha" de Barbalha), intitulado Rastros de Mentiras e Segredos.
Entre as exposições visuais,Memórias, do pintor catalão Pablo Manyé, ficará permanente no Salão de Atos da Urca. Os demais lançamentos são de cordéis da Academia dos Cordelistas do Crato e de Quadrinhos, do Coletivo Estação 9, coordenado pelo professor Akira Sanoki do Centro de Artes da Urca.
O muro de lamentações tem diminuído, apesar dos muitos problemas e dilemas sobre a leitura no Brasil, mas o livro, primeiro objeto cultural globalizado graças à prensa de Gutemberg, sempre será de importância fundamental para a construção da cidadania ao refletir a cultura, os modos de vida, e, principalmente a memória do nosso povo.
A I Festaria Literária do Cariri chega para agregar e multiplicar saberes e livros no Nordeste brasileiro. Por fim, desde a Academia Francesa, de 1872, e a Padaria Espiritual, de 1892, o livro sempre esteve entre nós. Vida a longa a I Festa do Livro do Cariri.
José Anderson Sandes é professor de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri
José Anderson Sandesvidaearte@opovo.com
I Festa Literária do Cariri
Quando: até 10/8Onde: Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Regional do Cariri (Urca) e UnileãoInformações: https://goo.gl/FJZPAS

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