Francisco, o Pobrezinho de Assis

Padre Geovane Saraiva*

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Personalidade atraente e incontestável, São Francisco lutou por um mundo solidário e de fronteiras abertas, numa dinâmica estimuladora, com um não à indiferença e à neutralidade dos católicos e dos não católicos. Exemplo de docilidade, chamava todas as criaturas de irmãs, recolhendo pelos caminhos as lesmas, para que não fossem pisadas pelos homens; alimentava de mel e vinhos as abelhas no inverno, para que não morressem de frio e de fome. O jeito de viver de Francisco de Assis, com seu coração repleto de ternura, foi um confronto radical com as forças e relações infra-humanas de seu tempo, advertindo-as para não se apropriarem do meio ambiente e da vida humana no seu todo, aqui na assertiva de seu biógrafo, Tomás de Galeno: “Quando se encontrava com as flores, pregava-lhes como se fossem dotadas de inteligência, e as convidava, numa comovedora ternura, a louvar o Senhor”.

No tempo em que São Francisco viveu neste mundo, de 1182 a 1226, era fácil encontrar pessoas armadas, num constante estado de guerra, pelas armas conduzidas na cintura, preparadas para a violência. Nosso mundo, hoje, 800 anos distante do vivido pelo Trovador de Assis, também não foge à regra: pessoas de todas as classes sociais estão armadas para as guerras. A paz anunciada com a própria vida, por Francisco de Assis, se transformará em uma nova realidade, à medida que houver disposição e sensibilidade, diante do grito dos sofredores. Na nefasta poluição ambiental e no clamor da Terra, sofrida e dominada pela exploração, a violência, o egoísmo e a vingança precisam ceder lugar ao amor e à ternura, proclamados pelo Pobrezinho de Assis.

Ele marcou nossa civilização humana como um santo fenomenal e milagroso, o mais popular do mundo. Vestiu-se de hábito humilde e cingiu-se com um cordão, tomando a resolução de viver na profunda radicalidade o Evangelho de Jesus. Francisco de Assis, no desejo de desfazer-se das coisas do mundo, procurou a solidão e se entregou a Deus, na oração e na penitência. O pai não compreendeu suas atitudes de criatura livre do mundo. Maltratava-o, e até o levou à presença do bispo de Assis, no desejo de discipliná-lo, não esbanjando seus bens materiais, que, despindo-se de suas vestes e entregando-as ao pai, disse com convicção: “Até hoje vos chamei de pai, mas de agora em diante, com toda a razão, pai nosso que estais no céu, porque só em Deus ponho minha esperança”.

Muita gente passou a se empenhar na vivência da fé, a partir do Santo de Assis, mas se perguntando sobre o segredo do seu fascínio por Deus e por suas criaturas, visto como algo divino e misterioso, cognominando-o até de "Cristo da Idade Média", ou, simplesmente, o poverello, o santo incomparável. Sua mais sincera e extremada coerência nos ensina a razão de sermos gente, imagem e semelhança de Deus, numa vida humilde e pobre, mas que se externa numa enorme e imorredoura alegria, ele que foi enamorado do Cristo desfigurado e despojado, na vigorosa e irrefutável experiência de oração, no mistério da contemplação da criança pobre de Belém, acolhendo-o como seu redentor.

Que as pessoas do nosso mundo, com tantos sinais contrários à vida, encontrem razões para amar a vida e para descobrir a bondade de Deus, inspiradas no fascínio da figura humana de São Francisco de Assis, que, ao confundi-lo com seu Mestre e Senhor, cantam, vibrando: “Salve ó Francisco (...) cheio de amor, / com as chagas trazes / do Salvador! / E ninguém sabia / já dizer com veras, / se eras Francisco / ou se Cristo eras”. Amém!

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

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